Os eleitos do Enem

por João Pombo Barile e Tereza Rodrigues 17/10/2011 13:46

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Maíra Vieira, Emmanuel Pinheiro, Eugênio Gurgel, João Carlos Martins, Cláudio Cunha
Ana Cecília, aluna do Bernoulli: “A escola tem que ser interessante para não ser estressante” (foto: Maíra Vieira, Emmanuel Pinheiro, Eugênio Gurgel, João Carlos Martins, Cláudio Cunha)

Uma só conversa dominou a roda de estudantes, pais e professores nas últimas semanas em Belo Horizonte: o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2010. Com três colégios privados da capital classificados entre os dez melhores do país (Bernoulli, Santo Antônio e Coleguium), e a única escola pública entre as melhores brasileiras (o Colégio de Aplicação, da Universidade Federal de Viçosa), o exame do Ministério da Educação (MEC) demonstrou, de forma clara e cabal, que o ensino em Minas, historicamente sempre referência nacional, ainda continua na ponta.

 

Para o professor Jacques Schwartzman, da UFMG, os resultados do Enem deste ano não surpreendem. E servem para comprovar aquilo que todo mundo já sabe: a qualidade de ensino da escola privada brasileira é maior do que a da pública. “Além disso, todos os colégios que chegaram à frente não têm apenas duas ou três horas de aula por dia, mas de seis a sete horas. Ou seja, são praticamente de tempo integral”, analisa Schwartzman, que chama ainda a atenção para a formação e o salários dos professores. “Sem nenhuma exceção, os professores das melhores escolas classificadas têm uma melhor formação e, consequentemente, melhores salários”, analisa.

 

 

 

Para o especialista em educação Claudio de Moura Castro, o tempo integral e a melhor formação dos professores ajuda a explicar, em parte, o sucesso das primeiras colocadas. Mas, no Brasil, muitos pedagogos criam uma mítica em torno de uma fórmula mágica para que um colégio seja bom. Segundo ele, não existe uma fórmula. E se existe algum segredo, ele está na palavra disciplina. “Tem que ralar muito. Quanto mais se estuda, mais se aprende. É preciso muita leitura e muita escrita”, sintetiza. “Além disso, é preciso um professor dedicado, com liderança, e isso quer dizer: ter alguém que manda, que cuida do aluno”.

 

Para Moura Castro, os pais não devem se deixar seduzir por escolas instaladas em grandes prédios, suntuosos e modernos. Segundo ele, escola chique, nem de longe, é sinônimo de escola boa. “As melhores escolas francesas não têm nada, suas instalações são muito simples. São escolas urbanas, mas têm boa sala de aula e ampla biblioteca”, diz o especialista, um dos maiores intelectuais brasileiros na área de educação.

 

 

 

O ambiente saudável da escola é apontado por alunos de vários colégios bem classificados no Enem como um dos aspectos mais relevantes para o bom resultado. Aluna do Bernoulli desde os 11 anos, Ana Cecília Novaes de Oliveira, hoje com 17, diz que quando o foco é o vestibular, o tempo dedicado aos estudos é muito grande, e se não for “interessante”, vai ser somente “estressante”. “O ambiente tem que estimular a gente a querer estudar mais”, conta.

 

Também no 3º ano, as amigas Lauren Antunes e Amanda Souza, do Magnum, gostam do ambiente de amizade da escola. “Aqui não tem muito o clima de concorrência. Gostamos de estudar juntas e os professores amenizam a tensão e a cobrança que enfrentamos nessa fase”, comenta Lauren. A amiga Amanda destaca que a escola ajuda a lidar com a insegurança. “O importante é que a gente acaba se sentindo confiante”, diz.

 

Amanda Souza e Lauren Antunes gostam do ambiente de amizade do Magnum, onde cursam o 3° ano: “Aqui não há clima de concorrência e tensão, o que ajuda na confiança”, diz Amanda
 

 

Para desvendar alguns dos segredos das campeãs, Encontro visitou as cinco melhores escolas de BH no ranking do Enem. O resultado você confere a seguir.

