Para deitar e rolar

por Guilherme Torres 18/10/2011 06:17

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Eugênio Gurgel, Maíra Vieira, Divulgação
Vista panorâmica de uma plantação irrigada: área onde são vendidos em torno de 20 mil m² de grama (foto: Eugênio Gurgel, Maíra Vieira, Divulgação)

Ter um jardim é um prazer que cabe em qualquer metragem. E, com certeza, é o lugar na casa em que todos querem ficar. Seja para quem tem grande espaço no quintal ou desfruta de uma pequena varanda no apartamento, viver rodeado por flores, plantas, arbustos, mesclados com hortas, pérgulas, fontes, e até lagos e espelhos d’água é uma ideia que fisga qualquer um.

 

Porém, para se chegar ao estilo de jardim mais desejado, tudo começa com um belo gramado. É como uma base para verdadeiras obras de arte, as plantas. Mas especialistas alertam para a importância de cuidar da grama: “De nada adianta ter plantas grandes e caras com um gramado ruim. Por isso é importante investir em sua implantação”, explica o engenheiro agrônomo Haroldo Sampaio, um mago das gramas que tem no currículo trabalhos como a reforma do jardim do Palácio da Liberdade, implantação do paisagismo da praça Raul Soares e do jardim da Cidade Administrativa, entre outros.

 

 

 

Ele conta, ainda, que o preparo do terreno, adubação e colocação de condicionador de solo aumentam sim o custo inicial de implantação, mas dão um excelente resultado em vista de trabalhos em que a grama é somente colocada e irrigada – e nunca fica homogênea, bem fechada e bonita.

 

“Para cada situação deve ser avaliado o local, solo, custo de manutenção, inclinação do terreno, etc. Há no mercado brasileiro várias espécies que podem ser utilizadas em jardins, sabendo-se que cada uma delas tem vantagens e desvantagens”, diz Sampaio.

 

O formato da aplicação também varia em dois tipos. Há também a versão em tapete de grama, que se desenvolve com mais rapidez e homogeneidade, ideal para grandes áreas; e os plugs, que são mudas mais econômicas, porém com um crescimento mais lento.

 

Humberto Araújo Neto e Rogério Araújo, da Agéo Gramas: "É um bom negócio produzir grama", diz Humberto
 

 

Para se ter um tapete verdinho, que faz uma composição harmônica de encher os olhos com o restante das plantas, a dica são jardins mais “limpos” (com poucas plantas) e com grandes áreas, para que seja utilizada pelos proprietários. “Ao contrário do que é falado, o gramado é feito para o uso, pisoteio e para brincar”, explica o agrônomo.

 

Em relação à comercialização, o mercado não para de crescer. Apostando no aumento da demanda pela planta, no boom da construção civil e, ainda, de olho nos gramados que irão ser palco para a Copa do Mundo e Olimpíadas no estado, a Agéo Gramas há dois anos entrou de cabeça nesse negócio. Marca com mais de 30 anos de história na agropecuária, a empresa deixou de lado a plantação bem sucedida de milho e feijão, entre outras, para transformar suas terras em pura grama.

 

 

 

Em uma área de 400 hectares (o que corresponde a cerca de 500 campos de futebol), a empresa já plantou e colheu mais de seis milhões de m² e vende em torno de 20 mil m² ao dia. "Hoje é um bom negócio produzir grama. Vimos que o mercado iria crescer, pois são poucas as empresas que fazem um trabalho sério e cumprem  as normas do Ministério da Agricultura através do Sistema Nacional de Sementes e Mudas (SNSM). Estamos nos lançando no mercado do nosso estado para suprir essa demanda”, diz o gerente comercial da Agéo, Humberto Araújo Neto.

 

Porém, o negócio não é brincadeira. O cultivo da grama demanda maquinário específico e de custo alto. Além disso, quando retirados os tapetes verdes, é preciso tratar o solo com produtos e insumos especiais e esperar entre oito meses e um ano, até que cresça outra remessa.

 

Segundo Humberto, apesar de cerca de 60% da grama hoje no país ser comercializada de forma ilegal, considerada de extrativismo (ou seja, planta nativa retirada de um local que não poderia, como em encostas de rios), esse gargalo se torna um ponto positivo para quem produz grama legal, certificada e de qualidade. “As pessoas estão criando o hábito de valorizar o produto de empresas preocupadas e que não agridem o meio ambiente”, diz.

 

 

 

Uma gigante do segmento, com oito unidades de produção no estado de Minas Gerais, e considerada a maior produtora do Brasil, a Itograss está no mercado das gramas desde 1975. A empresa é responsável pelo lançamento da Esmeralda, espécie que corresponde hoje a cerca de 90% do mercado de grama cultivada. Apesar do sucesso no segmento, o gerente comercial da empresa, Maurício Ercoli Zanon, ressalta: "Dependemos do crescimento da economia brasileira, e mais especificamente do crescimento da construção civil, nosso maior consumidor.  

 

 

 

Enfrentamos alguns problemas com o desequilíbrio da relação oferta e demanda; hoje trabalhamos com os mesmos preços praticados a dois ou três anos. Se levarmos em conta o aumento constante de nossos insumos básicos, verificamos então um achatamento em nossas margens. Mas isso são os desafios do setor, e estão aí para serem superados". Um ponto positivo, ele destaca, “É um mercado restrito”. Ou seja, a “mina” das gramas ainda é pouco encarada como o segmento forte que é. Enquanto isso, quem apostou nelas está “deitando e rolando”. No bom sentido, claro.

 

 

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