Seu corpo pode mudar!

por Blima Bracher 11/10/2011 05:39

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João Carlos Martins, Eugênio Gurgel, Geraldo Goulart, Júnia Garrido, Emmanuel Pinheiro
Muito além da musculação: academias oferecem novas modalidades de exercícios (foto: João Carlos Martins, Eugênio Gurgel, Geraldo Goulart, Júnia Garrido, Emmanuel Pinheiro)

“Já estou gorda mesmo, então se comer mais um pouquinho não vai fazer diferença. Também morro de vergonha de encarar roupa justa e academia.” Era assim que Renata Betônico, comerciante, adiava os planos de perder peso. Uma autossabotagem, que costuma acontecer com muita gente. No caso dela, a desculpa era ainda “mais convincente”, já que tinha a famosa chegada dos 40 anos, idade que, principalmente para as mulheres, vem acompanhada da diminuição de hormônios e do metabolismo.

 

Foi assim, se iludindo entre dias de dieta líquida, tardes comendo fatias de abacaxi e tentativas desesperadas de fórmulas milagrosas e remédios manipulados, que Renata viu seu peso chegar aos 75 quilos, não muito bem distribuídos nos seus 1,68m de altura. “Meu desespero começou depois que tive meus dois filhos. Tomei remédios que me tiravam o apetite. Além de não conseguir emagrecer, tive problemas com a tireóide”, lembra.

 

Novidade nas academias, o Xtend Barre já ganhou adeptos, como a jornalista Daniela Portugal, com a fisioterapeuta Andreia Duarte: aulas divertidas em ritmo acelerado
 

 

O pesadelo do ponteiro da balança subindo e a bola de neve dos maus hábitos só tiveram fim depois que Renata procurou tratamento com equipe multidisciplinar de médicos, nutricionista e psicólogo. “O primeiro passo foi regular meus hormônios. A gente não pode achar que engordar é um processo natural. Não é. A boa notícia é que tudo pode ser revertido e a idade não é desculpa”, afirma. A rotina mudou, com dieta reavaliada a cada 15 dias, suplementos e vitaminas e ingestão calórica reduzida. “Passei fome, sim, deixei de passear, teve o choque inicial”, lembra. Mas na medida em que as roupas ficavam largas, a bola de neve mudou de rumo, desta vez a seu favor. Hoje, com 57 quilos, Renata voltou a sorrir. “Assim, como tudo fica ruim quando engordamos, tudo melhora quando conseguimos emagrecer; é um processo mágico”, afirma ela.

 

O responsável pela reeducação alimentar e reequilíbrio orgânico da comerciante foi o médico Eduardo Pinho Tavares, diretor da Clinlife. Apesar de fórmulas surgirem por aí prometendo resultados rápidos, para o especialista a proposta é uma reeducação alimentar, ajudada pelo uso de fitoterápicos e substâncias bioidênticas, reconhecidas pelo organismo como naturais. “Temos que estudar cada paciente e verificar o que realmente está causando o excesso de peso”, diz o médico. “A partir dos 25 anos, as glândulas vão diminuindo as funções. É preciso colocar a tireóide no nível máximo do seu metabolismo e mexer na queima da gordura”, explica Eduardo Pinho.

 

“Outro ponto a ser atacado é o estresse, que faz elevar o cortisol, hormônio que causa desânimo e fadiga, daí a importância do acompanhamento psicológico e multidisciplinar”, diz. Outro problema apontado pelo médico é a diminuição do hormônio do crescimento, o GH, que favorece o aumento da gordura abdominal, perda muscular e massa magra. Mora aí outro grande perigo, pois como o músculo facilita a queima de gordura, quanto menos musculatura, menor é a queima calórica.

 

A comerciante Renata Betônico, que emagreceu quase 20 quilos: combinação de reeducação alimentar e reequilíbrio orgânico sob orientação médica
 

 

E o pior é que vivemos num mundo que favorece a vida sedentária e consequente redução de massa magra e acúmulo de gordura. Por outro lado, a oferta de alimentos industrializados é cada vez maior, com a tentação dos fast foods, comida altamente calórica, à base de farinha de trigo e açúcares. Uma pesquisa divulgada pelo Ministério da Saúde no ano passado mostrou que 46% da população adulta no Brasil têm excesso de peso, e 13,9% são obesos. Este índice aumentou, principalmente nos últimos quatro anos, o que mostra os reflexos dessa vida sedentária.

