Artista de fases

por Flávia Waltrick 22/09/2011 10:39

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Geraldo Goulart
Beatriz Abi-Acl prepara obras para duas exposições em BH ainda neste ano (foto: Geraldo Goulart)

Difícil imaginar um mineiro que ainda se surpreenda com a beleza natural das montanhas tão características de Minas Gerais. Mas foi a admiração pela Serra do Espinhaço, que circunda a cidade histórica de Diamantina, que inspirou a artista plástica Beatriz Abi-Acl a usar a paisagem como tema de suas primeiras obras. “É impossível olhar as montanhas e ficar alheia a elas”, diz a pintora, que teve um motivo a mais para expor sua paixão pela natureza. “Nasci numa cidade que tinha duas ruas, uma praça e não mais que cem metros de horizonte. Tinha o desejo de ir mais longe, e o que mais me interessava era o espaço”, diz esta mineira da pequena Senhora do Porto, no Vale do Rio Doce.

 

Apesar do fascínio pelas montanhas, Beatriz não se considera uma pintora das paisagens. “Sou uma artista que busca a expressão”. Para ela, o traçado ondulado surge como suporte e complemento às interferências do homem, que são observadas e retratadas em pinceladas coloridas que deram forma à sua primeira exposição, Paisagem Mineira, na década de 1980. “Além do plano e da superfície, existe o interior marcado pelas mãos do homem. São os loteamentos, as erosões que interferem na paisagem. Por isso, não me preocupei somente com o trabalho pictório, mas procurei mostrar o que estamos fazendo com o meio ambiente. É quase uma denúncia”, diz.

 

Paisagens: sempre presentes na obra da pintora mineira
 

 

Nessa linha de pensamento, Beatriz se deparou com outras questões ambientais, como o desmatamento na Amazônia, a seca no Nordeste e a mineração em Minas Gerais. Desta nova pesquisa surgiu a obra Possibilidades de Ver, de Sentir e de Fazer, já na década de 1990. “A partir daí, meu trabalho passou a ter uma linguagem própria, caracterizada pelo contraste do plano com o colorido, e, principalmente, pela força da pincelada, nada delicada”, conta Beatriz, que tem influências artísticas do pintor holandês Van Gogh. “Me apaixonei pelas cores e pelo atrevimento das pinceladas dele”.

 

O colorismo apurado de Décio Noviello, o comprometimento histórico-cultural de Yara Tupinambá e o entendimento dos conflitos do ser humano de Mariza Trancoso também são fortes referências para o trabalho da pintora, que convive diariamente com diferentes propostas artísticas na Agnus Dei Galeria de Arte, da qual é fundadora e diretora. “O artista mineiro é reconhecido por seu trabalho, que não segue modismo, é seletivo e prima pelo aprimoramento e pela pesquisa; mas poderia ser ainda mais se o público valorizasse mais a prata da casa”, diz.

 

Óleo sobre tela: fase da simplicidade está de volta
 

 

Questionadora inquieta, há dois anos a pintora novamente buscou na arte a sua forma de expressar outro apelo: a retomada da simplicidade. “Estamos vivendo num mundo em que a poluição visual nos sufoca com outdoors, propagandas por toda parte e muita sujeira nas cidades, com papéis de campanhas políticas”, conta a artista que, na sua busca por esta simplicidade que até então não havia aflorado, viajou pelo interior mineiro, onde percebeu que parte da vegetação nativa do estado estava sendo destruída. “Naquele momento me dei conta de que aquelas flores, simples como uma sempre-viva ou uma flor de algodão, típicas da infância, corriam o risco de se perder”. Desta observação, Beatriz criou O branco é a cor, mostra que resgata a pureza e a inocência representadas em flores do cerrado.

 

Com duas exposições coletivas previstas para setembro e outubro deste ano na capital mineira, Beatriz Abi-Acl continua se dedicando à sua fase branca. Para 2012, a artista prepara uma nova individual, mas ainda não tem ideia do que expressará nas telas: “A partir de outubro, vou me recolher, pesquisar e estudar para apresentar a próxima novidade ao público”.

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