 

 

 

FOCO NO CONTEÚDO

Estar na ponta já não é fácil, mas manter-se pelo 5º ano consecutivo como a 1º colocada entre as escolas de Minas, e entre as 10 melhores posições do país no ranking do Enem é, certamente, resultado de seguidos e numerosos acertos. Pois é essa uma das consequências do trabalho que vem sendo desenvolvido no Bernoulli desde 2000, ano em que a escola foi fundada.

 

De acordo com Marcos Raggazzi, coordenador pedagógico geral do grupo, a principal razão do bom resultado é uma espécie de “contrato não velado”, uma filosofia de trabalho que é seguida à risca, tanto pelos alunos quanto pelos professores. “Combinamos seriedade e alegria. Aqui, se exige muita dedicação dos alunos e, em contrapartida, oferecemos um ambiente propício ao estudo”. Outro diferencial da escola, de acordo com Raggazzi, é ser “conteudista”: “Tudo é combinado no começo do ano; o aluno que entra aqui já sabe que vai receber uma carga grande de informação e que todo mundo vai estudar muito. Se ele não fizer o mesmo, não vai conseguir acompanhar”, diz.

 

A breve história do Bernoulli já revela algumas das características de campeã. Um grupo de jovens amigos entendeu que faltava em Belo Horizonte uma escola que direcionasse os alunos ao ingresso nas instituições com as seleções tradicionalmente mais concorridas e difíceis do país, como o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e o Instituto Militar de Engenharia (IME). E resolveu, então, investir num projeto que atraísse os melhores profissionais da área da educação – o que inclui, claro, bons salários e condições de trabalho mais atrativas do que o mercado estava acostumado a oferecer. “Em pouco tempo, conquistamos a confiança dos pais e enfrentamos a concorrência de escolas tradicionais. Conseguimos formar um ciclo virtuoso com uma boa equipe:professores não fingem que ensinam e os alunos fingem que estudam. Todo mundo tem que apresentar resultados ”, explica Raggazzi.

 

Aos 17 anos, a aluna Ana Cecília Novaes de Oliveira, do 3º ano do ensino médio, confirma que o saldo do clima de cobrança é positivo. “Passei por três escolas antes de vir para cá e aqui é onde eu mais me identifiquei. Eu gosto de me dedicar e aqui todo mundo estuda muito. As aulas são atrativas e os professores ouvem o que a gente tem a dizer. Estou focada e me sinto preparada para enfrentar o vestibular de Medicina”, conta. Até o dia de fazer a prova do Enem, Ana vai ter feito oito simulados no padrão da prova do MEC.

 

 

 

INSPIRAÇÃO FRANCISCANA

 

Fundado em São João del-Rei, em 1909, pela Ordem dos Frades Menores, o Santo Antônio se transferiu para Belo Horizonte em 1950 e é, desde então, um dos mais tradicionais da capital. O colégio ocupa uma área de 13 mil m2, utilizados pelo Coleginho (1ª a 5ª série do Ensino Fundamental) e pelo Colejão (6ª a 9ª série do Ensino Fundamental e 1º ao 3º ano do Ensino Médio). Com uma biblioteca de 45 mil volumes e laboratórios de Ciências, Informática, Química, Física e Biologia, é uma das mais bem equipadas escolas de BH.

 

Para os dirigentes do Santo Antônio, educar significa conceber a inspiração franciscana como elemento norteador da relação professor-aluno. De acordo com seus educadores, é fundamental que o colégio saiba formar um ser humano pleno, capaz de reflexão permanente, dotado de sensibilidade para as diferenças e para as injustiças. E que também seja capaz de exercer sua profissão com ética.

 

“Nosso ensino de fato é puxado”, admite o diretor Geral e Pedagógico do colégio, frei Jacir de Freitas Faria, comprovando a fama de colégio “difícil de passar de ano” que ele sempre teve entre os estudantes da capital. “Para exigir muito dos alunos, oferecemos, diversos instrumentais pedagógicos: monitores que acompanham os alunos diariamente, aulas de recuperação paralelas, psicólogas que ajudam os alunos, atividades extracurriculares”, enumera o religioso.
Além disso, frei Jacir conta que, no ensino médio os alunos têm retorno. “Eles têm aula de manhã e de tarde”, comprovando a tese do educador Cláudio de Moura Castro, de que quanto mais o aluno estudar, melhor.

