Os superadvogados mineiros

por Daniele Hostalácio e André Lamounier 17/10/2011 10:17

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Cláudio Cunha, Emmanuel Pinheiro, Geraldo Goulart, Divulgação
Paulo Coimbra e Marcelo Tostes, representantes da nova geração do direito em Minas (foto: Cláudio Cunha, Emmanuel Pinheiro, Geraldo Goulart, Divulgação)

CRESCIMENTO PRECOCE

Um advogado tributarista, com perfil mais técnico e acadêmico, e outro focado em direito comercial, com grande gosto pela prática e por negociações. Tocando cada um seus escritórios, em 2001 eles decidiriam unir suas expertises para criar o Tostes & Coimbra Advogados, um escritório fullservice – atua em diversos campos do direito –, que hoje tem nas operações de fusão e aquisição um dos seus carros-chefes. Beneficiados pelo ambiente econômico do país, passaram a crescer uma média de 30% ao ano e uma nova sócia passou a integrar o grupo. Trata-se da jovem advogada Paula Chaves, 31 anos, que começou na banca como estagiária e, depois de fazer mestrado em Chicaco, regressou para ingressar na sociedade. “Abrimos uma unidade na cidade de Parauapebas, no Pará, onde está a sede da Vale. Ali, atendemos a grande parte da cadeia produtiva de mineração”, conta Marcelo Tostes. Hoje, os clientes estrangeiros correspondem a 35% do faturamento do escritório. Num cenário onde as atividades comerciais não conhecem barreiras geográficas,Tostes acredita que uma das mais louváveis qualidades de um escritório é ter advogados que não atuam como meros executores de leis. “O empresário quer uma visão mais ampla”, diz.

 

TOSTES & COIMBRA ADVOGADOS
 

 

 

Uma empresa brasileira compra uma concorrente na Noruega e decide montar uma joint venture na Holanda; uma mineradora tem parte de suas jazidas de minério de ferro negociadas para um grupo canadense; uma sociedade milionária se desfaz em meio a conflitos; uma rede de supermercados nacional é vendida para um grupo estrangeiro. Milhões – e, em alguns casos, bilhões de reais – estão em jogo, e entre os agentes-protagonistas que são chamados a participar desses processos estão os escritórios de advocacia especializados em atender empresas. O cenário é de um mundo em que as relações comerciais desconhecem barreiras geográficas, e que uma intrincada rede de leis, direitos e deveres impactam o futuro dos negócios, colocando sob os holofotes o papel dos profissionais de direito empresarial do país.

 

Minas Gerais cravou seu lugar no mapa desse ramo do direito. São da capital mineira alguns dos importantes escritórios que militam nessa área no Brasil. Estão envolvidos em operações bilionárias de infraestrutura, em grandes licitações, na construção de barragens e de estradas, na compra e venda de grandes empresas. “A partir dos anos 1990, aconteceram movimentos importantes no Brasil que permitiram isso: abertura dos mercados, o advento do plano real e a consequente estabilidade econômica, o processo de privatizações. Os negócios mudaram para melhor e isso influenciou o mercado da advocacia”, destaca Augusto Tolentino, sócio majoritário do Tolentino Advogados, e um nome em ascensão na cidade. Especialmente em Minas, o fenômeno trouxe positivos impactos. “A atividade minerária explodiu e fez crescer nossa economia e as firmas de advogados”, diz.

 

O direito empresarial diz respeito a toda a necessidade jurídica de uma empresa – da elaboração de contratos às questões societárias, operações de fusões e aquisições, tributos, licenciamentos ambientais, entre dezenas de outras demandas. Grandes e médias empresas costumam ter seus departamentos jurídicos, que cuidam do dia a dia. Mas para projetos específicos, especiais na vida de uma empresa, elas recorrem a consultorias externas, e aí entram os escritórios de direito empresarial, que geralmente atuam tanto oferecendo assessoria quanto com o chamado contencioso – as disputas judiciais.

 

Berço de uma das mais tradicionais escolas de direito do país – a da UFMG, criada em 1892 –, Minas Gerais é um dos principais centros jurídicos brasileiros. Atualmente, há aproximadamente 79 mil advogados ativos e cerca de 20 mil alunos entre as 144 faculdades mineiras. Quem sobrevive ao crivo da Ordem dos Advogados do Brasil, que, somente em Minas, teve no último exame 13.318 candidatos inscritos, e cuja aprovação tem sido de apenas 10% nos últimos anos, encontrará um mercado efervescente. O disputadíssimo mercado de trabalho está sorrindo para os que mostram talento e competência. “Até uma década atrás, negócios envolvendo grandes valores e complexas operações aconteciam em Minas, mas eram assessorados por escritórios de São Paulo.

