A Band acorda

por João Paulo Martins 10/10/2011 11:05

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Cláudio Cunha, Geraldo Goulart, Júnia Garrido
Três das apostas da Band Minas, Letícia Renna (esq.), Marcos Maracanã e Izabela Drumond (foto: Cláudio Cunha, Geraldo Goulart, Júnia Garrido)

Conseguir sobressair num mercado tão competitivo quanto o das emissoras de televisão é um verdadeiro desafio. Apesar de no Brasil os televisores estarem presentes em 95,7% dos domicílios – ultrapassando até o número de geladeiras, que é de 93,9% –, apenas três emissoras, Globo, Record e SBT, detêm cerca de 88% da audiência. Só que um Davi resolveu atacar esses Golias, com reformulação de pessoal e investimento pesado em tecnologia: a Band Minas.

 

“Não cheguei para ser continuista. Vim para brigar com as grandes”, diz o novo diretor-geral da Band Minas, José Saad Duailibi, que estava no comando da filial do Triângulo Mineiro e passa a incorporar as duas funções. Ele assumiu o cargo em junho deste ano, momento em que o então diretor-geral João Salles Martins deixou a empresa e anunciou sua aposentadoria, após mais de 20 anos no comando.

 

José Saad, 31 anos, o novo diretor-geral: contratação do designer que assina o Cristo Redentor para revigorar a sede da Band Minas
 

 

O advogado José Saad, de apenas 31 anos, é neto do fundador da Rede Bandeirantes, João Jorge Saad, e trabalha no grupo de comunicação desde seus 14 anos. Sua ligação com Minas Gerais se iniciou em 2008, após a aquisição da TV Regional de Uberaba pelo Grupo Bandeirantes, e foi incumbido de dirigir a Band Triângulo Mineiro. “Quando chegamos, a TV regional estava mergulhada em dívidas e transmitia apenas para dois municípios. Montei uma equipe forte e passamos a brigar de frente com as demais emissoras. Hoje, transmitimos para 100 cidades da região”, completa.

 

A substituição de João Salles no maior cargo da emissora no estado é apenas a ponta do iceberg das mudanças que a empresa realizou. O Grupo Bandeirantes, que possui 50 empresas filiadas, não economizou investimentos e foi agressivo, conseguindo captar dois nomes de peso da Sempre Editora, que publica os jornais O Tempo e Super: Teodomiro Braga, que exercia o cargo de diretor executivo das publicações e agora é o novo diretor de jornalismo da emissora, e Leandro Figueiredo, que deixa a função de diretor comercial da Sempre e passa a gerente dessa área na Band.

 

O novo diretor de jornalismo da rede em Minas, Teodomiro Braga, aposta suas fichas na qualidade
dos novos produtos: “Cheguei para exigir qualidade e profissionalismo”
 

 

Só que o investimento em pessoal não parou por aí. A Globo Minas perdeu sua âncora da área de esportes, Letícia Renna, que será a nova apresentadora do programa Jogo Aberto, que vai substituir o Minas Esporte, que estava no ar há 30 anos. Vai, assim, deixar a Band Minas em sintonia com a programação nacional da emissora.

 

A CBN e a Record também sofreram baixas: a rádio perdeu seu diretor regional, Eduardo Mineiro, que passou a comandar a área comercial da TV Bandeirantes, e a filial da Record no Triângulo Mineiro não conseguiu segurar o apresentador do Balanço Geral, Marcos Maracanã, que está à frente do Brasil Urgente. Outros importantes profissionais também passam a fazer parte do quadro da emissora, como a Miss Minas Gerais Izabela Drumond, nova garota do tempo do Jornal da Band, e a blogueira e colunista de Encontro, Cris Guerra, que se incorpora ao quadro da BandNews FM.

 

Maior jornal do mundo em circulação e

presente em 22 países, o Metro foi lançado

em BH no fim de setembro: 40 mil

exemplares nos principais cruzamentos

da cidade

 

 

Para sair do quarto lugar no ranking de audiência e market share, a Band Minas está apostando tudo no novo setor de jornalismo. Pretende crescer nada menos que 90% até 2014. “As pessoas têm cobrado muito a presença de Minas na programação nacional da Band. Por isso chegamos com a exigência de qualidade e profissionalismo”, diz o diretor de jornalismo Teodomiro Braga. "Vamos dar um salto e incomodar os concorrentes."