 

Outro segredo do sucesso do colégio é o programa CSA Avançado. Ele é uma oportunidade para que os alunos do ensino médio possam ir além do que é oferecido em sala de aula. “É uma espécie de iniciação científica, que leva os alunos a fazerem pesquisas bibliográficas e de campo”, explica. Os trabalhos produzidos ao longo do ano são publicados numa revista científica, lançada periodicamente.

 

Para frei Jacir, o bom resultado obtido pelo Santo Antônio no Enem não foi nenhuma surpresa. O colégio pulou do 17º lugar no ranking nacional em 2010 para 5º lugar este ano. “Sempre acreditamos que o Enem é uma saída importante para o país. Ele oferece uma oportunidade de ensino mais ampla, de conjunto das questões. Um pensar relacional”.

 

Por fim, frei Jacir chama a atenção para o grande peso que a redação tem para o Santo Antônio. “Nossas notas foram as melhores do país. Para nós, saber escrever é saber pensar. E sempre primamos por isto.”

 

 

 

"NÃO HÁ ESPAÇO PARA O IMPROVISO"

 

O que mais atrai bons professores para o Coleguium, na opinião da coordenadora pedagógica Patrícia Patrício, é o planejamento objetivo, com metas claras, adotado pela escola: “Aqui, mesclamos valores tradicionais da educação, como o rigor e a disciplina, com as adaptações que os desafios dos novos tempos nos impõem, como ferramentas online. Para se ter ideia, nosso plano é implantar o livro digital já em 2012”.

 

Desde 2009, quando o Coleguium se posicionou com o 3º melhor resultado do Enem em Belo Horizonte e 13º no Brasil, o lugar no ranking não tem mudado muito. Este ano, o colégio continua como 3º melhor da capital, e figura como 10º do país. Um dos segredos está em valorizar alunos e professores. Segundo Patrícia, existe um trabalho direcionado para que o docente tenha orgulho da profissão: “Não é só o salário que vai estimulá-lo a dar uma boa aula. Ele precisa estar em um ambiente que respeite, confie e acredite nele. E aqui prezamos muito isso. Porque o professor não pode perder o foco de que o papel dele é ensinar. Um resultado como este, do Enem, só comprova que estamos no caminho certo”, comenta a coordenadora.

 

Os critérios de avaliação também são vistos pela equipe do Coleguium como um diferencial importante para os bons resultados. “Aqui não existe espaço para o improviso. Sabemos bem onde queremos chegar e, para isso, temos um sistema de avaliação que eu desconheço que outra escola adote. O aluno acaba de fazer a prova e tem um raio-x da evolução que ele teve e ainda precisa ter. É muito interessante porque, a partir daí, ele mesmo pode aperfeiçoar seu plano de estudos”.

 

Os alunos do 3º ano do ensino médio fazem 20 simulados no padrão Enem, com questões elaboradas pela equipe do Coleguium; têm aulas praticamente o dia todo e precisam ir à escola quase todos os sábados do ano letivo. Com isso, atividades extracurriculares, que sempre tiveram bom espaço no planejamento da vida escolar, deixam de ser prioridade no período de preparação para o vestibular. Mas isso não significa, na visão da coordenadora pedagógica, excesso de pressão: “Trabalhamos os valores humanos desde a infância, por exemplo, por meio do Centro de Extensão Coleguium (CEC), mas chega uma hora que tem de se envolver mais e enfrentar as provas objetivas que são impostas”, comenta.

 

Para Patrícia Patrício, o comprometimento está ligado ao fato de que, nos últimos anos, 100% dos alunos que se formam no Coleguium ingressaram direto na universidade, logo que se formaram. Cerca de 60% passam na UFMG. “A escola não é o espaço físico, são as pessoas”, conclui.