 

O empresário mineiro achava que não havia quem pudesse lhes dar suporte adequadopor aqui”, afirma Henrique Mourão, um dos mais experientes advogados em direito empresarial de Minas e sócio do Pinheiro, Mourão, Raso e Araújo Filho, uma espécie de butique jurídica. “Hoje, esses processos aterrissam nos escritórios locais”. Henrique e seus sócios chefiavam departamentos jurídicos de empresas, ainda nas décadas de 1970 e 80; assistiram às transformações do mundo nas relações comerciais e decidiram empreender. “O mercado está tão efervescente que hoje somos seletivos”, diz Fernando Pinheiro, outro sócio.

 

A mudança de perfil por que passaram os escritórios nos últimos anos exigiu novos desafios por parte dos profissionais. Falar mais de um idioma além do português, por exemplo, tornou-se imprescindível para esses advogados. “Temos contatos com escritórios da China, da Hungria, da Romênia, do Irã”, conta Maurício Leopoldino, da João Bosco Leopoldino Advocacia e Consultoria, que representa duas gerações dentro do direito empresarial. O escritório foi fundado pelo pai dele, João Bosco Leopoldino, professor de direito econômico na UFMG há 44 anos, depois que se aposentou como juiz federal.

 

Um movimento parecido com o que fez o advogado Humberto Theodoro Júnior, que montou uma banca de advocacia depois de aposentar-se como desembargador, e que contou com a participação dos filhos, que se formaram em direito, para ampliar a atuação do escritório. Todos eles surgiram no período de um boom da economia brasileira e têm podido desfrutar desse crescimento, estando na retaguarda, hoje, de sofisticadas operações empresariais.

 

Embora a maioria das 2.810 bancas mineiras tenha estrutura familiar, parte cada vez maior dos escritórios está transformando também essa realidade. O VK Advocacia Empresarial agigantou-se, ao mesmo tempo em que seus clientes ganhavam o mundo e o mercado. Inicialmente, o VK atendia à indústria alimentícia, tinha como foco o direito tributário, e muitos de seus clientes eram pequenos. Mas as demandas se sofisticaram, os clientes cresceram, e então o VK – iniciais de Vinício Kalid, o titular da banca fundada por seu pai, Ramez –, ampliou sua atuação e tratou de profissionalizar os negócios e os ramos das empresas para as quais trabalha. Hoje, tem 10 mil processos em andamento na esfera judicial, e outros quase 4.500 na esfera administrativa.

 

Com o mercado em expansão, é natural a ascensão de jovens talentos. Uma nova geração de advogados que começa a chegar ao topo. O Lima Netto, Campos, Fialho e Canabrava tem sete sócios, todos entre 37 e 42 anos de idade. Juntos, falam seis idiomas diferentes; quatro deles têm experiência internacional, com passagens por empresas de Nova York e Londres, e pós-graduação em outros países. Nos últimos seis meses, o escritório assessorou grandes construtoras e empresas do setor de mineração, na estruturação e revisão de contratos em operações de infraestrutura, em valores que superam a casa dos R$ 5 bilhões. São típicos representantes dessa nova feição do direito em Minas.

 

Mas não são os únicos. O caso do Tostes & Coimbra é absolutamente emblemático. Marcelo Tostes, 39 anos, e Paulo Coimbra, 37, resolveram unir forças, cientes de que apresentavam perfis complementares e que o momento econômico seria frutífero para os advogados que militavam nessa área. Põe frutífero nisso. A banca que hoje dirigem tem 140 advogados e escritórios em cinco cidades.

 

Tostes cuida do lado comercial e dos relacionamentos, enquanto Coimbra é especialista em tributário, além de reconhecido professor. “Crescemos em função da estratégia, competência e vontade de investir no próprio negócio”, diz Tostes, que ainda arruma tempo para a bicicleta e para levar as filhas à aula de hipismo. Para poder crescer, o escritório optou por ser full service – atuar em várias áreas do direito –, mas é no tributário e nas fusões e aquisições que mais tem se destacado. “Temos associação com um escritório de Nova York e integramos uma re deque hoje é a maior do Brasil, a Alae – Aliança de Advocacia, que reúne 32 grupos na América Latina”, afirma Tostes.