 

Já os padrões de beleza divulgados pela mídia são cada vez mais esbeltos e irreais, o que leva a uma busca desenfreada por dietas, remédios e até receitas milagrosas. O problema é que não queremos emagrecer, e sim, “ser emagrecidos”. Mas cuidado, “não existe fórmula mágica para perder peso. Prova disso é que, a cada ano, assistimos a um modismo novo: caralluma, hoodia, gordonii, lipostabil (todos hoje proibidos pela Anvisa)”, explica Ana Paula Xavier Zanini, membro titular da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

 

 

 

Isso sem contar as dietas exóticas, como a de restrição de glúten para casos sem indicação, retirada do carboidrato após as 18 horas, sopas desintoxicantes e muitas outras. “O problema é que emagrecer é aparentemente simples: seguir uma dieta individualizada associada à prática regular de atividades físicas. Resumindo: mudança de estilo de vida. Mas todos nós sabemos que isso é extremamente difícil. Daí é fácil de entender, porque tantas pessoas são vítimas de tudo aquilo que promete emagrecimento sem essa exigência”, explica a médica.

 

A corretora de seguros Maíla Carvalho, com o instrutor de zumba Anderson Rocha: “Saio da aula suada, mas sem perceber; e, além de tudo, funciona como terapia”
 

 

O mais recente anúncio nesse sentido foi da liraglutida, antidiabético, recém chegado ao país e vendido pelo nome comercial de Victoza. “A liraglutida é um análogo do GLP-1, isto é, tem ação semelhante ao hormônio. O GLP-1 é produzido pela porção final do intestino delgado que apresenta baixos níveis no período do jejum. Após uma refeição, a chegada dos alimentos nessa parte do intestino estimula sua secreção. Depois disso, o GLP-1 promove o aumento da saciedade e, consequentemente, reduz a ingestão de alimentos por dois mecanismos: age sobre o centro da saciedade no cérebro e causa um retardo no esvaziamento do estômago. Na presença de hiperglicemia, o GLP-1 aumenta a secreção de insulina, contribuindo para o controle da glicemia”, diz Ana Paula Zanini. Os diabéticos tipo 2 apresentam níveis reduzidos do GLP-1 após uma refeição e, portanto, apresentam benefícios com a utilização desse tipo de medicamento para controle glicêmico e do peso.

 

 

 

Os efeitos colaterais mais observados foram náuseas, diarreia e dor de cabeça geralmente transitórias e que, na maioria dos casos, cessaram com o decorrer do tempo. “Mas é fundamental destacar que se trata de uma medicação nova, injetável, de alto custo e que, portanto, necessita de seleção criteriosa dos pacientes, os quais devem ter acompanhamento clínico e laboratorial. Sua principal indicação é para pacientes diabéticos tipo 2 com excesso de peso, para a qual já possui aprovação dos órgãos reguladores. Novos estudos já estão em andamento para comprovar sua segurança no tratamento da obesidade sem diabetes”, explica Ana Paula.

 

Eduardo Pinho também é da opinião de que se deve esperar novos resultados de estudos e a posição da Anvisa em relação ao medicamento. “Estamos pesquisando o produto e avaliando sua eficácia, mas acho que os resultados que apresentou podem ser perfeitamente alcançados por outros métodos, como reeducação alimentar e o reequilíbrio funcional do organismo”, diz.

 

A fisioterapeuta Fernanda Zanini, com uma

novidade do congresso americano de

dermatologia: “Ele trata flacidez de pele,

celulite e gordura localizada”
 

 

 

O fato é que perder peso pode ser mais complexo do que se imagina. É preciso criar uma condição em que o organismo apresente um balanço energético negativo de calorias, de forma a consumir este excesso estocado na forma de gordura ao longo do tempo. “Portanto, a primeira preocupação médica é tratar situações patológicas que possam estar comprometendo o sistema endocrinometabólico do indivíduo, como: hipotiroidismo descompensado, anemias, distúrbios do sono, como apneia e insônia, baixa ingestão de proteínas, uso de corticosteróides etc.

 

Como o sucesso do tratamento exige uma forte motivação para realizar uma mudança de estilo de vida, é de suma importância oferecer terapêutica adequada para eventuais distúrbios psiquiátricos (ansiedade, depressão, compulsão, alcoolismo, etc.), comumente associados a essas situações”, defende Ana Paula Zanini. É interessante lembrar que o gasto energético do nosso organismo diminui ao longo dos anos devido ao envelhecimento e à perda de massa muscular. “A prática de atividades físicas que visem ao ganho de massa muscular é de fundamental importância para o sucesso da manutenção de um peso saudável principalmente a partir de 30 anos”, explica Ana Paula.