 

 

 

DAS QUADRAS À SALA DE AULA, ENSINO PARA A VIDA

 

Pelo número de quadras, piscinas e tablados, fica fácil perceber que o esporte tem um papel relevante no projeto pedagógico do Colégio Magnum. De acordo com o fundador da escola, José Bruña Alonso, o incentivo às atividades físicas ajuda a trabalhar aspectos primordiais na formação dos alunos, como solidariedade, autoestima, respeito ao próximo, disciplina, respeito às regras e noções de trabalho em equipe. “A escola tem um papel muito importante, que é ser educadora, no sentido global do termo. É nossa função ajudar os pais na formação dos seus filhos. A escola deve ser para a vida”, defende o educador.

 

Uma característica que certamente impulsionou a escola a se posicionar como a 5ª melhor de Minas, e 4ª de BH entre as particulares, é que o Enem está em sintonia com o modo com que a equipe direciona o estudo. Nas palavras do diretor do colégio, Eldo Pena Couto, a correlação entre as matérias, os conteúdos, deixando de lado o velho costume da “decoreba”, fez com que os alunos fossem naturalmente preparados para a avaliação do MEC. “A matriz de referência do Enem é muito parecida com a que já adotávamos. O fato de universidades o adotarem em suas seleções e de o MEC liberar o ranqueamento foi para nós uma coisa boa, mas não foi por causa disso que seguimos essa linha, e sim porque acreditávamos já nesse modelo”, explica o diretor. “Nosso projeto educacional é muito mais ambicioso do que simplesmente posições de destaque em rankings escolares”, emenda.

 

Ex-aluno do Magnum, o professor de biologia Marco Antônio Barbosa, supervisor pedagógico do 3º ano do ensino médio, destaca que uma série de atividades contribui para que os alunos sejam, de forma generalizada, bem avaliados em exames de nível nacional. “Além do investimento na área esportiva, o lado social, em especial o voluntariado, é muito valorizado na escola. Temos também trabalhos de campo e simulações de reuniões da ONU, por exemplo, que dão um bom embasamento teórico e prático para os estudantes”, comenta.

 

Assim como Marco, outros ex-alunos acabam se formando e voltando para a “família Magnum”. As oportunidades de capacitação técnica e as boas condições de trabalho são elogiadas pelo professor: “Quando se tem profissionais fidelizados com a filosofia da escola, fica mais fácil um planejamento contínuo do ensino. Como os alunos respondem bem às nossas propostas, nos sentimos estimulados a melhorar sempre”, conclui.

 

 



INTERDISCIPLINARIDADE EM FAVOR DO CONHECIMENTO

 

A história do Espanhol Santa Maria é relativamente recente. No ano passado, o colégio comemorou 25 anos. A escola começou no Colégio Santa Maria Floresta, quando o padre Antônio Sérgio Palombo de Magalhães convidou a professora Ana Lúcia Goulart Toscano Rios para o desafio de criar um novo colégio na Cidade Nova.

 

As portas foram abertas, então, no mês de março de 1985. O colégio ganharia mais força em 1999, quando o presidente da Sociedade Mineira de Cultura, Dom Serafim Fernandes de Araújo, assinou com a embaixada de Espanha, em Brasília, um convênio de colaboração com o ministério da Educação daquele país. “A partir do acordo, o colégio passou a se chamar Colégio Espanhol Santa Maria Cidade Nova. E tornou-se um estabelecimento educacional bilíngue e integrado na rede de centros espanhóis no exterior”, explica padre José Fernando de Melo, diretor da escola.

 

Segundo o religioso, a disciplina é um dos pilares centrais do colégio. E um dos motivos do sucesso no Enem. Para ele, muitos jovens são criados hoje pelos pais para que todas as suas vontades sejam satisfeitas. E uma das funções do colégio é tentar corrigir este exagero. “Muitas vezes, a família não diz não. Só diz sim. Sim para tudo. Aqui, os meninos aprendem que a vida não é bem assim. E que é preciso também ouvir não”, explica.