 

A expressão da moda nos grandes grupos é full service – ou one stop shop (tudo num só lugar). Mas, data venia, mesmo nesse mercado, alguns optaram pela especialização e se deram bem. O Carneiro & Souza focou em direito ambiental, e assim conseguiu destaque, entre outros motivos, também por ter sido um dos pioneiros nesse ramo no país. Marcelo Mendo, um dos sócios fundadores, começou a atuar no jurídico de mineradoras quando ainda era estagiário, na década de 1980. “A mineração era um dos grandes vilões do meio ambiente”, lembra.

 

 

 

Quando decidiu montar seu escritório, em associação com Ricardo Carneiro, para prestar assessoria ambiental, logo foi surpreendido pela demanda. O contencioso acabou crescendo – atualmente, o Carneiro & Souza tem, em tramitação, cerca de 1.200 ações judiciais e presença em todo o país, sempre no seu foco de atuação. O fato de ter sido no nosso estado que a legislação brasileira referente ao meio ambiente conheceu suas primeiras discussões, devido à intensa atividade minerária, ajuda a explicar o porquê de um escritório mineiro ter se destacado tanto na área, no Brasil.

 

Mas nenhuma outra sociedade jurídica do estado, no entanto, é tão conhecida e respeitada fora das fronteiras de Minas quanto Sacha Calmon e Misabel Derzi, especialistas em tributário, cujos nomes têm projeção internacional nesse campo do direito. Ambos acadêmicos – Calmon, ex-juiz federal, com vários artigos e livros publicados –, são autores de importantes teses dentro do universo do jurídico tributário. O nome do escritório é listado, há cinco anos, como um dos mais admiradosdo país pela revista Análise Advocacia 500.

 

O direito tributário é um campo que conheceu no Brasil duas fases bem distintas, nas últimas décadas. A primeira corresponde aos anos que se seguiram à promulgação da Constituição de 1988, que inaugurou o sistema de impostos brasileiro, após a ditadura militar. “Foi um momento muito profícuo para estudos da área”, observa Werther Botelho Spagnol, um dos sócios fundadores do Botelho, Spagnol, que também está por trás de alguns dos maiores processos envolvendo o tema. Werther vivenciou aquele momento, ao lado do sócio Jader Botelho, quando ambos eram recém-formados em direito e resolveram abrir uma empresa.

 

Na fase inicial, o que importava, lembra Werther, era o conhecimento da legislação. “Até o final da década de 1990, os escritórios se distinguiam por um profundo conhecimento do direito abstrato, da legislação tributária. Com a consolidação do sistema, a partir deste século, a mudança foi fundamental. O grande desafio não é mais o ponto de vista acadêmico, teórico, mas a aplicação efetiva à realidade do cliente, para se fazer uma advocacia de resultado”, diz Werther.

 

Quem também notabilizou-se como especialista, com amplos conhecimentos no direito tributário, foi o advogado João Dácio Rolim, que pôde ver nascer, de um escritório que montou sozinho, em 1993, uma das bancas de advocacia mais respeitadas em direito empresarial do país. Ele começou em Belo Horizonte, reuniu professores universitários e consultores de grandes empresas multinacionais de auditoria, ampliou o leque de atuação de sua banca e, a partir da capital mineira, ganhou clientes em todo o país, unidades em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e Lisboa – escolhida devido aos significativos investimentos de empresas portuguesas no Brasil, bem como ao aumento de investimento de empresas brasileiras em países da Europa.

 

Escritórios como esses, compostos por mestres, doutores, professores universitários, profissionais com experiência internacional, que dominam mais de dois idiomas e têm formação multidisciplinar, tornaram-se importantes agentes no mundo empresarial. Foram contagiados por um processo de profissionalização e de internacionalização que começou com seus clientes – as empresas –, e atingiu toda a cadeia de serviços. São, hoje, firmas que faturam como empresas. De Minas, e com unidades ou parceiros ao redor de todo o mundo, eles têm ajudado as corporações a resolver suas disputas de maneira civilizada, desenvolver-se de forma sustentada, a fazer negócios seguros e a prosperar. Dos bastidores, têm contribuído para a pujança do país, como verdadeiras feras do direito.

