Louco ou visionário

por Nayara Menezes 07/11/2011 13:40

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Cláudio Cunha, Divulgação
Terreno onde será construído o Reserva Real: projeto de R$ 1,5 bilhão de José Miguel Roque Martins (foto: Cláudio Cunha, Divulgação)

Sobre uma imensa área verde, equivalente a todo o perímetro que abrange a Avenida do Contorno, ele discorre sobre o futuro. Vislumbra o megaempreendimento que será erguido sobre os 10 milhões de metros quadrados localizados na cidade de Jaboticatubas. O Reserva Real, como foi batizado, promete ser mais uma consagração do vetor norte de Belo Horizonte. “Esta é, sem dúvida, a melhor região para se investir hoje no Brasil”. A afirmação, aparentemente surpreendente, é de José Miguel Roque Martins, proprietário da Design Resorts e idealizador do ambicioso projeto que inclui mansões milionárias, com pistas de pouso privadas, espaços múltiplos de lazer e diferenciais como o maior complexo de golfe do Brasil, um clube social, uma hípica e, ainda, um centro de treinamento de tênis, que deve ser o melhor do país.

 

Apesar de tudo isso soar como sonho de Midas, o sucesso do lançamento da primeira etapa, com 65% de venda dos lotes oferecidos, desperta, no mínimo, uma curiosidade: afinal, Zé Miguel, como é mais conhecido, seria um louco ou um visionário? Ele sonha alto demais ou apenas é um homem que enxerga à frente de seu tempo?

 

As opiniões são divergentes no mercado imobiliário. Para o presidente da imobiliária Gribel Pactual, Ricardo Pitchon, o projeto é grandioso, mas ainda tem importantes passos a dar. “É um conceito inovador, mas não é simples de ser executado. Ter um condomínio com pistas de voo, por exemplo, é mais complicado do que parece. Aviões não são como carros, que precisam apenas de gasolina para andar e uma garagem para estacionar. Será necessário construir um hangar com manutenção especializada. E, sinceramente, não sei se Minas tem essa demanda”. A localização também é criticada pelo empresário. “Mesmo que haja planos futuros, ainda não há uma boa via de acesso ao local, o que o torna longe”. O presidente da Gribel Pactual elegeria o vetor sul para um empreendimento deste porte. “Sabemos do crescimento promissor do vetor norte. Mas o público para esse tipo de negócio continua morando na zona sul e, dificilmente, isso mudará no curto prazo. O mineiro é conservador, resistente a mudanças”, avalia.

 

As obras em partes do terreno já começaram: há seis anos, o metro quadrado valia R$ 1; hoje, vale R$ 35
 

 

Já para o diretor de vendas da Gran Viver Urbanismo, Marco Túlio Silva, a localização do empreendimento foi o maior acerto de Zé Miguel. “Eu confesso que, há cinco anos, quando fiquei sabendo da localização do empreendimento, cheguei a pensar que o Zé Miguel era um louco, que não conhecia Minas. Mas hoje, tenho que admitir que ele não poderia ter feito escolha mais acertada. Nós, do setor imobiliário, aprendemos muito com ele. Às vezes é preciso arriscar, olhar adiante, para colher os frutos. E tenho certeza que ele colherá bons frutos dessa brilhante ideia”, afirma.

 

Foi exatamente o local escolhido que fez o empresário Luiz Eduardo Viotti adquirir um terreno no Reserva Real. “Sou mineiro, mas moro em São Paulo há 12 anos. Por isso, a possibilidade de ter uma casa de campo próxima ao aeroporto e à Serra do Cipó, que eu adoro, será extraordinário. Pretendo criar uma base em BH, para que possa vir visitar a família e os amigos e desfrutar de momentos de lazer”, relata Viotti.