 

Padre Fernando conta ainda que todos os alunos do 3º ano têm aulas aos sábados. E que elas são voltadas especificamente para o Enem. “O Enem foi muito importante para o país. Ele ajudou a difundir no Brasil uma pedagogia em que a interpretação é muito importante”, explica.

 

Entusiasta do Enem, o diretor acredita que, com o exame nacional, a realidade do dia a dia está agora mais presente nas aulas. E que isto motiva os alunos. O Projeto Matemático é um bom exemplo disto. “Neste semestre, por exemplo, os alunos criaram para o projeto uma empresa fictícia. Eles tiveram que lançar um produto que não existe. Para isto, tiveram que se valer de conhecimentos de várias áreas: matemática, português, até de marketing. Quer dizer: conhecimento na sua totalidade – interdisciplinaridade”, conta.

 

A boa colocação no ranking deste ano, o 5º lugar entre as escolas particulares de BH pode ainda ser explicada pelo fato de a instituição nunca se conformar com pouco. “Nosso grande desafio é tentar sempre fazer ainda melhor. Tenho horror daquelas pessoas que se contentam com pouco. E tentam nivelar o conhecimento por baixo”, analisa.
 

MENTIRAS E MISTIFICAÇÕES NA ESTATÍSTICA

 

Claudio Moura de Castro

 

Claudio de Moura e Castro, especialista em educação: “A

estatística é a única maneira segura de lidar com fenômenos

descritos por grupos de números”

 

 

Já foi dito que a estatística é a arte de mentir com números. Mas, gostemos dela ou não, a estatística é a única maneira segura e poderosa de lidar com fenômenos descritos por grupos de números. Por exemplo, as centenas de milhões de números gerados no Enem são uma fonte preciosa de informações, desde que saibamos ler o que dizem. Caso contrário, o besteirol domina.

 

Sou contra o ranqueamento das escolas”
Em ciências sociais, não há quilos ou metros, apenas comparações. Os números não têm qualquer significado em si. No limite, a estatística não diz que uma escola é boa, apenas que é melhor que outra com menor pontuação. Portanto, ser contra o “ranqueamento” é ser contra o uso das estatísticas de avaliação, pois essas só adquirem sentido quando comparadas.

 

“52,98% dos alunos ficam abaixo da média”
Esta manchete, em um dos melhores jornais do país, prefacia um tom acusatório. Mas é uma tolice sem tamanho. A média é um número cuja fórmula de cálculo permite encontrar o meio da distribuição. Portanto, quase a metade das escolas obrigatoriamente estará abaixo da média. E isso será sempre verdade, qualquer que seja a distribuição. Se tomarmos a média das dez melhores escolas do Enem, cinco estarão abaixo dela.

 

Que horror, os alunos só acertaram metade das questões”
Quando uma prova é construída – manda a técnica –, é preciso adicionar perguntas difíceis, para separar os sabidos dos muito sabidos. A maioria não vai acertar, pois foram pensadas apenas para os mais preparados. Em uma prova formulada refletindo esses critérios, aproximadamente metade das perguntas será acertada. Tecnicamente, é uma prova bem feita, sob medida para a sua clientela. Mas sendo construída assim, a proporção de acertos nada diz sobre a suficiência ou insuficiência do aprendizado dos alunos.

 

“O São Bento tem 761 pontos e é melhor do que o Santo Antônio, com 740”
Tecnicamente, é verdade. Mas essa diferença entre o primeiro colocado e o quinto é tão pequena que torna-se perfeitamente irrelevante. Se fossem 100 perguntas, seriam duas a mais respondidas corretamente. A margem de erro em um teste desse tipo é muito maior. Diferenças pequenas são convenientes para o marketing de colégios que ultrapassaram seus concorrentes, nada mais.

 

“O Enem prova: o colégio A é pior do que o B”
Suponha-se que A é um colégio excelente e que todos os alunos fazem o Enem. O colégio B é medíocre e somente os melhores 10% se animam a fazer a prova. As comparações entre colégios apenas são válidas quando a proporção que faz o teste é parecida.

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