Balada de grife

por Guilherme Torres 22/09/2011 11:07

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Carlos Hauck, Flávio Borges, Francisco Dumont
As festas do Café del Mar foram importadas de Ibiza, recanto de agitos no Mediterrâneo (foto: Carlos Hauck, Flávio Borges, Francisco Dumont)

Do Mercado Central, no centro de Belo Horizonte, aos condomínios afastados de Nova Lima, não importa, as festas que levam o nome Camarim estão sempre lotadas. O ritmo que vai embalar a noite também não é o mais importante: pode ser sertanejo, house music, anos 1980 ou samba. O que leva as pessoas a uma festa da marca não são mais esses “detalhes” e sim um nome que se consagrou no mercado, seja local ou com fama internacional. Criada há pouco mais de dois anos e com 33 edições de sucesso inegável, a produção do projeto Camarim até já se atreveu a fazer uma festa surpresa, sem divulgar o local e as atrações. Ainda assim, a noite feita para mil convidados teve os mil ingressos vendidos. E neste tempo, a marca já trouxe para a capital nomes como Lulu Santos, Jota Quest, Kid Abelha, Leo Jaime, Blitz, Bochecha, DJ Negralha, DJ Marlboro, entre outros.

 

A criação dessa balada itinerante é da Prime Produtora, formada pelos empresários Guilherme Menin, Lucas Vereza, Paulo Menin e Rodrigo Gutierrez. As edições já chegaram a contar com até 3.500 pessoas, além de ser uma das que mais recebem o “Eu Vou” na rede social Facebook. "Acredito que o público de baladas procura novidade. Está cansado das mesmas festas, mesmos lugares, e acho que quem carrega essa imagem positiva, de inovação, com certeza emplaca. E é isso que fazemos", conta Guilherme Menin, apostando na marca que criaram. “A Camarim começou sem pretensão nenhuma e se tornou uma label forte e é frequentada por gente de todo canto. Reflexo disso, é que no ano que vem estaremos nas principais capitais. Penso que esse projeto é para sempre, não nessa frequência, mas que sempre terá”. E já que a festa não para, dia 24 deste mês a produtora preparada uma noite pra lá de especial para o lançamento do Audi A1, festa que aconteceu em São Paulo e agora chega a BH.

 

A festa Push!, com pouco mais de um ano, também tem fama propagada e agrada pela mistura divertida e despretensiosa, seja com festas nos salões de um dos hotéis mais tradicionais da cidade ou na suíte presidencial de um motel. A produção é dos amigos Giancarlo Ranieri, Leandro Matos, Pedro Melo, Vitor Sobrinho e Rodrigo Xeréu. “Tudo começou como uma ‘contrarreforma’ musical e cultural, porém, nada de intuito político ou revolucionário: queríamos apenas uma festa onde a diversão saudável fosse o mote principal (como nosso slogan 'It's All About Fun’), onde não houvesse segregação de estilos. Para isso, formatamos um projeto com as últimas tendências culturais de comportamento, música, design, arte e esporte. Abrimos espaço para os talentos que não faziam parte de ‘panelas’ específicas e apresentamos aquilo que a grande maioria tinha medo de arriscar: uma festa fora dos padrões, sem dogmas, sem dress code, sem lista VIP”, relembram.

 

A Moulin rouge quebrou tabus e apostou na sensualidade em suas festas em BH
 

 

Até agora já foram nove edições, em uma mistura de house, hip-hop, dutch, electro, funk, rock, techno e o que mais fizesse parte da proposta de salada cultural. Em pouco tempo, a festa já teve participação de nomes conhecidos na cena musical, como o N.A.S.A. (ex-Planet Hemp), que se tornou o residente honorário, Gabriel Ben (filho de Jorge Ben Jor), Mr. Catra, entre outros. As temáticas foram desenvolvidas de acordo com o espaço e com o estilo predominante da edição. Com isso, já rolaram noites como a Push! No Motel (Motel Master), Push! Hotel Spirit (no histórico Hotel Financial), Push! In da Hills (em uma casa de campo), Push In Da House (em uma mansão no bairro São Bento), e outras.

 

As festas são restritas, “não gostamos de expandir para mais de 800 pessoas”, e den-
tro dessa ideia, cavam um público consciente e formador de opinião. Ainda para este ano, dois eventos estão na agenda. Em outubro, rola a primeira edição focada em rock, a PUSH!#10 Party Rockers, que acontecerá com a presença da banda Raimundos e outra em dezembro, dedicada à nata do hip-hop mundial, e com a promessa de uma atração a altura. “O esforço é grande e existe para moldar a marca como queremos, com os valores que passamos e incorporamos. Assim, talvez, vamos carimbar a nossa ‘grife independente’ e provar a que viemos”, reforça o grupo.

 

Importada da cidade maravilhosa para Minas vem a tradicional M.I.S.S.A (Movimento dos Interessados em Sacudir Sua Alma), diversão garantida e reduto de famosos. A festa, que traz anões fantasiados de diabos, dançarinos que usam roupas de padres, anjinhos e modelos no papel de freiras, passou por BH na primeira vez em 2010 e contou com a presença do ator Bruno Gagliasso atacando de Dj. No mês passado, teve a segunda edição, no Far East Emporium, para cerca de 1.300 pessoas, ao som do DJ oficial da festa, o Tartaruga.