 

A menina de seus olhos é o Brasil Urgente, com Marcos Maracanã, profissional que dava 14 pontos de audiência à TV Paranaíba, filiada da Record no Triângulo Mineiro. “Você não me conhece, mas vai conhecer. Eu sou boca aberta. Nós vamos dar soluções ao invés de ficar apenas mostrando problemas”, diz o apresentador, que é pai de dois filhos. Ele explica que não gosta de ficar preso em cenário e que passeia pela redação da emissora. Vai ter também um quadro no programa em que pedalará pela cidade. “Já fui até palhaço de circo. Por isso sei rir e chorar na hora certa, e interpretar, se for preciso”, completa.

 

O primeiro Brasil Urgente, com apresentação de Marcos Maracanã e participação do governador Antonio Anastasia: vice-liderança já na estreia
 

 

Logo no programa de estreia de Maracanã, o otimismo foi justificado. O Brasil Urgente contou com a presença do governador Antonio Anastasia e conseguiu chegar à vice-liderança de audiência.
Outra importante aposta do Grupo Bandeirantes é a chegada do jornal Metro a Belo Horizonte. A publicação, que é resultado de uma parceria com a empresa sueca Metro International, alcança 17 milhões de leitores e é editado em 22 países. No Brasil, está presente em outras seis cidades, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Santos. Logo de início ele já mostra fôlego, com circulação de 40 mil exemplares.

 

Só que sua distribuição é diferenciada: é gratuita e tem como foco os corredores de tráfego da região centro-sul da capital, ou seja, onde se concentra a população das classes A e B. “O Metro tem um trunfo, que é seu sistema de edição integrado. Com isso, algumas editorias, como saúde e tecnologia, têm à disposição conteúdo gerado no Brasil e no mundo”, afirma Ivana Moreira, que passou a chefiar as redações da BandNews FM e da nova publicação.

 

Ela explica que a finalização do jornal é feita em São Paulo, onde se encontram os sete editores de arte, e tudo é acompanhado ao vivo, através de um sistema próprio. “É uma publicação ágil, que parece com a linguagem da internet e possui design dos mais modernos do mundo", comenta Teodomiro Braga. Os textos são mais enxutos e as imagens são mais valorizadas.

 

 

 

Nesse ponto até parece o Super Notícia, que é líder absoluto, com mais de 250 mil exemplares vendidos diariamente, mas o grande diferencial é mesmo o público alvo. Diferentemente do tabloide da Sempre Editora, o Metro é destinado a empresários, executivos, pessoas de negócios, enfim, pessoas que precisam de uma leitura rápida e bem escrita. “Até a tinta é especial, não mancha a roupa e a mão”, destaca a chefe de redação Ivana Moreira. Questionada sobre a aceitação do público, ela mostra o exemplo de Curitiba, que recebeu a publicação em junho deste ano: “O resultado é muito rápido. Na capital paranaense, as pessoas descobriram onde ele era distribuído e foram atrás”.

 

Além da mudança de pessoal e da aquisição de equipamentos, a Band Minas quer melhorar sua visibilidade em Belo Horizonte. Neste caso, o investimento é focado tanto em seu posicionamento de mercado, com contratação das agências Populus e Tom, quanto em seu aspecto urbanístico, com reforma do prédio. Segundo o diretor-geral José Saad, o edifício que comporta a sede da empresa é um marco para a cidade, já que foi projetado pelo badalado arquiteto Gustavo Penna, mas não vinha sendo reconhecido como tal. A solução encontrada foi a valorização da arquitetura com melhorias estruturais e um novo projeto de iluminação. “Contratamos o mundialmente famoso designer Peter Gasper, que assina os projetos do Cristo Redentor e da torre da Bandeirantes, na avenida Paulista”, diz Saad.

 

Vai dar certo? Só o tempo dirá. Mas a Band vem com tudo, pode apostar.

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