Cenas da gente brasileira

por Simone Dutra 22/11/2011 06:41

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Eugênio Gurgel
Mário Mariano se inspirou em mestres consagrados da arte (foto: Eugênio Gurgel)

As imagens do artista plástico mineiro Mário Mariano guardam certa inocência. São cenas do cotidiano de um observador incomum. Alguém cujo olhar capta a pureza de um primeiro instante. São imagens do testemunho do próprio artista, que passou a infância em cidades mineiras. As cores são quentes e as expressões, leves. Seus temas são pessoas do povo em cirandas, rodas de samba, casamentos, colheitas de frutas e cabarés.

 

Nascido em Uberaba, aos quatro anos Mariano já exibia habilidades artísticas. Seu primeiro desenho expressivo foi o de três trabalhadores voltando do campo. “As cenas do cotidiano fazem parte da minha trajetória, e ao longo dos anos elas foram se aperfeiçoando”, diz o artista. Seu pai era coletor estadual, por isso morou em várias cidades mineiras. Em 1970 veio para Belo Horizonte e começou a trabalhar em uma agência de publicidade.

 

Costumava pintar à noite e durante a madrugada. Um momento decisivo em sua carreira foi o encontro com Elzira Silva, dona de um comércio de material para pintura, na Galeria do Ouvidor. Ela pediu a ele que deixasse algumas obras em sua loja e elas tiveram rápida saída. Quando o mecenas Samuel Rosembaun passou por lá, viu os quadros e o convidou para sua primeira exposição coletiva, na Associação Israelita Brasileira. A primeira individual aconteceu em 1972, através do marchand Fernando Paz, na Galeria AMI, em BH, e simultaneamente no Rio de Janeiro, em Brasília e Salvador.

 

1 - O esboço do quadro chamado Os ciclistas: estará presente na próxima exposição, no ano que vem
2 - Obra chamada Mesa de samba: pintada em 2009, o quadro tem 1,30 x 1,70 cm
3 - Florista de branco: quadro de 65 x 50 cm feito por encomenda
 

 

Entre os mestres com quem a arte de Mariano dialoga estão Pablo Picasso, Toulouse Lautrec, Cândido Portinari e Cícero Dias, entre outros. “Eles me serviram apenas como ponto de apoio, pois sou um artista autodidata. Não tive aula de artes plásticas e criei meu próprio estilo”, diz. Hoje ele tem obras espalhadas pelo Brasil, Inglaterra, Alemanha, Canadá, EUA, Israel, Itália, França e Japão. Recebe muitas encomendas e uma delas chama a atenção pela grandiosidade no tamanho e riqueza de detalhes. Trata-se de um quadro de 12 metros de altura, que foi encomendado para a inauguração de uma cafeteria na sede da Vallourec&Mannesmann, em Belo Horizonte. “Eles me contrataram para fazer uma pintura retratando os próprios funcionários da empresa. Foi uma grande emoção, principalmente para os mais antigos”, afirma.

 

Mariano conquistou diversos salões e prêmios ao longo de sua vida artística, entre eles o Primeiro Lugar em Artes Plásticas, em 1972, na cidade mineira de Itabira; a Comenda Santos Dumont, pelo governo de Minas Gerais, em 1983; e o prêmio Excelência 2004, em homenagem especial ao Centenário Cândido Portinari, concedido pela Ciemg. “Minha próxima exposição está programada para o final ano que vem, na Galeria Errol Flynn. Pretendo levar aproximadamente 30 quadros”.

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