O esporte ideal para eles

por Vicente Cardoso Jr. 13/10/2011 09:15

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Maíra Vieira, Geraldo Goulart, Emmanuel Pinheiro
Pedro Fajardo escolheu a natação como primeiro esporte (foto: Maíra Vieira, Geraldo Goulart, Emmanuel Pinheiro)

 

Da arquibancada, Ana Paula Goulart grita para um lado: “Mais pro meio, João!” Para o outro: “Ih, Arthur, esse foi fraco!” Dentre as mães que levam os filhos às aulas do Centro Taffarel de Futebol, no bairro Buritis, ela admite que é das mais agitadas. Não é para menos, já que é preciso empolgação para acompanhar o ritmo de João Gabriel, 8 anos, e Arthur, 7, quando o assunto é o esporte. “É futebol o tempo todo. Eles acompanham os campeonatos, comentam, batem boca com os tios e jogam sempre que podem”, conta a mãe. “Então decidimos matriculá-los nas aulas para dar uma oportunidade de aperfeiçoar a técnica, caso eles queiram jogar mais a sério no futuro”.

 

João Gabriel percebe no que já melhorou e no que precisa melhorar, e reconhece a importância das aulas para isso: “A diferença é que aqui tem quem vai olhar e mostrar. Lá fora, a gente já chega jogando”. O irmão Arthur também se mostra satisfeito com as aulas, e já até começou a aceitar o nome pelo qual é conhecido no Centro: é o Maradoninha, por causa do cabelo grande e cacheado.

 

Os gêmeos Lucas e Gabriel, com o professor,

Marco Antônio, no judô: eles se tornaram mais

disciplinados e responsáveis

 

Sofia Doti joga tênis desde que viu o avô

praticar o esporte: ela levou as amigas e

agora até o pai faz aulas na mesma academia

 

 

Ana Paula e o marido, Márcio Goulart, partiram do princípio básico que especialistas destacam para a escolha de uma prática esportiva para os filhos: respeitar o interesse da criança. O professor do Departamento de Educação Física da UFMG, Luciano Prado, ressalta que “a criança deve fazer o esporte que ela quer. Os pais podem opinar, mas a decisão não pode ser forçada”. Também é importante, segundo ele, que os pais se certifiquem de que a atividade é coordenada por um profissional formado em educação física. “Não se pode colocar em risco o desenvolvimento físico, afetivo e social da criança. O profissional de Educação Física tem a formação adequada para conduzir esse processo”, afirma Luciano.

 

De acordo com o professor da UFMG, quanto mais cedo a criança puder ser iniciada na prática esportiva, melhor será para o desenvolvimento motor e de outros aspectos. Mas ele alerta que, na infância, as atividades devem ter sempre um caráter lúdico. “A criança tem que ser estimulada, mas sempre brincando, para que a prática seja também agradável. Se virar uma obrigação, passa a afastar a criança”, diz. Renata Fajardo escolheu como primeiro esporte para o filho Pedro, de 5 anos, a natação, que ele pratica na academia Pingo d’Água, no bairro Luxemburgo. “Qualquer atividade física faz bem para a saúde, para a socialização, para a coordenação. Como ele gostou da natação, vamos continuando”, diz a mãe.

 

Alice de Almeida descobriu a habilidade para

o vôlei depois de um curso preparatório, mas

o que prevaleceu mesmo foi o exemplo:

“Acabei escolhendo o vôlei porque minha

mãe jogava, e eu brincava muito em casa

com minhas amigas”

 
 

 

Quando os pais e a criança ficam em dúvida quanto à escolha do esporte, uma alternativa pode ser a iniciação em diferentes modalidades. São cada vez mais comuns cursos que oferecem essa prática variada, com o objetivo de desenvolver diferentes habilidades e oferecer um conhecimento básico de diversos esportes. Alice de Almeida, de 10 anos, foi aluna do curso básico do Minas Tênis Clube por três anos, onde pôde conhecer e praticar um pouco de atletismo, basquete, futsal, ginástica artística, handebol, judô, natação, tênis e vôlei. “Isso me ajudou a escolher o esporte que eu queria fazer”, declara. Ao terminar o curso, ela passou a integrar a pré-equipe de natação do clube, mas em seguida trocou a modalidade pelo vôlei, que já treina há um ano. “Acabei escolhendo o vôlei porque minha mãe jogava, e eu brincava muito em casa com minhas amigas”, explica Alice.

 

A diretora de educação e esportes de base do Minas Tênis Clube, Luíza Machado, explica que o objetivo do curso básico da instituição é “garantir que a criança vai ter todas as habilidades motoras desenvolvidas, mas sem nenhuma intenção de formar um atleta nesse momento”. O curso recebe crianças de 3 a 9 anos, sendo que no princípio as atividades consistem em brincadeiras planejadas que estimulam o desenvolvimento motor. Conforme a faixa etária avança, as crianças passam a ter contato com os diferentes esportes, alternando entre os nove oferecidos.