 

 

 

A jornalista Daniela Portugal ainda não chegou aos 30, mas já se preocupa com o aumento do percentual de massa magra. “Nunca fui gorda, mas levava uma vida sedentária em frente ao computador e vi que a tonicidade do meu corpo começou a mudar”. Ela já havia feito pilates, mas este ano descobriu o Xtend Barre, nova modalidade de fitness que mistura exercícios de pilates e posições de balé. “As aulas duram 55 minutos em ritmo acelerado e intenso. São dinâmicas, divertidas e descontraídas. O exercício tonifica o corpo, trabalha o condicionamento físico e aeróbico, proporcionando a perda calórica”, diz a fisioterapeuta Andreia Duarte, responsável por trazer a técnica para BH. Aliás, as academias oferecem cada vez mais modalidades de fitness, que aliam vários benefícios e, acima de tudo, dão prazer, o que é fundamental para a manutenção da atividade.

 

Você já ouviu falar em zumba? É a mais nova febre do verão: “Uma aula que mistura ginástica e ritmos latinos, uma verdadeira festa. O objetivo é que as pessoas façam esforço sem sentir”, diz o professor de educação física Anderson Rocha. “Quem aprovou a novidade foi Maíla Costa Carvalho, de 28 anos: “Saio da aula suada, mas sem perceber. Além de tudo, funciona como terapia”, diz a corretora de seguros. Outras modalidades também estão fervendo nas academias, como o TRX, o Hopping (Kangoo Jumps), o Indoor Cycling e o Treinamento Funcional.

 

 

 

Além das atividades físicas, a parte de estética também ganha importantes aliados na luta contra o excesso de peso. “A indústria oferece aparelhos com tecnologia de ponta, capazes de combater gorduras localizas, celulite e flacidez, sendo realmente eficazes para melhorar o contorno corporal e reduzir as medidas, potencializando as dietas e o fitness”, diz a fisioterapeuta Fernanda Zanini, da clínica Ben Vivere.

 

E, se a tecnologia, as atividades físicas e a medicina tradicional esgotarem os recursos, ainda restam os benefícios do tratamento ortomolecular que, segundo o especialista Marcelo Mertens, “veio para acrescentar e não para substituir”. Ele explica que a obesidade aparece quando o montante de calorias que ingerimos é maior que aquele que nosso organismo gasta. Essas calorias extras serão armazenadas em forma de gordura. Mertens aponta três situações que, isoladas ou associadas, causam este desequilíbrio: “Ou estamos comendo muito; ou nosso organismo está gastando poucas calorias, porque o metabolismo está lento; ou nosso organismo está gastando poucas calorias, porque estamos sedentários”.

 

HOPPING (Kangoo Jumps)
 

 

O tratamento ortomolecular possui vários recursos para controlar ou curar estas condições, afirma Mertens: “Enquanto a medicina tradicional praticamente se limita a avaliar as tireoidopatias, a ortomolecular vai muito além na pesquisa dos fatores biológicos que geram o metabolismo lento”. São levados em conta fatores como disbioses intestinais, que são alterações da flora intestinal; as subnutrições celulares; e as deficiências hormonais, não só da tireoide, mas também falta de testosterona e do hormônio do crescimento.

 

AERODANCE
 

 

Outras alterações orgânicas que podem influenciar na obesidade são: distúrbios do sono, como roncos e apneias; inflamações químicas, como aquelas provocadas pelo excesso de insulina; e até alergias alimentares, como explica Mertens. “A boa notícia é que com tratamento adequado e os avanços do tratamento ortomolecular, já é possível controlar todos estes problemas”, diz o especialista.

 

TREINAMENTO FUNCIONAL
 

 

Como se vê, emagrecer pode ser bem mais complexo do que imaginamos, mas alguns fatores são fundamentais para o sucesso, enumera a médica Ana Paula Zanini: “Motivação e disposição para mudanças; equipe multidisciplinar e tratamento individualizado; prática de atividades físicas; e utilização de medicamentos, desde que observados os riscos e os benefícios. Afinal, obesidade é uma doença que traz problemas à saúde e, assim como em tantas outras doenças, os medicamentos podem ser utilizados”, diz.

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