 

TOLENTINO ADVOGADOS
 
"FOI UM BAQUE, MAS DECIDI CONTINUAR"
Augusto Tolentino e Celso Barbi Filho eram recém-formados em direito quando, em 1989, resolveram montar um escritório. “O mercado de advocacia nem sonhava ser o que é hoje. Tínhamos uma nova constituição, os mercados eram fechados, havia instabilidade econômica”, lembra Tolentino. Começaram sozinhos, numa sala alugada, com um telefone e duas máquinas de escrever. Em 2001, já estavam numa situação bem melhor, quando Celso Barbi morreu, aos 35 anos, num acidente de avião. “Ele já era um jurista conhecido em todo o Brasil, tinha duas belas obras publicadasno direito comercial. Foi um grande baque, mas decidi continuar com o escritório”. Tolentino fez MBA em finanças pelo Ibmec, tornou-se mestre em direito comercial e internacional pela Universidade da Califórnia (EUA), profissionalizou a gestão da empresa, que se tornou uma das mais conceituadas em direito empresarial de Minas.“Fazemos uma advocacia mais elaborada. São causas maiores, mais relevantes”, explica. Tolentino está associado a um escritório de Lisboa e acaba de firmar parceria com um escritório de Paris.
 
PINHEIRO, MOURÃO, RASO E ARAÚJO FILHO ADVOGADOS
Os quatro sócios Raul Araújo Filho, Henrique Mourão, Ulisses Raso e Antônio Fernando Pinheiro: carteira de clientes selecionada e com grandes conglomerados nacionais e internacionais
 
MARCA INTERNACIONAL
Os advogados Henrique Mourão, Fernando Pinheiro e Ulisses Raso foram chefes de jurídicos de empresas de energia elétrica, nuclear, siderurgia e construção civil, e se encontraram como advogados da Construtora Mendes Júnior, no final da década de 1970 e início dos anos 80. A Mendes Júnior era uma empresa que, já naquela época, estava inserida em um forte processo de internacionalização. Desejando somar suas experiências, e atentos ao surgimento de escritórios de advocacia mais bem preparados para atender à complexidade das empresas, decidiram abrir um escritório dedicado ao direito empresarial, em 1989. Em 2010, uniram-se a Raul Araújo Filho. “Buscávamos um reforço de qualidade”, observa Mourão. A carteira de clientes é integrada por grandes empresas de todo o país, algumas há cerca de duas décadas, “com quem hoje temos uma relação de amizade, além de estrita confiança”. Em 1996, o escritório tornou-se membro daTerra Lex, rede internacional que surgiu em Miami integrando cerca de 170 escritórios em mais de 110 países, já que a experiência no campo internacional é uma marca da empresa.
 
JOÃO BOSCO LEOPOLDINO ADVOCACIA E CONSULTORIA
João Bosco e Maurício Leopoldino: experiência e sucesso passados de pai para filho
 
DA MAGISTRATURA PARA A ADVOCACIA
Professor de direito econômico na UFMG há 44 anos, ex-juiz do trabalho e ex-juiz federal, ao aposentar-se da magistratura, João Bosco Leopoldino retornou à advocacia, atividade com a qual iniciou a vida profissional. Era o ano de 1988, que inaugurava um período em que as empresas brasileiras cresceriam e se capitalizariam, tornando-se cobiçadas pelo capital estrangeiro. Nos anos 1990, o filho dele, Maurício Leopoldino, também se formou em direito e se juntou ao pai no ofício. Vieram depois a nora, Patrícia Leopoldino, a filha Ana Vitória e, há cinco anos, Carine Cabral. “O direito empresarial, societário e comercial é o foco do escritório. Atuamos muito com fusões, incorporações, reorganização societária, problemas relativos a direito de concorrência”, explica João Bosco Leopoldino. Trata-se de uma atuação que tem exigido dos advogados novas competências,idiomas e uma constante atualização. O escritório tem investido com ênfase na área de informática. “Todos os nossos processos são digitalizados. A essa informatização que está acontecendo no judiciário, nós nos antecipamos”, diz.
 
HUMBERTO THEODORO JR. ADVOGADOS ASSOCIADOS
Humberto Theodoro Júnior (de terno cinza) com os sócios que também têm sobrenome Theodoro (Adriana, Ana Vitória e Humberto) e Juliana Faria (de blazer preto): formação criteriosa de profissionais
 
OS PARECERES E O CÓDIGO DE CONDUTA
Quando o professor Humberto Theodoro Júnior aposentou-se como desembargador, inaugurou uma nova carreira. Já era professor da Faculdade de Direito da UFMG há anos, tinha vários livros publicados na área de direito processual civil, civil e comercial, e centenas de artigos publicados no Brasil e exterior. Aposentado no TJMG, naturalmente ele passou a ser demandado por clientes, advogados e departamentos jurídicos de empresas para elaborar pareceres e atuar em tribunais. Mas eis que, nesse meio tempo, seus filhos se formam também em direito, e então o que era um escritório quase artesanal cresce, passando a ter presença nacional e a atuar na área contenciosa. O direito empresarial é apenas um dos braços do escritório, mas é um campo no qual ele se destacou. “A formação dos nossos profissionais é muito criteriosa. Aqui é verdadeiramente uma escola, na qual os estagiários vão praticando e conversando com o professor, até se verem formados com um estilo, com um código de conduta que a gente preza muito”, explica o sócio Humberto Theodoro Neto.
 
