Sorria, você está de dieta

por Blima Bracher 09/12/2011 12:16

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Maíra Vieira, Romeu Jr.
A personal trainer Flávia de Oliveira sofria com a compulsão na hora de comer (foto: Maíra Vieira, Romeu Jr.)

Sabe aquela vontade de atacar uma panela de brigadeiro quando brigamos com o namorado ou sofremos alguma decepção? Tem explicação científica. O chocolate é rico em triptofano, aminoácido fundamental para a produção de serotonina, neurotransmissor ligado ao humor. “Desde que nascemos, as sensações estão ligadas à alimentação. Um bebê quando amamenta não está apenas se nutrindo, mas sentindo grande prazer. Uma variedade de alimentos podem contribuir para melhorar o ânimo, porque estimulam a produção dos neurotransmissores responsáveis pelo prazer, bem-estar e euforia – entre os quais a serotonina, dopamina, noradrenalina e acetilcolina”, explica Marcella Romanelli Santos Cury, nutricionista especialista em clínica e acompanhamento esportivo.

 

Mas calma, isso não é motivo para cair de boca no doce e acabar com a boa forma. “O chocolate ou outra fonte de carboidrato proporciona melhora no humor momentaneamente, mas o interessante seria uma mudança completa do hábito alimentar, para assim trazer uma melhora efetiva do humor ao longo de todo o dia”, explica o nutricionista Guilherme da Matta.

 

 

 

Foi através desta reeducação que Aline Lacôrte Moura, personal trainer, conseguiu controlar a balança e o astral. Ela conta que há dois anos, antes de fazer uma dieta equilibrada, tinha episódios de mau humor e frequentemente se sentia indisposta. “Recorria às guloseimas. Hoje descobri outros alimentos mais saudáveis que também me dão prazer. A energia que tenho para minha rotina diária é completamente diferente”. O chocolate? “Como, mas de forma controlada. Afinal, ninguém é de aço”, diz ela, que também acrescentou a atividade física na rotina. “Sem dúvidas, a prática de atividades físicas diariamente facilita muito a aceitação e a realização de uma reeducação alimentar”, endossa o nutricionista Guilherme da Matta.

 

Além de escolher bem os alimentos e abandonar a vida sedentária, comer de forma regrada e com intervalos regulares é outro segredo do alto astral. “Atribuo o bom humor, primeiramente, a níveis normais das taxas de açúcar no sangue. Para isso é preciso comer em intervalos certos, entre uma refeição e outra. A maioria das pessoas que me procuram com queixas de desânimo passam até mais de cinco horas em jejum”, diz a nutricionista Juliana dos Santos Paz.

 

 

 

Este era o caso da personal trainer Flávia Rocha Pedrosa de Oliveira. Depois de várias tentativas frustradas de controlar o peso, ela resolveu procurar ajuda. “Quando não se tem o acompanhamento profissional, às vezes você restringe demais a alimentação e depois acaba tendo alguma compulsão pela falta de nutrientes. Isso atrapalha no seu rendimento e no humor”, diz. Com a orientação correta, Flávia não fica mais muitas horas sem comer: “Faço vários lanches ao longo do dia e, por isso, nunca chego a uma refeição faminta. Se você chega em casa varada de fome, sua paciência e disposição serão para comer o que estiver na frente”, diz.

 

Escolher bem os alimentos é mesmo fundamental para manter o equilíbrio do sistema nervoso. Alguns realmente melhoram o humor, como aqueles ricos em óleos ômega 3, a exemplo da linhaça e das castanhas, e ainda os ricos em triptofano, como explica a nutricionista Juliana Paz: “Nesta lista, o campeão do bom humor é o cacau, além de outros exemplos como queijo ricota, abacate, iogurte natural desnatado, banana e damasco” ( veja quadro).

 

Aline Moura, com a nutricionista Juliana Paz, conseguiu livrar-se do baixo astral com dieta equilibrada: “Descobri alimentos saudáveis que também me dão prazer"
 

 

Mas é preciso ficar atento. Da mesma forma que alguns alimentos ajudam na melhoria da qualidade de vida, outros acabam roubando o bem-estar: “Existem comidas que nos sugam as energias”, afirma Juliana Paz. Para as mulheres, vale lembrar que na TPM não se deve atacar o chocolate com a desculpa de melhorar o humor. “O açúcar em excesso é o principal desequilibrador do nosso bem estar psicológico e também físico”, avisa. “Costumo dizer que o desânimo e até mesmo a ansiedade quase sempre se devem ao consumo excessivo de açúcar e massas refinadas”, diz a nutricionista.

 

Foi por causa do excesso destes alimentos que o publicitário Mário Lúcio Salazar Barbosa percebeu que, além de mal-humorado, estava com os resultados do exame de sangue alterados. “Tinha taxas elevadas de colesterol, triglicérides e glicemia, o que me preocupava, pois meu pai é diabético”. Há 11 meses ele iniciou uma dieta equilibrada e incluiu atividades físicas na rotina. “Emagreci 12 quilos, estou mais disposto e feliz comigo mesmo. Com certeza, comer bem nos faz viver melhor”, diz ele.

 

O publicitário Mário Lúcio Barbosa: “Substituí batata frita e carnes gordas por salada e grelhados”
 

 

Incluir na dieta as fibras e produtos integrais também ajuda a controlar o astral, garante o gastroenterologista Eduardo Henrique Rodrigues de Almeida. “Se o mau funcionamento intestinal, sobretudo a constipação - que é aquela sensação de intestino preso ou evacuação incompleta -, persistir por dias, afeta, sim, o humor. De onde vocês pensam que vem o adjetivo enfezado? A dieta rica em água e em fibras é a primeira providência para não ficar enfezado”, diz o médico.

 

O humor é algo muito complexo, com inúmeras influências conhecidas e outras ainda em investigação, lembra a endocrinologista Ana Lúcia Cândido. “A primeira medida para alguém que está estressado é identificar os motivos disso e abordá-los, muitas vezes, com suporte terapêutico, psicoterapia e medicação. Mudanças de atitude individuais, como diminuir encargos e responsabilidades, também são fundamentais”, diz a médica. Ela chama a atenção ainda para o modo de se alimentar. O recomendado é treinar a mastigação, percebendo os alimentos que escolhe, sentindo o sabor deles; mastigar com calma, sentado à mesa, evitando assistir televisão, falar ao telefone ou usar o computador.

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