Novo Hilton Rocha: sem verticalização

por Rafael Campos - Revista do Correio 07/11/2011 11:02

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Cláudio Cunha, Maíra Vieira, João Carlos Martins, Divulgação
Perspectiva do novo Hilton Rocha: ideia de integrar o edifício à paisagem da Serra do Curral (foto: Cláudio Cunha, Maíra Vieira, João Carlos Martins, Divulgação)

Não se sabe ainda o que vai acontecer com a lei de incentivos a obras para Copa do Mundo de 2014, amplamente debatida pelos vereadores, mas uma coisa é certa: Belo Horizonte vai ganhar um moderno centro de referência em oncologia. O projeto vai marcar a reabertura do prédio do Instituto Hilton Rocha, localizado aos pés da Serra do Curral, no Mangabeiras, região centro-sul.

 

O projeto prevê a utilização da estrutura já existente, ou seja, não haverá construção de mais andares, uma das principais preocupações de moradores e ambientalistas. “Não haverá verticalização”, afirma Flávio Carsalade, responsável pela concepção do projeto. A ideia do especialista é integrar o prédio à paisagem da serra, como mostra a perspectiva obtida por Encontro (foto). “O edifício atual é ultrapassado. Ele foi erguido há 40 anos. Nossa intenção é qualificar a Serra do Curral”, diz Carsalade. Conforme o arquiteto, na reforma serão usadas cores, formas e texturas que se integram ao aspecto da região.

 

Roberto Fonseca e Amândio Soares, proprietários da Oncomed: “Nossa proposta é trazer o que há de mais moderno em equipamentos de combate ao câncer”, diz Fonseca
 

 

“Vamos diminuir a presença do prédio e aumentar a da serra. A ideia é utilizar materiais como o ferro na estrutura, principalmente utilizando uma variação de cor marrom”, explica o arquiteto. Conforme o projeto, as janelas de todos os andares serão recuadas para a manutenção de um jardim. Um vidro que já existe na fachada do prédio será espelhado, para, segundo Flávio Carsalade, criar um diálogo entre o edifício e a cidade.

 

Além da reforma no prédio, que estava fechado há dois anos, há previsão de um estacionamento ao lado, que ofereceria vagas para aproximadamente 300 veículos – tentativa de reduzir o impacto no trânsito das ruas vizinhas. Melhorias no entorno do prédio, colocando cobertura vegetal em áreas que estariam degradadas, também estão na pauta dos trabalhos.

 

Prédio atual do Hilton Rocha, erguido na década de 1970: referência na área de oftalmologia no Brasil. Hoje, uma construção degradada
 

 

O prédio do Instituto Hilton Rocha foi adquirido em 2009, em um leilão, pelo grupo Oncomed, especializado em tratamento de câncer e que mantém uma clínica há 16 anos na capital. De acordo com Roberto Fonseca, diretor do grupo, a ideia de montar um centro referência em tratamento de câncer era um desejo antigo. “Nossa proposta é trazer o que há de mais moderno em equipamentos de combate ao câncer”. A previsão inicial é de que o novo hospital ofereça 120 leitos. Além da oncologia, Fonseca revela que a oftalmologia, carro-chefe do Instituto Hilton Rocha a partir da década de 1970, também será oferecida no novo hospital. Segundo ele, a estimativa é de que o hospital abra as portas até 2014.

 

O médico Antônio Carlos Correa, de 67 anos, mora há 10 anos no Mangabeiras e se posiciona contra o empreendimento. “A cidade precisa de um hospital oncológico, mas em área hospitalar”, diz. Para o médico, o volume do tráfego iria atrapalhar a principal via de acesso ao parque das Mangabeiras.

 

Entretanto, a artista plástica e designer de jóias Ângela Abdalla Geo, de 45 anos, que mora bem em frente ao futuro centro oncológico, não enxerga problemas no projeto. “O hospital sempre funcionou aqui e nunca houve transtorno no trânsito”, afirma Ângela, que mora há 30 anos na avenida José do Patrocínio Pontes.

 

Marcelo Teixeira, secretário de Saúde de BH: “Déficit de leitos, tanto na saúde pública quanto na suplementar, chega a 700”
 

 

O anúncio agradou também a quem lida diariamente com a saúde. Enaldo Melo de Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, acredita que a notícia é um resultado das estatísticas que mostram o aumento da incidência da doença a cada ano. “Em 2020, o câncer será a principal causa de mortes no mundo; por isso, a demanda por ambulatórios e serviços hospitalares será maior”, afirma.

 

O secretário municipal de Saúde, Marcelo Teixeira, enxerga com bons olhos o anúncio da transformação do que ele chamou de um passivo urbano. “Há um déficit de leitos em Belo Horizonte, tanto na saúde pública quanto na suplementar, que chega a aproximadamente 700 vagas”, revela o secretário. Quanto às opiniões contrárias ao empreendimento, Teixeira acredita que o hospital não deve gerar dor de cabeça para a vizinhança. “Apesar de a discussão ser natural e saudável, o hospital não será um pronto-socorro ou pronto atendimento; o perfil é outro”. E acrescenta: “não há a intenção de verticalização, e isso nos tranquiliza”.

 

Helton Freitas, diretor presidente da Unimed-BH,: “Um hospital deve estar perto das pessoas e, para tratamento de câncer, o lugar é perfeito”
 

 

Helton Freitas, diretor presidente da Unimed-BH, compartilha da opinião do secretário municipal de saúde. Ele destaca a boa localização do futuro centro oncológico. “Um hospital deve estar perto das pessoas e, para tratamento de câncer, o lugar é perfeito. Não se pode fazer um hospital no fim do mundo. Ele deve estar em vias nas quais as pessoas possam acessá-lo com facilidade”. Além disso, segundo ele, a criação do centro possibilitaria a geração de mais empregos na área da saúde. “Um leito hospitalar gera cinco empregos diretos e dois indiretos. E não são atividades cíclicas ou temporárias”, afirma Freitas.

 

 

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