 

Samara Ximenes e Fernanda martini, na última edição da M.I.S.S.A.: "É outra atmosfera, com gente nova, bonita e interessante
 

 

As amigas Samara Ximenes e Fernanda Martini são do tipo que não perdem uma label party, estão sempre atrás de uma. Estiveram nas recentes edições da Café Del Mar e M.I.S.S.A, e com o ingresso da Buddah Bar ( que rola dia 17) já em mãos. “Adoramos esse tipo de festa, saímos da mesmice das baladas de boates e vimos gente nova, bonita e interessante” contam. Samara, que morava em Florianópolis e mudou-se recentemente para a capital mineira, veio com essa cultura baladeira do sul. “As festas que vejo hoje em BH me lembram muito as que acontecem lá e são sucesso absoluto, vou a todas, é outra atmosfera, sempre muito bem organizadas e com música boa”.

 

Já do exterior, desembarca aqui versões da famosa boate Pacha (Ibiza), Café Del Mar, Ministry of Sound, Hedkandi, Hôtel Costes (o mais badalado de Paris, habitualmente frequentado por celebridades do mundo do esporte, moda e pelas estrelas do cinema), entre outras. Viram noites temáticas e sustentam o marketing da exclusividade de um público seleto , além de ser uma chance para aqueles que não podem sempre sair da cidade ou país para experimentar um pouco do que acontece no mundo das melhores label parties. Em festas regadas a muito glamour, gente fina e bonita, serviço all inclusive e atrações internacionais, os ingressos são disputadíssimos, mesmo com preços que podem chegar a R$ 300.

 

Leo Stallone é um empresário que entrou para a indústria das label parties e nunca mais parou. Já participou da produção de 15 edições, entre elas, muitas das mais concorridas festas que a cidade já recebeu, como Café del Mar, Hed Kandi, Space Ibiza, So Happy in Paris, Studio 54 NY, entre outras. “Esse tipo de festa passa muita credibilidade, mas não é o suficiente para o sucesso. É necessário todo o conjunto. Precisa ter relacionamento e know-how com o manager da Label, só assim ele irá avaliar seu currículo e decidir se pode te vender os direitos para utilizar a marca.”, explica o empresário, que, ainda, anda a todo vapor, em parceria com os também festeiros Didio Mendes, Tatiana Gontijo e Mariângela Lima, para a Buddha Bar 2011 - tour BH. A festa, que acontece no próximo dia 17, no Far East Emporium, vai contar com estrutura diferenciada e será embalada pelo dj Ravin, residente do Buddha Bar Paris.

 

Festeira das mais conhecidas da cidade, Tatiana Gontijo diz que o sucesso dessas, que resultam em novidades bacanas e originais no mercado da diversão, é reflexo de um público que busca algo diferente. Ela recentemente realizou a segunda edição da Moulin Rouge, noite sensual que requer uma atenção à parte, mas nada que espante a fidelização do público, pelo contrário. “Esta festa é bem polemizada em BH, pois o público é conservador e com a minha ideia de exigir que as pessoas fossem a caráter, vestidos de  cabaret chic, deu o que falar. Mas quebramos um tabu enorme e foi sucesso, diversão garantida”, relembra.

 

Em pouco mais de dois anos, as festas da Camarim já acumulam 33 edições , todas lotadas
 

 

Atualmente produzindo 10 festas por ano, Didio Mendes, à frente produtora Label 12, trabalha com as marcas consagradas, mas também faz bonito com as próprias criações – as festas Phenomenal White, Orloff Set e Moulin Rouge. “É preciso ter inovação e lançar tendências. O público reconhece o que é o bom e é ele quem dirá se tal evento deve entrar no "calendário" da cidade ou não”, ressalta o empresário, que falou à Encontro, da Europa, onde está fazendo um tour, visitando os principais festivais do verão europeu, sempre atrás de novidades.

 

Didio, juntamente com Leo Stallone e outros sócios, também vai alçar novos voos com um projeto ousado que promete levar mil pessoas para a Bahia. É o Trancoso Weekend, que acontece em novembro, no Bahia Bonita Beach Club, um complexo de bares, restaurantes e camarotes à beira-mar, frequentado por artistas e jet-setters. Serão quatro noites e três festas all inclusive (uma sunset, uma balada eletrônica e uma edição da Camarim). A produção contará com mais de 20 pousadas reservadas e até avião fretado com saída de BH, além de Djs internacionalmente conhecidos, como Erick Morillo, no comando das pick-ups.

 

Trabalho árduo, sem dúvida, também é marca registrada desses eventos. Trazer uma label internacional requer muito mais do que conhecimento de produção, logística e vontade. Que o diga o empresário Bruno Carneiro, que por anos encabeçou edições da mais aclamada label party que já passou por Belo Horizonte, a Pacha, durante seu tour internacional anual, porém, hoje suspensas por diversos trâmites que dificultam a produção e adaptação para a realidade do público local. “Acho que existem as que são sucesso porque têm uma relação honesta com o cliente; entregam um conceito global, mas de forma regional. Outras, a meu ver, perderam esse timing de reação, não acompanharam as mudanças e envelheceram com conceito e formatos engessados”, diz Bruno, acrescentando que a produção de uma festa desse porte pode variar entre R$20 mil e mais de R$ 100 mil. Agora, ele se dedica ao Circuito Peugeot de Música Eletrônica, que acontece em BH há cinco anos com nove edições realizadas e com a décima prevista para este ano, porém, ainda sem data marcada. “Quem vai a essas label parties ou boates quer ver gente e ser visto. Se você não conseguir levar gente bacana para elas, a resposta sempre será negativa”.

 

 

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