As estrelas dos salões

por Nayara Menezes 09/12/2011 10:07

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Geraldo Goulart, Leo Araújo, Maíra Vieira, Cláudio Cunha, João Carlos Martins, Eugênio Gurgel, Nereu Jr, Junia Garrido,
None (foto: Geraldo Goulart, Leo Araújo, Maíra Vieira, Cláudio Cunha, João Carlos Martins, Eugênio Gurgel, Nereu Jr, Junia Garrido, )

Tesouras habilmente manejadas, salões luxuosos, tecnologia de ponta em matéria de produtos e equipamentos e clientes tratados com muitos mimos. A disputa pelas madeixas em Belo Horizonte tem levado os cabeleireiros a investir cada vez mais no setor. Nos últimos cinco anos, o número de salões de beleza registrou aumento de 78% no Brasil, segundo levantamento da Associação Nacional do Comércio de Artigos de Higiene Pessoal e Beleza, a Anabel. Apenas em Minas, onde há cerca de 20 mil salões, foram abertas 9,5 mil firmas do ramo em 2011. São 550 mil estabelecimentos no país, responsáveis por empregar mais de 2 milhões de pessoas e movimentar mais de R$ 25 bilhões por ano. Em Belo Horizonte, são pelo menos 7,8 mil salões ou profissionais autônomos de beleza, de acordo com o Sindicato dos Salões de Barbeiros, Cabeleireiros, Institutos de Beleza e Similares.

 

O mercado está cada vez mais afiado na ponta de cima da sociedade e o segmento de luxo é o mais vistoso. Encontro visitou 11 salões na capital mineira para descobrir o que eles estão fazendo para conquistar cada vez mais cabeças e fazer de um corte e penteado um grande negócio.

 

Um deles, Luiz Martins, tem 57 anos, três sofisticadas lojas em bairros nobres de BH e atende em média a 4,5 mil pessoas por mês. Abriu o primeiro LM – as iniciais de seu nome que batizam seus salões – em 1989, no bairro de Lourdes. Cresceu se aperfeiçoando e hoje conta com um staff de 160 funcionários. “Mas a última palavra é sempre minha”, frisa Martins. De office boy a profissional de peso, foram 40 anos de muito trabalho. “Tive de fazer muitos cursos e me aperfeiçoar. Se não for assim, não tem como se segurar nesse mercado tão competitivo”.

 

 
 

 

Concorrente de peso de LM é Célio Faria, de 46 anos, que trocou os livros – trabalhava em uma editora – pelo secador na juventude e hoje é uma grife na cidade. “Passava todos os dias na porta de um salão ao lado da editora e percebia como o clima era diferente lá. As pessoas trabalhavam alegres”, recorda-se. A primeira unidade do Célio Faria no bairro Cidade Nova foi substituída por um casarão tombado na Floresta. Faria aperfeiçoou seus cortes no exterior. Este ano, inaugurou sua segunda loja – uma imponente casa de 760 metros quadrados e três andares na avenida do Contorno, em Lourdes. “Tivemos um crescimento de 40% no faturamento”, comemora.

 

Além da profissionalização e da capacitação dos funcionários, Célio Faria atribui o sucesso à sensibilidade no trato com as clientes: “Um bom cabeleireiro tem de ter um pouco de psicólogo. Ele deve perceber o que a cliente deseja naquele momento. Quando atendo uma cliente pela primeira vez, antes de cortar o cabelo observo o jeito dela andar, sentar-se, conversar. Não adianta querer fazer algo muito ousado, por exemplo, se a pessoa tem uma personalidade mais discreta”.

 

 
 

 

Quem também faz questão de conhecer bem o cliente antes de colocar as mãos na obra – isto é, nos fios – é Marcus Martinelli, 37 anos, dono do salão que leva seu nome. Entre as cabeças ilustres que passam por lá, estão misses, modelos, atrizes e o governador Antonio Augusto Anastasia. Formado em administração de empresas, Martinelli trabalhou na área financeira de uma grande empresa antes de se enveredar pela beleza. “Apesar de me dar bem com os números, aquele trabalho não me fazia completamente feliz”.

 

Depois de uma temporada no Canadá, onde conheceu o mundo da moda, começou maquiando modelos, misses e, depois, noivas – sim, além das tesouras, ele é conhecido pelos makes – e chegava a produzir 13 noivas diariamente. “Hoje só atendo duas por dia”, diz. Em 2001, em parceria com um amigo produtor de tiaras e acessórios, Martinelli abriu sua primeira unidade no bairro Santo Agostinho. O espaço ficou pequeno para tanta procura. Por isso, em 2009, ele inaugurou sua segunda unidade, no bairro Mangabeiras. Em 2011, Martinelli fechou o salão do Santo Agostinho, transferindo sua sede para Lourdes. O segredo para que o negócio desse certo? “Saber ouvir o cliente, que é a estrela do salão”, responde Martinelli.

 

 
 

 

Quem compartilha da mesma opinião é Eduardo Ribeiro, sócio-proprietário do Tifs. “As pessoas estão carentes de afeto. Não basta técnica para cortar um cabelo. É preciso conhecer a cliente, ouvi-la. Afinal, um cabelo tem o poder de transformar a vida de uma pessoa”, diz Ribeiro. Somados, os dois endereços do Tifs atendem a mais de 4 mil clientes por mês. A fórmula do sucesso, afirma Ribeiro, é cumplicidade e atendimento personalizado. A parceria afiada com a mulher, Dôra Ribeiro, também é imprescindível. “O Eduardo é o artista, o profissional, e eu cuido da área administrativa”, conta ela, que está sempre de olho em cada detalhe.

