Ficou mais caro, mas...

por Rafael Campos - Revista do Correio 19/10/2011 09:32

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Paulo Márcio, Denny Sach
Miriam Ribeiro e o marido, Luis Cláudio Vargas: se anteciparam para garantir o valor mais baixo (foto: Paulo Márcio, Denny Sach)

O aumento do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) dos carros importados anunciado pelo governo no fim da primeira quinzena de setembro sacudiu o mercado. As importadoras questionaram e ameaçaram até entrar na justiça contra a aceleração repentina do imposto. O governo se defendeu, afirmando que a medida foi tomada visando à proteção do mercado brasileiro e os empregos. Por outro lado, muitas pessoas correram para as concessionárias para garantir o seu importado sem a taxação, que poderá render o aumento de 25% a 28%, segundo o ministro da Fazenda Guido Mantega.

 

Ruy Carlos Barbosa, diretor da Kia Brisa, afirmou que, logo após o aumento do imposto, a concessionária de BH apresentou grande movimento, já que ainda restavam no estoque veículos taxados com a alíquota antiga. “Negociei mais de 300 carros em menos de 15 dias”, revela. As pessoas chegavam aqui e compravam carros para a família toda.

 

É o caso da empresária Miriam Campanha Ribeiro, de 35 anos, e de seu marido, o cantor Luis Cláudio Vargas, de 36. Eles aproveitaram a taxação antiga para adquirir mais dois carros do modelo Kia Sorento. Meses atrás, o casal já havia comprado dois veículos da mesma marca e modelo da montadora coreana. “Já estávamos pensando em comprar, mas com o aumento anunciado resolvemos antecipar. Estou muito satisfeita”, comemora. Mãe de dois filhos, Miriam optou pelo modelo por causa do espaço interno. “São sete lugares. Minha família é grande”.

 

Para Miguel Albino, superintendente da concessionária Audi Carbel em BH, outra montadora atingida pelo aumento do IPI, medidas deverão ser tomadas para atenuar a sobrecarga para o consumidor. De acordo com a Audi, os valores antigos serão mantidos para aproximadamente 900 modelos deste ano que ainda restam no estoque. Os modelos de 2012 receberão a nova taxação gradativamente. O reajuste será de 10% até 31 de outubro.

 

Delfim Netto, ex-ministro do Planejamento: aumentar, ok, mas de forma gradual
 

 

A medida do governo continua repercutindo e rendendo críticas. O presidente da Federação das Indústrias da Alemanha (sede de montadoras como Audi e Mercedes), Hans-Peter Keitel, afirmou que medidas protecionistas em geral pioram a situação financeira dos países que a adotam. A Encontro, o economista e ex-ministro do Planejamento Delfim Netto deu sua opinião sobre a medida tomada por Guido Mantega: “Acredito que tal medida deveria ter sido executada com um pouco mais de cuidado, sem essa instantaneidade. Tinha que ter dado 90 dias para elas (importadoras) se ajustarem”, afirmou Delfim Netto, sobre o imposto ter entrado em vigor um dia depois de ser anunciado. De acordo com Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia, “o princípio de noventena (90 dias) é para criação de novos impostos, e não para uma mudança de alíquota”.

 

A elevação do IPI atingiu em cheio montadoras chinesas que estavam fazendo a festa no mercado brasileiro. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), no acumulado até agosto deste ano, foram vendidos 22.322 veículos das principais montadoras orientais no país: Chana, Chery e Jac Motors. O presidente da Jac no Brasil, Sérgio Habib, chegou a admitir que o decreto do governo poderá alterar os planos de construção de uma fábrica no país, anteriormente prevista para o próximo ano. De acordo com a montadora chinesa, o investimento seria de US$ 600 milhões.

 

 

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