Nas telas 2

por José João Ribeiro 22/11/2011 07:19

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Divulgação
Cena do filme Os Três Mosqueteiros: história deturpada e efeitos de computador (foto: Divulgação)

Determinados clássicos da literatura universal são objeto de uma constante e massiva obsessão por parte dos grandes estúdios na Califórnia. Hollywood assume, sem constrangimentos, que um remake bem caprichado pode equilibrar o caixa ou, simplesmente, turbiná-lo. Como sempre na indústria de espetáculos, tudo começa com as melhores intenções. Mas, como pondera o ditado: “De boas intenções, o inferno...” Já nas iniciais intervenções, feitas por produtores poderosíssimos, o enredo, fatalmente inspirado em uma obra europeia, é mutilado e incorpora um ritmo mais atual e diferenciado. O novo Os Três Mosqueteiros respeitou somente a premissa e o espírito de seu criador, Alexandre Dumas. E isso representa muita coisa, se consideramos que o diretor responsável, Paul W. S. Anderson, ostenta orgulhoso um currículo salpicado por filmes em que os carros sempre capotam e a pancadaria emenda uma cena na outra.

 

A história tem como primeiro cenário Veneza, na Itália. Athos, Porthos e Aramis são traídos pela cruel e sensual Milady, no roubo orquestrado do projeto de construção de um dirigível, assinado por ninguém menos que Leonardo da Vinci. As imprecisões históricas e os absurdos não se restringem a essa primeira sequência. O longa-metragem se compromete a ser fiel ao original de Dumas somente no clima tenso e de iminentes conspirações da corte de Luís XIII e da Rainha Ana. O Cardeal Richelieu, um dos vilões preferidos do cinema, recebe nesta recente versão a companhia de um poderoso articulador da coroa inglesa, o Duque de Buckingham. Juntos, a trinca de antagonistas ambiciona o poder, condicionada à derrocada do trono francês. Mas a oposição dos remanescentes mosqueteiros, aliados ao jovem e impetuoso D’Artagnan, não medirá esforços na luta contra os que inventam rebuscadas artimanhas.

 

A milionária e vistosa adaptação não transige na clara intenção de ser um filme “capa e espada” que procura, sobretudo, atrair o público jovem. A recriação da França do século XVII por efeitos de computação, quando vigia a monarquia que não se envergonhava em esbanjar, impressiona a plateia. Grande mérito do filme, pois basta recordar que há 10 anos a avalanche de Oscars para Gladiador estava diretamente comprometida à novidade de Ridley Scott exibindo grandes planos da Roma Antiga. Aliás, os recursos adotados em Os Três Mosqueteiros colaboram muito no ritmo assumido pelo roteiro. A frenética cena sob a Catedral de Notre Dame, que faz jus ao recurso 3D, tantas vezes banalizado, é digna de causar inveja à franquia Piratas do Caribe.

 

No elenco, os que flertam diretamente com a vilania são os que merecem mais destaque: o britânico Orlando Bloom, muito à vontade, parece brincar com as caras e bocas de seu pedante Duque de Buckingham; “revelado” por Quentin Tarantino em Bastardos Inglórios, Christoph Waltz recorre à interpretação mais contida que um Cardeal Richelieu teve até hoje; e a deusa Milla Jovovich, que se esforça, mas repete as mesmíssimas marcações da saga Resident Evil.

 

Os Três Mosqueteiros, espertamente, já tem uma continuação no forno. A última tomada é clara a esse respeito. Para confirmar uma tendência, Hollywood promete entregar uma profusão de novas refilmagens: O Morro dos Ventos Uivantes, Ana Karenina, O Grande Gatsby e Os Miseráveis.

 

Filmes feitos a partir de obras-primas começam em categórica seriedade e nos fatais enxertos; deixam a arte em suspenso para privilegiar a maldita rentabilidade. Uma grande pena, pois muitos deles ainda não têm uma versão definitiva.

Últimas notícias

Comentários