 

Outro casamento que dá certo também nos negócios é o da cabeleireira Rosângela Rocha e do administrador Ricarte Normandia. Enquanto ela embeleza as clientes, ele administra o Maison Rocha. “Se não tiver um controle financeiro, não conseguimos saber onde precisamos melhorar, onde estamos indo bem, nem programar o crescimento da empresa”, diz ele. Rosângela ressalta a importância do investimento constante no empreendimento: “Viajo sempre para buscar as novidades do mercado”. O mais recente produto trazido da Europa pela cabeleireira foi o tratamento à base de caviar, para restauração capilar. Para ter acesso ao luxo, o cliente tem de desembolsar a bagatela de R$ 450. Mas ela explica que nem sempre a novidade em matéria de tratamento significa qualificação profissional do mercado. “Há uma carência de profissionais especializados. Por isso, temos de capacitar e formar a equipe aqui dentro”, diz.

 

 
 

 

A mesma dificuldade é relatada pelos sócios Rogério Salgado, Marília Coutinho e Luciana Nilo, que administram o Clip Assessoria de Imagem. “Somos carentes de boas escolas de formação e temos dificuldade de encontrar profissionais prontos”, afirma Marília. A marca possui duas unidades, na Savassi e no Mangabeiras, que empregam 75 pessoas e atendem a uma média mensal de 1,5 mil clientes. E os negócios vão tão bem que os sócios revelam a possibilidade da inauguração de uma terceira unidade no próximo ano.

 

A marca WM, do cabelereiro Walter Mesquita, é outra que cresce a pleno vapor. “No último ano, nosso faturamento aumentou cerca de 25%”, revela Walter. Ele herdou o ofício da família: “Fui criado dentro do salão do meu pai”. Aos 15 anos, Walter já fazia seus primeiros experimentos com a tesoura, e aos 21 abriu o primeiro salão no bairro Caiçara, onde conquistou clientela cativa e onde até hoje tem sua sede. Em 2001, ele abriu a segunda loja, no Ponteio Lar Shopping. Atendendo a aproximadamente mil clientes por mês em cada unidade, o WM emprega 55 funcionários. Para o proprietário, o mais importante é o bom atendimento e o trabalho em equipe. “Não adianta ser um bom profissional se não tiver bons profissionais de suporte e um atendimento de primeira linha”, diz.

 

O cabeleireiro Acrísio Júnior, 38 anos, pensa da mesma forma. Depois de trabalhar 10 anos em renomados salões de Minas e São Paulo, ele abriu seu próprio espaço no bairro de Lourdes. Enquanto se dedica ao atendimento às clientes, sua irmã cuida da gestão da empresa. “A equipe tem de trabalhar em conjunto, senão nada funciona bem”, destaca. Há um ano, com o aumento crescente na demanda, o Studio A inaugurou nova sede, no mesmo bairro, mas com área maior. Acrísio é tão querido pelas clientes que, recentemente, foi requisitado para produzir uma noiva na Bélgica. “Ela se casou lá com um belga e disse que não abria mão de ser arrumada por mim. Isso é muito gratificante”, conta.

 

 
 

 

E se o mercado anda bombando tanto, há quem aposte na segurança de negócios que cresceram e renderam franquias. Para a cabelereira Flávia Menicucci, 34 anos, fraqueada da tradicional marca paulista Jacques Janine, uma das mais antigas e maiores do Brasil, usar um nome de peso, além de ajudar a alavancar a carreira, se revelou um negócio bastante interessante. “Por três anos tentei trabalhar sem uma marca conhecida. Mas como já entrei no mercado em uma época em que já existiam grandes nomes, foi difícil me destacar”, diz. Flávia acabou optando pela franquia, o que lhe deu oportunidade de mostrar seu trabalho. Com apenas cinco anos no mercado, os negócios vão de vento e popa. “Este ano tivemos um crescimento de quase 40%”, conta. E os projetos são animadores: “Devemos abrir uma nova unidade no próximo ano, também na zona sul”, revela Flávia.

 

A empresária Cacilda Amorim Lobo também aposta no reconhecimento das franquias para lucrar com seu primeiro negócio do ramo da beleza. Ela saiu da construção civil para tentar novos ares, mas o risco foi calculado. “Contratei uma empresa de consultoria para estudar o mercado e avaliar as chances de ganho”, conta. Após a constatação de que este era mesmo um setor promissor, ela comprou a franquia carioca Werner Coiffeur, que possui, somente no Rio, 39 unidades. A grife chega à capital mineira em grande estilo, com uma bonita loja no Boulevard Shopping. A festa de inauguração, que aconteceu em novembro, contou com a presença do fundador da franquia, Rudi Werner.

 

 

 

Até mesmo quem não é do ramo está se arriscando a diversificar os negócios. A tradicional família Chen, proprietária da rede de perfumarias de mesmo nome, com nove lojas espalhadas por BH, inaugurou este ano o Chen Studio e Beleza, em Lourdes. A proprietária Daniela Chen não revela números, mas garante que o investimento já está devolvendo o retorno esperado. Apesar da localização e do alto padrão do salão, os preços parecem ser um dos atrativos. O corte, a partir de R$ 50, é bem abaixo da média dos salões do mesmo nível. “Cobramos um preço justo”, afirma Daniela. Quem comanda a equipe de 19 funcionários é o experiente cabeleireiro Sanderson Oliveira. Ele conta que o salão tem um diferencial importado da cultura chinesa: “Nós funcionamos de segunda a sábado e, se a cliente agendar, também podemos abrir aos domingos”. Afinal, vale tudo quando a intenção é seduzir o cliente.

 

 

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