Gato por lebre

por José João Ribeiro 22/09/2011 10:59

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Mês a mês, recordes de público em milhares de salas espalhadas no país vêm sendo quebrados. Conseguimos ultrapassar o México e com isso, em ingressos vendidos+arrecadação, ficamos atrás somente dos EUA e do Canadá em todo o continente americano. Tamanho crescimento exige que os espectadores – de um modo geral e guardadas as devidas proporções – se eduquem e passem a criar o saudável hábito de pesquisar ou de se informar acerca de um filme que desperte o seu interesse. Seguramente, não é toda produção, com grandes astros no elenco, que pode ser prestigiada às cegas, quando geralmente espremida em uma pequena sala de um multiplex gigantesco qualquer.

 

A vítima mais recente dos desavisados foi a incontestável obra-prima A Árvore da Vida, de Terrence Malick. Chegar num complexo de salas de um shopping e se deparar com um atrativo cartaz com o nome “Brad Pitt” no topo e em destaque não necessariamente significa que a digestão usual e rotineira do “feijão com arroz” acontecerá novamente. Muito pelo contrário. A Árvore da Vida exige árdua boa vontade de qualquer espectador. O filme, extremamente denso, é assumidamente uma peça visual, feito com o inequívoco propósito de deslumbrar. Além disso, impõe um rebuscado, mas lógico, estudo, comprometido com a arte em primeiríssima grandeza. A todo tempo suplica por atenção e paciência. É penoso delimitar quantas frentes psicológicas e científicas Malick aborda em seu quinto longa metragem. A quem assiste, o pensamento e a introspecção são as necessárias armas para o ideal aproveitamento do espetáculo.

 

A evolução do homem desde a primeira infância até o surgimento de radicais sentimentos também é uma das propostas no roteiro dessa última Palma de Ouro do Festival de Cannes. O resultado prático desse longa cerebral tão difícil e rico não poderia ser mais controverso e explosivo. A grande maioria que assiste fica descontente e, de imediato, emite desagradáveis e impertinentes resmungos. Sem levar em conta que, na poltrona ao lado, pode e deve haver alguém que esteja gostando (e muito) do filme.

 

Outro exemplo curioso de comprar gato por lebre que grudou no imaginário recente dos frequentadores cinéfilos foi Vanilla Sky, no ano de 2001, com Tom Cruise. O lindíssimo cartaz, com um close caprichado do protagonista em um céu luminoso de fundo, foi o culpado direto pelo avassalador e incauto público da primeira semana. Já na segunda, queda vertiginosa em pagantes, o que era de se esperar. A história do espanhol Alejandro Amenábar certamente não era feita para distrair, nem se encaixava no perfil de comédia romântica que a grande maioria buscava. Ideal seria procurar uma mínima informação de que se tratava de refilmagem de uma produção espanhola pesadíssima e com sério conteúdo psicológico. A rápida e temerária associação do que seria “um novo Jerry Maguirre”, também com Tom Cruise, não vingou nem de longe.

 

Mas, como diz a letra da canção, o contrário também bem que pode acontecer. O preconceito e a preguiça de se informar em detalhes, afastam as plateias mais convencionais, de filmes que agradam em cheio aos mais variados gostos. O caso clássico desse tipo de agradável surpresa foi o da produção francesa O Fabuloso Destino de Amélie Poulan, também no ano de 2001. O boca-a-boca foi o grande causador do fenômeno que se tornou o longa metragem do brilhante diretor Jean-Pierre Jeunet. Em um primeiro instante, a obscura e frágil conclusão de que se tratava de mais um filme-francês-existencialista-arrastado-e-cabeça gerou uma tímida abertura das bilheterias nos primeiros dias. Quando se alastrou a fórmula deliciosa e açucarada que compõe Amélie, o filme criou uma grande correria na distribuição de novas cópias para satisfazer a entusiasmada demanda.

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