Fábrica de cidadãos

por Marcelo Fiuza 22/11/2011 06:55

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Crianças participam de oficina criativa em Igarapé: participação do público infantil é majoritária (foto: Divulgação)

O sorriso estampado no rosto das crianças diante da tela de cinema montada na praça foi o que mais chamou a atenção do empresário Inácio Ribeiro Neves quando o Circuito Usiminas de Cultura passou por Itatiaiuçu, em agosto deste ano. Proprietário da Cinear, empresa especializada em promover exibições itinerantes de filmes, Neves não esperava encontrar a mesma expressão de admiração do público em uma cidade da região central do estado, a apenas 35 km de Belo Horizonte.

 

“A reação da maioria das pessoas era de alegria. Ouvi muitos comentários de quem nunca esteve em um cinema. Já vi isso em cidadezinhas na beira do rio São Francisco, mas estávamos próximos a grandes centros e cidades com shoppings”, diz o empresário, entusiasta do projeto desenvolvido pelo Instituto Cultural Usiminas (ICU) que promove a democratização da cultura pelo interior do estado.

 

Realizada entre junho e setembro, a segunda edição do Circuito Usiminas de Cultura levou aos municípios de Pouso Alegre, Santana do Paraíso, Itatiaiuçu, Igarapé, Mateus Leme e Itaúna uma série de espetáculos de música, teatro e circo, além de oficinas e exibição de filmes. Apresentações de grupos como Armatrux, Companhia Suspensa, Rubinho do Vale e Caravana Poética foram realizadas gratuitamente em praças, escolas e ginásios das cidades.

 

Além de ter dobrado o número de municípios visitados – de três para seis –, o projeto triplicou o número de espectadores, de 10 mil para 30 mil. “No ano passado, realizamos ações em Santana do Paraíso, Mateus Leme e Itatiaiuçu. Foi uma espécie de laboratório. Neste ano, ampliamos as atividades e já percebemos como as ações realizadas com a participação das prefeituras contribuem para a evolução cultural dessas populações”, diz Pedro Melo, coordenador de projetos do ICU.

 

“Pensamos sempre em mesclar conhecimento com diversão, pois é assim que tentamos contribuir para a formação social dos cidadãos. Temos atrações variadas, que vão da dança contemporânea à música erudita, todas gratuitas, pois nosso objetivo é democratizar o acesso à cultura”, acrescenta Melo, para quem a fórmula deu certo e, por isso, em 2012, o Circuito Usiminas de Cultura será novamente ampliado. “Vamos acrescentar mais uma ou duas cidades, além de manter todas as que foram contempladas em 2011.”

 

Rubinho do Vale em seu espetáculo, em Santana do Paraíso: “É a oportunidade de fazer um rico intercâmbio”
 

 

Para o prefeito de Itatiaiuçu, Wagner Mendonça, a importância do projeto é dar acesso ao entretenimento de boa qualidade a populações do interior que estão fora do eixo cultural das metrópoles. “Nós nunca tivemos cinema ou teatro na nossa cidade, e a exibição de filmes e encenação de peças por aqui movimentaram as pessoas. Isso desperta a população para uma nova experiencia estética e cultural”, diz.

 

Secretária de Educação do mesmo município, Elizabete Matos destaca como ponto positivo do Circuito a presença dos artistas nas escolas da cidade. “Eles foram até os alunos, e isso foi ótimo”, diz a educadora, segundo a qual o ponto alto foram as exibições do longa-metragem nacional “O Bem Amado” e da animação Como Treinar o seu Dragão em praça pública.

 

Em Pouso Alegre, a situação não é diferente. Segundo o secretário municipal de Cultura, Rafael Huhn, o melhor do projeto itinerante foi despertar nos estudantes o interesse pela arte. “Tivemos pela primeira vez um cantor lírico na igreja matriz, além de oficinas nas escolas e peças de teatro de referência nacional. Essas atrações promoveram uma interlocução de públicos diferentes e, sem dúvida, reforçaram o calendário cultural da cidade, mas o envolvimento das crianças com a cultura foi o principal mérito do evento, diz Huhn.

 

O cantor e compositor Rubinho do Vale, um dos artistas do circuito deste ano, apresentou o espetáculo Trem da História, voltado para o público infantil. “Vou com o coração aberto, não com a ideia de levar algo, mas de trocar e aprender. Em cada cidade conheço coisas novas, mais brincadeiras. É uma oportunidade de fazer um rico intercâmbio”, diz Rubinho.

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