 

O que também fisgou a atenção do empresário foi a grande oferta de esportes dentro do condomínio. “Eu sou amante dos esportes. Jogo tênis e pretendo aprender o golf. Lá, teremos a oportunidade de praticar vários esportes”. Além do complexo de golf, um centro de treinamento, que será montado por Paulo de Tarso, presidente da Oficina do Tenista, promete agradar em cheio aos moradores. “Belo Horizonte vai ganhar o melhor centro de treinamento da cidade e, provavelmente, do país. Serão 24 quadras, com três pisos distintos. Será um local para receber grandes torneios e eventos”, afirma Paulo de Tarso. Ele lembra ainda que nos últimos anos as melhores academias de tênis da cidade fecharam. “A tendência é de que o esporte migre para os condomínios. E o Reserva Real provavelmente será o mais preparado da cidade para receber os praticantes”, comenta.

 

Para Fabiano Abrão, do grupo Partnes, que tem empreendimentos na mesma região, o Reserva Real vem para atestar a credibilidade do vetor norte como bom local para se investir e morar.

 

“Quando o Zé Miguel chegou, despertou uma grande desconfiança no mercado. Era um projeto muito arrojado para a região. Diferente de tudo que existia ali. Mas ele foi fazendo tudo certo, aos poucos, sem queimar etapas. Conseguiu o licenciamento ambiental necessário, fez o projeto de melhoria do acesso e foi conquistando todos por aqui. E hoje as máquinas estão lá, trabalhando a todo vapor, para provar que o sonho dele está prestes a virar realidade”, opina . Para o diretor de vendas do Grand Vivere, o sucesso do empreendimento se deve principalmente à habilidade de se relacionar do idealizador do projeto. “O Zé Miguel chegou aqui como um forasteiro, pois veio de outro país. Mas, com seu jeito sério, ao mesmo tempo cativante, ganhou a simpatia e a credibilidade de todos nós. Temos que tirar o chapéu para este homem, que vai deixar um marco para a cidade. O Reserva Real estará para Jaboticatubas assim como o Inhotim está hoje para Brumadinho, ou seja, será uma referência, um local para ser visitado”, aposta Marco Túlio Silva.

 

Perspectiva do Hotel Twist Inn Reserva Real, do grupo Sleep Hotels, parceiro do Design Resorts
 
Perspectiva do Ponta Bicuda 2, empreendimento em Cabo Verde , do Grupo Design Resorts
 

 

E a escolha do vetor norte não foi aleatória, como conta Zé Miguel. “Há seis anos, quando resolvi vender a incorporadora que tinha em Portugal para criar a Design Resorts, tinha um sonho: criar uma comunidade”. Foi então que José Miguel e seu sócio na Design Resorts, Manoel Rios, estudaram as possibilidades de concretizar o desejo. Pensaram em três locais, que se mostravam como os melhores para se investir naquele momento, considerando um futuro a médio prazo. “As opções eram Estados Unidos, Brasil e Ásia”. O Brasil e os países asiáticos se revelaram com maior potencial de crescimento econômico. “Não há nenhum local no mundo, fora da Ásia, que tenha uma perspectiva de expansão como a do Brasil. Pela proximidade com a cultura e a língua, não tivemos dúvida de que aqui era o melhor lugar”, explica.

 

Escolhido o país, era hora de eleger a cidade. Depois de fazer um reconhecimento do território brasileiro, andando de norte a sul do país, São Paulo e Rio de Janeiro foram as primeiras hipóteses levantadas “O Rio foi descartado pelo problema da violência e outros pontos que nos mostraram que não comportaria um empreendimento deste porte”. A capital brasileira dos negócios ficou sendo a favorita para a implantação do empreendimento. Tanto que os sócios abriram em São Paulo a primeira filial brasileira da empresa. Mas ainda sem a convicção de que tinha encontrado o local ideal, José Miguel resolveu conhecer Minas Gerais por indicação de um amigo. “A primeira impressão não foi das melhores. As estradas eram muito ruins e isso me assustou um pouco”. Mas nesse caso, o ditado não se confirmou, pois a primeira impressão não foi a que fez a cabeça de Zé Miguel.

