Roupa sem validade

por Ana Cláudia Esteves 19/10/2011 13:32

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Geraldo Goulart, Maíra Vieira, Cláudio Cunha
arla Mendonça, pesquisadora de moda: comprou em um brechó uma bolsa de R$ 5 mil por R$ 800 (foto: Geraldo Goulart, Maíra Vieira, Cláudio Cunha)

A moda está a todo vapor, mais acessível e atinge um número cada vez maior de seguidores, que não só usam, mas também falam sobre suas tendências e estilos. O que importa agora não é só a marca, nem tampouco o luxo. Um bom olho clínico, uma pitada de bom gosto e um toque de ousadia pode ser a receita certa para compras de sucesso, em qualquer tipo de loja.

 

Estamos diante de uma era de renovação de padrões e conceitos no vestuário. Foi-se o tempo, por exemplo, em que os brechós eram considerados lojas de roupas velhas, para quem não só queria, mas também precisava economizar. Também ficou para trás a ideia de que era necessário vasculhar minuciosamente as araras e prateleiras desses lugares para achar algo realmente interessante: a moda vem valorizando o estilo de épocas passadas e agora esses espaços são superprocurados por gente de todas as idades, estilos e poder aquisitivo.

 

Eles estão por toda parte e guardam verdadeiras preciosidades: etiquetas poderosas de décadas recentes e remotas, de qualidade e designs incontestáveis. Essa onda, que começou a se propagar nos anos 1990, saiu da Europa para o resto do mundo e agora vem se tornando indispensável, principalmente para quem adora ousar e incorporar o estilo vintage – que nada mais é que a moda de 20 anos atrás.

 

“O brechó, diferentemente das lojas comuns, não segue coleções e tendências. Ele mostra uma moda atemporal, que me dá muitas possibilidades, independentemente da estação do ano”, conta Raquel Tavora, dona do Brilhantina, um dos endereços mais procurados da capital mineira. Ela ainda completa: “Você encontra coisas antigas com um diferencial incrível, que além de um acabamento apurado, tem matérias-primas esmeradas, difíceis de plagiar. São peças feitas em pouca quantidade”.

 

Raquel Tavora, em sua loja no bairro Bairro Savassi: “O brechó mostra uma moda atemporal, que me dá muitas possibilidades, independentemente da estação do ano”
 
A arquiteta Manoela Beneti, que gosta de misturar estilos em suas produções: “Passei a amar brechós, porque neles encontro uma beleza eterna, que não tem data de validade”
 

 

Não só pela profissão, mas também por não resistir aos achados de outros tempos, a pesquisadora de moda Carla Mendonça sempre teve o costume de garimpar esse tipo de loja mundo afora. Em sua última viagem ao exterior, ela conta que fez ótimo negócio: “Eu estava em Nova York e, ao entrar em um brechó, me deparei, logo na entrada, com uma bolsa que eu sempre quis ter. Não acreditei que ela estava sendo vendida ali, e o melhor, paguei R$ 800 no que antes me custaria no mínimo R$ 5 mil”, diz Carla sobre a nova aquisição.

 

Manoela Beneti, arquiteta, é supermoderna ao se vestir e não abre mão de um toque de classe em suas produções. “Não acompanho à risca as tendências. Compro o que gosto, independentemente do que dita a moda. Eu passei a amar os brechós, porque neles encontro uma beleza eterna, que não tem data de validade”, conta.

 

E para quem realmente gosta é de coisas antigas, esse é o metro quadrado dos sonhos. Muito bem selecionadas, roupas, sapatos, bolsas, brincos, lenços, óculos, broches e bijuterias em geral, das mais incríveis décadas, fazem as clientes viajarem no tempo. Sem contar os chapéus: os brechós são verdadeiros tesouros quando se trata deste acessório, que traduz requinte e classe para as ocasiões mais especiais.

 

E foi através deste encanto pelo o antigo, que a empresária Íris Chaves “cansou de ser madame” e tirou do armário lindas peças que guardava em seu acervo de compras feito em algumas de suas viagens pelo mundo. Ela, que também é estilista, resolveu montar um espaço onde pudesse dividir algumas de suas riquezas com quem entende e aprecia o retrô. “Vejo cada uma dessas peças com o peso de um passado e uma história a se respeitar, por isso as trato como relíquias a serem restauradas e mantidas com cuidado”, diz Íris, que para abrir seu brechó contou com uma ajudinha muito especial: a irmã, Iara Chaves, que morou em Paris por 15 anos, garimpou, durante todo esse tempo, verdadeiras joias da moda antiga. “Quando ela voltou para o Brasil definitivamente, trazendo uma bagagem que levou três meses para chegar, vi que ela já tinha praticamente montado um brechó pensando em mim”, diz Íris, dona do Cansei de Ser Madame.

 

Íris Chaves, empresária: ela criou um espaço com peças que guardava em seu acervo, adquiridas em algumas de suas viagens pelo mundo
 
Ana Ester, proprietária de famoso brechó em BH, que já foi frequentado por clientela mais alternativa: “Hoje, as pessoas vêm buscando maior identidade com o vestuário”
 

 

Há 15 anos nesse mercado e com invejável conhecimento de causa, Ana Ester, proprietária de um dos mais famosos brechós de Belo Horizonte, o Santíssima, orgulha-se da fase atual. Quando ela começou, os brechós eram undergrounds, e a clientela era bem alternativa. “Hoje em dia, as pessoas vêm buscando maior identidade com o vestuário”, diz a empresária.

 

Além disso, a preocupação com a questão de sustentabilidade também conta na hora de optar por um produto seminovo também na moda, explica Ana Ester, que já vestiu com seu acervo atores de televisão em produções como a minissérie como Hilda Furacão, o programa A Grande Família e novelas como A Favorita e Celebridade. No momento, com sua loja fechada para reformular conceitos e achar nova localização, ela atende as clientes em suas casas ou escritórios.

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