SACHA CALMON-MISABEL DERZI CONSULTORES E ADVOGADOS
Sacha Calmon e Misabel Derzi: nomes do direito tributário com reconhecimento internacional
 
ORIGEM NA ACADEMIA
A história do escritório Sacha Calmon e Misabel Derzi começa nos corredores da Faculdade de Direito da UFMG, quando os dois professores, então já nomes consagrados nacionalmente no direito tributário, resolveram complementar a experiência acadêmica com o exercício da advocacia. Inicialmente, a ideia era ser um escritório de pareceres na área tributária, mas o fato de serem focados exclusivamente nisso e de apresentarem sólido conhecimento nesse campo rapidamente fez com que o escritório ganhasse projeção nacional e internacional. A demanda do contencioso começou a crescer, e assim novos sócios foram convidados a fortalecer a equipe – a maioria, hoje, doutores. Juntos, Sacha Calmon e Misabel Derzi formaram grande leva de tributaristas, advogados públicos, procuradores das fazendas e auditores, e continuam atuando na universidade. Ao lado do crescente contencioso, recebem inúmeras demandas de escritórios de todo o país para dar pareceres e fazer sustentações, em ações importantes, junto ao Supremo Tribunal Federal e ao Supremo Tribunal de Justiça.
 
VK ADVOCACIA EMPRESARIAL
Vinício Kalid, no escritório de BH: ele comandou o negócio bilionário da venda da rede Bretas para os chilenos
 
O NEGÓCIO BILIONÁRIO
Quando o escritório VK Advocacia Empresarial começou a atender o grupo Bretas, o cliente tinha apenas quatro lojas. Anos depois, o escritório foi responsável por umas das maiores operações de varejo do país, ao negociar a rede Bretas para o grupo chileno Cencosud, por cerca de R$ 1,5 bilhão, o maior negócio já feito por um varejista mineiro. “Nós apostamos no potencial de crescimento do pequeno cliente; essa sempre foi uma característica nossa”, revela o sócio majoritário da VK, Vinício Kalid. “O escritório começou com meu pai, Ramez Antônio, que era tributarista. Crescemos juntamente com nossos clientes”. Ramez morreu em 2001. “Era um trabalhador incansável”, diz. A empresa oferece consultoria e atua no contencioso em todas as áreas de necessidade das empresas. “É mais simples para o cliente centralizar as necessidades jurídicas em um escritório só”. Uma estratégia que deu certo: o VK tem hoje 10 mil processos em andamento na esfera judicial, e outros quase 4.500 na esfera administrativa. E comemora o fato de que integrará, em 2011, a lista da revista Análise Advocacia dos 500 escritórios mais admirados do país.
 
LIMA NETTO, CAMPOS, FIALHO, CANABRAVA ADVOGADOS
Da esquerda para a direita, Roberto Salles, Luciano Fialho, Flávio Campos, Leonardo Canabrava e Cristina Borja: “Não admitimos parentes. A regra aqui é a meritocracia”, diz Canabrava
 
FORMAÇÃO ECLÉTICA E INTERNACIONAL
Três escritórios com média de 15 anos de existência, compostos por advogados contemporâneos da Faculdade de Direito da UFMG, resolveram se unir em 2006. “Estava havendo sofisticação do mercado: ou nos adequávamos a essa mudança, ou ficaríamos relegados a fazer serviços menos complexos”, lembra Leonardo Canabrava. A sociedade tem conhecido franco crescimento desde então, notabilizando-se por apresentar uma equipe de formação eclética – além do direito, muitos têm também estudos complementares, como em Ciências Contáveis e Economia – e pelo número de profissionais com experiência internacional. Leonardo Canabrava, por exemplo, fez especialização na Suíça, e Luciano Fialho fez Master of Laws em Nova York. “Nossa tentativa é de aglomerar talentos, pois demandas sofisticadas exigem uma equipe à altura”, diz outro sócio, Luciano Fialho. O foco é a consultoria preventiva, e lá dentro reina uma regra de governança: “Não admitimos parentes. A regra aqui é a meritocracia. Investimos nos nossos advogados para que vislumbrem que um dia este lugar também será deles”, afirma Canabrava.
 
