Já é hora do bisturi?

por Blima Bracher 09/12/2011 12:45

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Geraldo Goulart, Eugênio Gurgel, Júnia Garrido
O cirurgião plástico Felipe Pacheco e Amanda Tocafundo, que fez as pazes com o espelho após operação (foto: Geraldo Goulart, Eugênio Gurgel, Júnia Garrido)

“Acredito que uma plástica, além de ser uma cirurgia no corpo, também é uma cirurgia na alma”. Assim, a estudante Gabriella Campos Camargo, de 19 anos, resumiu o quanto está se sentindo bem depois de ter colocado próteses mamárias. “Nosso olhar muda quando nos olhamos, nosso jeito de agir. Então, é muito psicológico, não só físico”, justifica a jovem, que depois de uma adolescência fugindo dos decotes e biquínis, agora exibe o corpo com orgulho. Gabriella faz parte de uma estatística que chama a atenção: o número de adolescentes e jovens que recorrem às próteses mamárias no Brasil dobrou nos últimos 10 anos. De acordo com levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o número dessas cirurgias, realizadas em jovens entre 18 e 24 anos, passou de 8% para 15%. Isso significa que 15 em cada 100 jovens já se submeteram ao bisturi muito antes dos efeitos da gravidade.

 

Mas nem só os seios fartos povoam o desejo das adolescentes no Brasil e em todo o mundo. A silhueta franzina e o nariz bem feito de musas juvenis como Kristen Stewart – a Bella Swan, do filme Crepúsculo – e a cantora Taylor Swift são ideais de beleza para jovens em todo o planeta. Aí mora o perigo das cirurgias plásticas, dizem os especialistas: chegar ao consultório médico querendo se parecer com esta ou aquela atriz pode ser frustrante.

 

Mas melhorar algo que anda incomodando, dentro dos limites possíveis, pode ser benéfico e até indicado para pessoas de pouca idade. “É muito comum a distorção da imagem nessa faixa etária. O corpo passa por uma série de transformações e existe ainda a pressão para ser aceito no grupo social, o que pode acarretar uma ânsia da paciente e de seus familiares por alguma solução imediata. A orientação da família é muito importante”, explica o cirurgião plástico Felipe Pacheco.

 

“Nessa idade, as orientações devem ser ainda mais rigorosas e precisa haver um consenso entre médico e paciente”, acrescenta Geraldo Scozzafave, também cirurgião plástico. Em alguns casos, a cirurgia pode evitar até problemas como bulliyng, diz Pacheco: “Uma orelha proeminente ou um nariz grande podem ser motivo de constrangimento entre os colegas”. Os procedimentos de rinoplastia (correção do nariz) e otoplastia (correção da chamada orelha de abano) são os mais procurados pelos adolescentes até os 17 anos. “Dependendo da necessidade, algumas cirurgias podem ser realizadas ainda na infância, como é o caso da otoplastia. Já a correção do nariz só deve ser feita a partir dos 15 anos”, explica o médico.

 

Gabriella Camargo adorou os novos seios: “Tem um efeito psicológico, não é só físico”
 

 

Foi justamente nessa idade que Amanda Cristina de Oliveira Tocafundo resolveu mudar o perfil: “Tinha um nariz masculino”, justifica a estudante. Depois de anos evitando se olhar de lado no espelho, a garota fez as pazes com sua aparência: “Agora meu nariz é a parte do corpo de que mais gosto; estou mais segura”, diz Amanda.

 

Já algumas cirurgias, como o aumento e diminuição dos seios ou lipoaspiração, devem ser realizadas um pouco mais tarde. O aumento de mamas depende da primeira menstruação, da avaliação do crescimento ósseo e de fatores genéticos. Pode-se operar após o completo desenvolvimento das mamas, que acontece mais ou menos dois anos após a primeira menstruação. O mesmo acontece no caso da redução. Além disso, deve-se respeitar o desenvolvimento de cada estrutura antes de operá-la. “Uma estrutura em desenvolvimento mudará não só o tamanho, mas também a forma e a função da mesma. Para não atrapalhar esse desenvolvimento, que é estético e funcional, devemos operar as estruturas apenas após o término de seu crescimento. Há ainda uma avaliação da postura e dos problemas para a coluna vertebral”, diz Pacheco.

 

 
 

 

No caso da lipoaspiração, a indicação depende de cada paciente, mas o ideal é esperar os 17 ou 18 anos (ver quadro). “Já recebi uma menina de 10 anos encaminhada por um médico para fazer lipoaspiração”, conta o cirurgião plástico Renato Lage. “Há casos em que existe contraindicação, aí aconselho que o adolescente espere o completo desenvolvimento do corpo”, acrescenta Renato Lage.

 

A estudante Ariadne Breda Lopes Monteiro de Barros, de 14 anos, não aguentou esperar tanto e a lipoaspiração foi indicada um pouco mais cedo, depois de avaliados a estrutura do corpo e o desenvolvimento ósseo. “Quero bons resultados mais rapidamente e com eficiência”, justifica a jovem, ansiosa pelos resultados finais, que prefere passar pelo bisturi que frequentar academias ou fazer dietas.

 

Mas os médicos avisam: o adolescente deve ter em mente que a plástica não é uma mágica e que, como toda cirurgia, tem riscos e deve ser avalizada pelos responsáveis. O pré e pós-operatórios devem ser seguidos à risca e, muitas vezes, significam o afastamento, mesmo que temporário, de algumas atividades, além de hematomas, inchaço e incômodo. “Não é indicado realizar a cirurgia naquelas pacientes que vêm ao consultório com motivação inadequada, por exemplo, colocar prótese porque brigou com o namorado ou porque todas as amigas colocaram. As mais jovens, principalmente, têm que mostrar personalidade bem formada e motivos reais”, explica Felipe Pacheco.

 

 
 

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