 

Ao final, é emitido um boletim de desempenho, com a indicação da modalidade para a qual a criança tem maior potencial naquele momento. Luíza Machado destaca que essa orientação é apenas um diagnóstico de acordo com as habilidades apresentadas no curso básico, mas a escolha de qual esporte seguir praticando deve ser feita pela criança com total liberdade. “Ela pode ter aptidão para um esporte, mas gostar mais de outro. E esse interesse pode ser mais importante para garantir comprometimento e determinação”, ressalta.

 

 

 

Júlia Mourão tem apenas 8 anos, mas já experimentou várias modalidades esportivas. Começou a fazer natação aos 2 anos, passou por um curso de iniciação esportiva, até chegar agora à capoeira, que pratica atualmente em aulas da escola Mundo Feliz, ministradas pelo grupo Capoeira Gerais. No esporte, Júlia gosta muito da musicalidade e dos movimentos corporais. “Já sei fazer o aú (estrela), o martelo cruzado, martelo cruzado de chão... Mas acho que estou melhor mesmo é no aú”, conta. Mas, por mais que a capoeira lhe agrade bastante, Júlia já pensa em investir em outro esporte: “Quero ser jogadora de vôlei”, revela.

 

Além de contribuir para o desenvolvimento físico e cognitivo, a prática de esportes traz benefícios para a formação afetiva e social das crianças. Para André Machado, de 9 anos, o basquete, seu esporte favorito, tornou-se importante via de socialização. Segundo a mãe, Maria Luísa Machado, as aulas do esporte, no Colégio Magnum, têm sido importantes para aumentar seu convívio social. “Ele sempre foi muito tímido. No basquete, ele convive com novas pessoas, tem de lidar com elas em ambiente diferente, o que o ajuda a vencer um pouco a timidez”, conta.

 

Bárbara Cunha, aluna de ginástica artística

da UFMG: aos 8 anos, ela já viaja para sua

primeira competição nacional

 

Os irmãos João Gabriel e Artur Goulart,

o Maradoninha, na escola de futebol: eles

acompanham os campeonatos e jogam

sempre que podem

 

Movimento contrário acabou fazendo a pequena Sofia Doti, de 7 anos, que levou várias pessoas à sua volta a praticar tênis com ela. Após assistir ao avô em um torneio, ela disse que gostaria de praticar a modalidade. Começou a fazer aulas semanalmente na Casalechi Tennis, para onde acabou levando uma turma de amigas da escola. Além de convidar as colegas, Sofia também foi responsável pelo retorno daquele que a inspirou aos treinos. “Como me comprometi a trazê-la toda sexta, acabei arranjando um horário para mim também”, conta o avô, José Mário Campos. O último a seguir a onda da garota foi seu pai, André Doti, que também começou a praticar tênis recentemente.

 

Outro ganho com a prática esportiva pode ser relacionado à disciplina. Lucas e Gabriel Menezes, gêmeos de 7 anos, sempre foram agitados e gostam muito de “brincar de luta”, como contam os pais Elmo Nogueira e Luciana Menezes. Em março deste ano eles matricularam os filhos no judô do Colégio Nossa Senhora das Dores, na Floresta, e têm visto grande amadurecimento dos garotos. “Eles têm se responsabilizado com a prática, o que acaba refletindo fora do esporte também”, avalia a mãe, Luciana.

 

 

André Machado na aula de basquete, esporte indicado para quem é tímido: convivência com novas pessoas
 

 

Júlia Mourão, com o treinador Thiago Brito,faz capoeira, mas não esconde sua preferência: “Quero ser jogadora de vôlei”

 

Uma dúvida comum em relação à prática esportiva infantil é sobre quando e como voltar a formação para fins competitivos. Luciano Prado defende que a competição com cobrança de desempenho só deve ocorrer após a puberdade. “Cada criança amadurece em bases muito diferentes. Na infância, a competição deve ser algo sem pressão por resultados, com um caráter festivo”, afirma. Segundo o professor da UFMG, a família deve controlar a expectativa para não se frustrar e não gerar ansiedade no filho. “É preciso enxergar o sucesso em termos de crescimento pessoal, de bem-estar e de outros valores que a prática esportiva proporciona”, declara.

 

Carla Renata da Cunha, mãe de Bárbara, 8 anos, busca sempre uma atitude de apoio à filha, evitando a cobrança. Bárbara é aluna do projeto de extensão de ginástica artística da UFMG desde os 5 anos. Como a própria menina conta, ela começou no esporte “porque quando era pequena vivia pulando muito em casa”. Demonstrou grande aptidão e, em poucos meses, passou a treinar mais intensamente. Bárbara já participou de torneios locais, mas agora se prepara para sua primeira competição nacional, o Campeonato Brasileiro de Ginástica Artística, na categoria pré-infantil. Carla, que acompanhará a filha na viagem, garante que o resultado é o menos importante nesse momento. “Só de ver que ela está fazendo uma atividade em que se empenha e em que tem objetivos já é uma grande conquista”, declara a mãe.

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