BOTELHO, SPAGNOL ADVOGADOS
Jader Botelho, Otto Mendonça, Daniela Procópio e Werther Spagnol: escritório criado no momento oportuno, durante as mudanças das leis tributárias
 
DIÁLOGO ENTRE CONSULTORIA E CONTENCIOSO
O interesse de Werther Botelho Spagnol pelo direito tributário surgiu quando ele ainda era estudante. Também ainda na graduação, Werther conheceu Jader Botelho, que, assim como ele, era especialmente interessado nessa área. Tão logo se formaram, resolveram montar um grupo que, embora atuasse também em outras frentes– direito civil, societário, trabalhista, entre outros –, acabou ficando mais fortemente identificado com o tributário. “O escritório surgiu logo após a Constituição de 88, período a partir do qual o direito tributário sofreu grandes transformações. Foi uma época muito profícua para estudos e a demanda por essa área cresceu muito”, destaca Werther. Ambos se tornaram mestres– Werther também fez doutorado –; a atuação deles extrapolou as fronteiras do estado, vieram novos sócios. “Hoje, a questão tributária está mais consolidada e o desafio não são mais as teses gerais, mas a necessidade de os escritórios prestarem consultoria tributária agregada ao contencioso. Não pode haver divórcio entre essas duas áreas de atuação, pois sempre é preciso entender o negócio do cliente”.
 
CARNEIRO & SOUZA ADVOGADOS ASSOCIADOS
Da esquerda para a direita, Marcelo Mendo, Andrea Viggiano, Daniel Pettersen, Ricardo Carneiro e Túlio Ferreira: “O mercado exigia atendimento jurídico na área ambiental e não havia profissionais”, diz Mendo
 
DIREITO SUSTENTÁVEL
Tudo começou com improvável parceria: de um lado, um advogado representante da sociedade civil, de órgãos públicos e de uma ONG em defesa do meio ambiente; de outro, um advogado que atuava dentro de mineradoras. Foi unindo visões diversas que Ricardo Carneiro e Marcelo Mendo decidiram criar o Direito Ambiental Carneiro & Souza, em 2004. “Programamos atuar para o mercado de mineração e o de energia, mas logo percebemos que tínhamos demanda muito maior. O mercado, por conta da força da legislação ambiental, exigia atendimento jurídico nesse campo e não havia profissionais nessa área”, conta Marcelo Mendo. Em pouco tempo, o escritório tornou-se reconhecido pelo mercado. A eles, vieram se juntar os advogados Andréa Viggiano, Daniel Pettersen e Túlio Ferreira. Há cinco anos, os sócios fundadores Ricardo Carneiro e Marcelo Mendo são listados entre os mais admirados do país em direito ambiental, pela revista Análise Advocacia 500. “Nosso lema é oferecer informação jurídica para que ocorra desenvolvimento sustentável no país.”
 
ROLIM, VIOTTI & LEITE CAMPOS ADVOGADOS
João Dácio Rolim: ele comanda uma equipe de 120 advogados, divididos entre os escritórios de BH, Rio, São Paulo, Brasília e na capital portuguesa
 
ORIGEM NO TRIBUTÁRIO
Egresso da empresa PriceWaterhouse, onde era especialista em consultoria tributária, João Dácio Rolim começou na advocacia sozinho, em 1993. Aos poucos, outros sócios foram se juntando a ele, também vindos das áreas tributárias de empresas multinacionais de auditoria. “Muitos possuíam mestrado e doutorado, no Brasil e no exterior, e havia também professores de faculdades renomadas”, lembra Rolim. O escritório crescia em número de clientes, ao mesmo tempo em que ampliava sua atuação. Em 2008 foi a vez do professor Diogo Leite Campos, catedrático da Universidade de Coimbra e renomado advogado e jurista português, também tornar-se sócio, face ao volume de investimentos portugueses no Brasil e de investimentos brasileiros na Europa. Embora tenha uma atuação abrangente, o escritório mantém no mercado um inegável destaque em Direito Tributário, até pela formação do seu fundador – Rolim foi pesquisador em direito tributário na Queen Mary University of London, é doutor na matéria pela UFMG e mestre pela London School of Economics and Political Science.
 
 

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