Bons pra BH?

por Rafael Campos - Revista do Correio 06/10/2011 12:12

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Geraldo Goulart, Rodrigo Valle, Eugênio Gurgel
Pilares construídos na década de 1970 para ajudar a escoar o minério (foto: Geraldo Goulart, Rodrigo Valle, Eugênio Gurgel)

Os problemas referentes ao inchaço do vetor sul, que abrange Belo Horizonte e alguns municípios da região metropolitana como Nova Lima e Brumadinho, crescem proporcionalmente às propostas de melhorias do trânsito da região. A situação está tão feia que alguns projetos guardados há anos estão sendo retirados da gaveta. Os últimos se referem a túneis que possibilitariam mais opções de saída para Nova Lima, na Grande BH.

 

As propostas são de autoria de experientes arquitetos e urbanistas de Belo Horizonte e têm em comum o uso de transporte ferroviário. Os professores Radamés Teixeira e Henrique Campos formularam os desenhos ainda na década de 1980, enquanto professores da escola de arquitetura da UFMG. Trata-se de um grande projeto que abrange muito mais que a região sul. Um dos pontos altos das propostas se refere à antiga ferrovia do aço, que começa na divisa entre BH e Sabará. Ela começou a ser erguida na década de 1970 para escoar a produção de minério no sentido Rio de Janeiro; contudo, devido aos altos valores, o projeto foi abandonado.

 

Resultado? Imensos pilares fincados, que sustentariam o viaduto, fazem parte da paisagem de quem vai para Sabará, especificamente, quem trafega pela avenida Borba Gato, no bairro Caetano Furquim. Perto dali, três túneis também estão abandonados em meio ao matagal, servindo de trilha para os adeptos do motocross, ciclismo e do jipe. O maior, com cerca de três quilômetros, é o que apresenta obra mais avançada, já que valas chegaram a ser abertas para a colocação dos trilhos.

 

 

 

“Os túneis já estão prontos, o que reduzirá os custos da linha férrea”, avisa o professor Henrique Campos. Segundo o desenho, a nova linha ligaria o metrô na região leste da capital à área do condomínio Alphaville, já em Nova Lima. Essa ligação poderá ser feita por trem ou VLT (Veículo Leve sobre trilho). O deputado estadual Paulo Lamac (PT) acredita na eficiência do projeto, que foi levantado durante audiência pública realizada na Assembleia Legislativa. “Não podemos perder a oportunidade de melhorar o trânsito de nossa cidade”, afirma o parlamentar. Em 11 de outubro será realizada uma visita na aérea dos túneis para divulgar e fortalecer a ideia da proposta.

 

Outra ideia se refere à construção de um túnel sob a Serra do Curral, no Mangabeiras, região centro-sul. No fim da avenida Afonso Pena e início da avenida Agulhas Negras seria instalada uma estrutura para o uso de aeromóvel, ideia brasileira usada com sucesso na Indonésia e em em Porto Alegre (RS). O transporte, espécie de trem suspenso, traria benefícios. Ele não polui, já que é movido por ar comprimido. Outro ponto positivo é a economia, já que de acordo com especialistas, o custo do aeromóvel chegaria apenas a um terço do valor necessário para obras de metrô.

 

O professor Radamés Teixeira é um dos autores da proposta feita quando ainda dava aulas na UFMG, na década de 1980: “Se alguma coisa não for feita de maneira objetiva, quem mora no Belvedere, por exemplo, sairá do bairro apenas por e-mail”
 

 

Dorinha Alvarenga, além de ser arquiteta e urbanista, é também diretora de cidades do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB). Ela é uma das principais entusiastas de ambos os projetos. “Estes especialistas estão pensando a região metropolitana desde a década de 50. A ideia de incorporar vias ferroviárias às rodoviárias é uma forma diferente e real de pensar a mobilidade metropolitana”, diz.

 

Contudo, ambos os projetos ainda são enxergados com desconfiança por alguns setores da sociedade. O mais polêmico, sem dúvida, é o que prevê um túnel na Serra do Curral, cartão postal da cidade. Marcelo Marinho Franco, presidente da Associação dos Moradores do bairro Mangabeiras e da União das Associações de Bairros da Zona Sul, afirma que os projetos precisam ser reestruturados. “O aeromóvel, por exemplo, teria que ter vários vagões. Soluções pontuais não resolvem”, afirma.

 

Para Cláudia Pires, presidente do IAB, as propostas são interessantes; porém, isoladas, não resolveriam os problemas do vetor sul. “O planejamento deve ser intermunicipal. Os municípios vizinhos devem se unir para a solução deste entrave”, diz.

 

Arquitetos Dorinha Alvarenga e Henrique Campos: “Projeto seria importante, do ponto de vista
da mobilidade metropolitana”, diz Dorinha
 

 

Adrian Machado Batista, diretor da Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, afirmou que tem conhecimento dos projetos, porém, eles ainda não estão contemplados nos estudos referentes ao Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado da Região Metropolitana de Belo Horizonte (Pddi), finalizado em setembro. O documento com as diretrizes de desenvolvimento da Grande BH foi realizado pelo governo estadual com parceiros importantes como UFMG, PUC Minas e representantes da sociedade civil.

 

Segundo Adrian, está em andamento um estudo sobre 330 quilômetros de ferrovia para transporte de passageiros. São cinco ramais ferroviários, que atingem diretamente 21 municípios da Grande BH, dentre eles BH, Contagem, Betim, Nova Lima, Rio Acima, Sabará, Lagoa Santa e Santa Luzia. Mas é um projeto para, no mínimo, 18 anos. As propostas estão sendo colocadas na mesa, falta agora colocá-las em prática. “Se alguma coisa não for feita de maneira objetiva, quem mora no Belvedere, por exemplo, sairá do bairro apenas por e-mail”, brinca Radamés Teixeira, professor emérito da Escola de Arquitetura da UFMG.

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