Novo vilão?

por Carolina Godoi 09/12/2011 13:08

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Eugênio Gurgel
A empresária Luciana Campos se livrou da barriguinha (foto: Eugênio Gurgel)

Muitos produtos industrializados possuem, em letras maiúsculas e em negrito, certos dizeres que atualmente estão interessando a muito mais gente do que se imagina: “Não contem glúten”. A mensagem, inicialmente direcionada para os pacientes proibidos de consumir esta proteína – os celíacos (portadores da doença celíaca) –, tem ajudado a um grupo crescente de pessoas que estão aderindo à dieta para emagrecer ou para se ver livre de sintomas desagradáveis que o consumo exagerado de glúten pode causar em algumas pessoas consideradas sensíveis a ele.

 

O glúten é uma substância elástica e pegajosa, formada quando a farinha (principalmente a de trigo) é misturada em água. Por causa do glúten, os gases da fermentação são retidos, o que deixa o pão macio e saboroso. Ele está presente em bolos, biscoitos e numa infinidade de itens apreciados pelo brasileiro, como a cerveja e o uísque. De acordo com o médico e nutrólogo Marcos Mundim, a substância se torna inimiga da vida saudável quandochega ao intestino, transforma-se em uma espécie de cola que gruda nas paredes intestinais. “O acúmulo exagerado, com passar do tempo, pode provocar saturação do aparelho digestivo, aumento da gordura na região do abdômen, dores articulares, alergias cutâneas e depressão”, alerta Mundim.

 

A maquiadora Cida Nogueira, que eliminou 15 quilos:

“Não me importo de pedir peixe com salada quando os

amigos me convidam para ir a uma pizzaria”

 

 

Dores, distensão abdominal e acúmulo de gases eram o que a educadora física Glayce de Paula sentia sem motivo aparente. Com ajuda de nutricionista, descobriu que não tinha a doença celíaca, mas sim sensibilidade ao glúten. “Em um mês e meio emagreci quase três quilos e me livrei de todos os sintomas”, conta. Ela não esconde que o fato de que querer “secar” a barriguinha foi um excelente estimulante para se livrar de massas e salgadinhos, mas em alguns momentos ela abre exceções na dieta.

 

A especialista em nutrição funcional Caroline Matos não concorda com modismos nem com o uso desta dieta para emagrecimento simplesmente. Mas, caso seja identificada a sensibilidade, como aconteceu com Glayce, ela aconselha um período de restrição de consumo, que pode ser interrompido de acordo com avaliação do nutricionista. “O atual cuidado é saber identificar o paciente intolerante e aquele que precisa reduzir o consumo para não desenvolver a intolerância”, diz. Nesse último caso, o ideal é reduzir para uma porção ao dia, geralmente no café da manhã.Nos outros horários, é só inserir no cardápio frutas, oleaginosas, sementes, arroz, leguminosas, hortaliças, sucos, água de coco, biscoito de polvilho, pão de queijo e carnes.

 

A busca por uma alimentação mais saudável e pelo emagrecimento levaram a empresária Luciana Campos a abandonar as dietas tradicionais há quatro anos. Hoje, livre da incômoda gordura abdominal, ela só faz a dieta integralmente restritiva ao glúten dois meses antes do verão. “Não é simplesmente cortar o glúten, é preciso orientação para escolher o que comer, e malhar todos os dias”, conta Luciana.

 

Glayce de Paula, educadora física, sentia distensão abdominal e gases sem motivo aparente: “Emagreci quase três quilos e me livrei de todos os sintomas”
 

 

O endocrinologista Geraldo Santana, diretor do Instituto Mineiro de Endocrinologia, ressalta que a perda de peso só ocorrerá se houver uma redução de calorias. “Se o paciente compensar a restrição do glúten aumentando a ingestão de outros alimentos permitidos, pode até ocorrer aumento de peso”, esclarece o médico. É que para que alguns alimentos fiquem parecidos com os produtos com glúten, a indústria usa mais gordura e açúcar e menos fibras; por isso, é preciso acompanhamento para escolher aqueles que estão sendo lançados no mercado com melhor adequação do valor nutricional.

 

De qualquer maneira, cortar o glúten é tirar da mesa carboidratos de absorção rápida, e segundo Geraldo Santana, a perda de peso se relaciona mais com este fato do que propriamente com a substância. No caso de Cida Nogueira, maquiadora, foi o começo de uma longa caminhada que resultou na eliminação de 15 quilos. “Tinha problemas de retenção de líquido e a dieta foi perfeita para mim, já que sou muito disciplinada”. É ela quem prepara a própria comida e não se importa de pedir peixe com salada quando os amigos a convidam para ir a uma pizzaria. “Estou mais bonita, com muito mais energia”, comemora.

 

Antes de correr para a despensa para jogar fora todos os cereais, as massas e pães integrais estocados, e aconselhar todos seus amigos a aderirem à dieta da moda, a nutricionista Caroline Matos informa que não se justifica a retirada do glúten, a não ser que esteja comprovada a doença celíaca ou a sensibilidade a ele. “É só evitar o consumo exagerado e dar preferência ao consumo de vitaminas, minerais, antioxidantes e alimentos destoxificantes, para que o organismo não se sobrecarregue dessa proteína”. Mais uma vez, o segredo está no equilíbrio.

 

 
 

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