Ficou para depois

por Cândido Henrique Silva 08/12/2011 11:06

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Geraldo Goulart, Nereu Jr
Pedestres e carros disputam a rua: desrespeitar a faixa é infração grave e rende multa de R$ 191,54 (foto: Geraldo Goulart, Nereu Jr)

O semáforo indica vermelho para carros e começa a piscar, alertando os caminhantes que há poucos segundos para atravessar com segurança. No entanto, os motoristas já arrancam suas máquinas. Sinal verde, e um apressado quer driblar veículos para chegar mais rápido ao outro lado, correndo risco em frente a carros em alta velocidade. Uma faixa de pedestre, ao lado um aviso que indica que aquele que caminha tem prioridade na via, mas os motorizados o ignoram.

 

Desrespeitar a faixa de pedestre e os sinais de trânsito de Belo Horizonte é um hábito de motoristas e pedestres. E cenas para ilustrar o abuso são corriqueiras. No entanto, o susto vem quando chegam os números. Levantamento divulgado em setembro deste ano pela BHTrans e pelo Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) mostra que, a cada três dias, uma pessoa morre atropelada na capital.

 

Além de alarmante, o número sugere uma espécie de batalha entre motoristas e pedestres em Belo Horizonte. O mesmo estudo, baseado em números de 2010, indica que 43% das mortes no trânsito da capital são de pessoas a pé – 109 das 243 mortes. No ano passado, houve mais de 3 mil atropelamentos.

 

Os números trazem desconforto e medo. Para inverter esse quadro, a sociedade busca o caminho da educação. A Polícia Militar utiliza a Transitolândia, em sua sede na Gameleira, para ensinar as crianças a se comportarem no trânsito. Lá, elas simulam o dia a dia das ruas da capital. Aprendem a descer dos ônibus, a esperar o semáforo e saber a hora certa de se atravessar a rua. São passados os direitos e os deveres de um cidadão no trânsito. Há também aqueles que querem fazer valer o Código Brasileiro de Trânsito (CBT), vigente desde 1998, mas que até hoje não é seguido à risca.

 

Humberto Rolo Paulino, da BHTrans: “Temos de ter um efetivo maior na rua para fiscalizar cada faixa”
 

 

A BHTrans também tem projetos voltados para a educação. No entanto, ao contrário da PM, que lida com uma representação reduzida, mas didática, da realidade, a empresa que controla ao trânsito da capital trabalha com situações de tamanho real. “Temos um circo montado na nossa sede, no Buritis, e lá recebemos crianças de 8 a 9 anos. Elas conhecem os riscos e aprendem como devem se comportar na cidades”, diz Humberto Rolo Paulino, coordenador da Gerência de Educação do Trânsito da BHTrans.

 

Segundo Paulino, crianças até 13 anos merecem atenção especial com o caminhar pela cidade e, principalmente, com o uso da faixa de trânsito. Esse projeto é chamado de Transitando Legal. “A questão da travessia é importante. A gente ensina como atravessar uma rua, onde ela pode atravessar e onde não pode”, destaca.

 

Trabalhar com crianças e adolescentes mostra que mudar uma cultura demora. Para Paulino, esse é o primeiro processo e o mais importante para que, no futuro, a faixa de trânsito substitua os semáforos em ruas de bairros: “Isso mostra que a BHTrans pensa no bom uso da faixa de segurança. A empresa já tem um projeto maior nesse sentido, mas ele está ligado à área operacional.

 

Para fazer com que os carros obedeçam a hierarquia proposta pelo CBT – em que os pedestres devem ser protegidos por todos no trânsito –, é preciso uma grande operação de trânsito. “Temos de ter um efetivo maior na rua para fiscalizar cada faixa”, explica Paulino, sem dizer quando isso ocorrerá.

 

 

Últimas notícias

Comentários