 

Ao final dos três dias de estadia veio a certeza: “O vetor norte de Belo Horizonte era o local que procurávamos”. Uma cidade pungente, com economia forte, boa administração e muitos projetos em andamento, nas palavras de Zé Miguel, se revelaram uma combinação ideal. “O aeroporto tinha possibilidade de crescimento, ao contrário de Rio e São Paulo. Todas as atividades sofisticadas de hoje precisam de internet e de transporte rápido e eficiente, que, no caso, é feito pelo aeroporto.” A instalação da Cidade Administrativa também foi crucial para a opção pelo vetor norte. “O poder proporciona desenvolvimento. Temos vários exemplos disso na história, como Madrid, que nasceu 500 anos após Barcelona, mas que, devido à instalação do poder, é hoje três vezes maior que Barcelona”.

 

As terras na região de Jaboticatubas foram compradas a preço de banana, como José Miguel define. “Para se ter uma ideia, o preço do metro quadrado na época era de R$ 1. Hoje, seis anos após a compra, já vale R$ 35.” O empresário prefere não revelar o valor do retorno financeiro que terá, mas garante que até agora o sucesso alcançado foi maior que o esperado. O investimento é de aproximadamente R$ 1,5 bilhão. Apenas 9% do total da área serão construídos, pois a intenção é preservar a natureza no local.

 

A obra está dividida por fases. Na primeira delas, com conclusão prevista para final de 2013, será inaugurada a Prime Comunitty, que inclui 960 terrenos da Fly In, o Golfe 1, o Golfe 2 e a hípica. A Up Town, zona de comércio que deve agregar lojas de grifes, bancos e outros serviços, também já funcionará em menos de dois anos. Até 2020, José Miguel espera ver todo o projeto concluído.

 

Hoje, o empresário vive na ponte aérea entre Belo Horizonte e Lisboa, já que a família ainda não quis mudar-se para o Brasil. “Passo três semanas do mês aqui e uma em Portugal”, conta. Mas ele garante que assim que sua casa, localizada no Fly In, ficar pronta, ele se muda para o Brasil junto com a esposa e a filha caçula. “Elas moram em um confortável sítio em Lisboa. Por isso, não querem sair de lá. Mas quando o Reserva Real ficar pronto, tenho certeza de que elas não resistem e mudam-se todas para cá”, brinca o pai de três filhas Marias: Maria Carlota, Maria Francisca e Maria Joaquina. O português, que já se enraizou em terras mineiras, asegura: “Para lá não volto mais. Minha vida agora é aqui, tocando o Reserva Real”. Quando feita a pergunta se ele se acha um louco ou um visionário, Zé Miguel responde tranquilamente: “Nem um nem outro; sou racional”.

 

O empresário é formado em economia pela Universidade de Lisboa e cursou MBA nos Estados Unidos. Já trabalhou como CEO (chief executive officer) de várias incorporadoras portuguesas. Tem vasta experiência no setor imobiliário, com a construção de edifícios e condomínios de luxo, além de resorts de turismo. Mas revela que se cansou de construir prédios. “Não tem muito espaço para criar algo novo”. Por isto, há seis anos decidiu criar a Design Resorts, em sociedade com o amigo Manoel Rios. “O nosso objetivo agora é criar comunidades”. A ideia veio da percepção de um sentimento comum nos moradores das metrópoles mundiais: “As pessoas que vivem nas grandes cidades ganham um anonimato, e muitas têm o desejo de mudar isso. Querem pertencer a um grupo, conhecer seu vizinho, saber quem ele é, dar bom dia e boa noite. Enfim, serem parte de uma comunidade. E é isso que faremos por elas; não construiremos simples prédios ou condomínios, mas sim comunidades.”

 

 

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