Ficou bonitinho

por Fábio Doyle 12/12/2011 13:01

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Studio Cerri/Divulgação
O carro chega ao mercado em seis versões de acabamento e duas motorizações (foto: Studio Cerri/Divulgação)

Foi com chave de ouro, ao som do tenor italiano Andrea Bocelli e da soprano cubana Maria Aleida cantando ao vivo, na Praça da Estação, que 15 anos depois, como disse Cledorvino Belini, presidente da Fiat, o Palio ressurgiu em sua quinta geração, tendo Belo Horizonte como pano de fundo. Belini se referia ao primeiro lançamento do Palio, em 1996, com três dias de festas, comemorações e test drive em Ouro Preto e Belo Horizonte. Em 2011 não foi diferente, com direito a mais festas.

 

Nem bem foi lançado e o novo Palio já ganhou o título de carro do ano. Ele deve até merecer, mas para o público em geral, que desconhece os bastidores da premiação de uma revista especializada, fica a dúvida sobre a seriedade dos critérios que levam os jornalistas do júri dessa eleição a fazer a escolha de um modelo que nem do ‘berçário’ saiu. O resultado parece estar mais relacionado à incrível capacidade da Fiat de fazer lançamentos marcantes.

 

A nova geração do carro passou por visível plástica no design. O que mais se destaca são as novas e grandes lanternas traseiras. Foi também remodelado o design do painel de instrumentos e o interior. O Palio ainda ganhou mais espaço interno. É disso que o consumidor brasileiro interessado nesse segmento gosta: um carro compacto, mas capaz de levar muita gente e muita bagagem, como lembrou Carlos Ghosn, CEO da Nissan Renault, em conversa com a imprensa brasileira no mês passado, por ocasião do lançamento do Renault Duster. É uma característica típica de sociedades com limitações de poder aquisitivo.

 

O novo Palio tem o desafio de substituir o Uno como líder de vendas da Fiat e chega em seis versões de acabamento e duas motorizações. As mudanças no design rejuvenesceram o carro, que em sua frente ganhou faróis ovalados, como no Punto, mas que, diferentemente, não lembram olhos de um ET. Tem gente que desistiu de comprar o Punto por não gostar de seus olhos (faróis) extraterrestres. A grade do radiador cresceu e na lateral a “linha de cintura” do carro ficou mais extensa. Na traseira, o destaque são as grandes lanternas, que agradou à maioria.

 

Lançado em BH, o novo Palio foi todo repaginado: por fora ganhou design mais jovem, com faróis e lanternas modernas
 

 

Está no interior a principal revolução do novo Palio. O carro tem volante multifuncional com excelente “pega”. Como o banco do motorista pode ser ajustável em altura (opcional no Attractive), é fácil para quem dirige encontrar uma boa posição. Ficou a dever o sistema de ajuste do encosto do banco, que continua pouco amigável. A direção hidráulica de série em todas as versões vai facilitar a vida dos motoristas e o ar-condicionado é de série no Essence e no Sporting, e opcional no Attractive 1.0 e 1.4.

 

O Palio Fire, da terceira geração do modelo, continuará sendo produzido. Assume o lugar de verdadeiro carro de entrada da linha Fiat. A opção pela terceira geração foi escolhida por ter design que agrada mais que a quarta.

 

O motor 1.0 é o mesmo do novo Fiat Uno, com potência de 75 cv e torque de 9,9 kgfm. Rodando, o novo Palio Attractive 1.0 oferece o desempenho padrão para carros dessa cilindrada. O resultado de consumo no rápido teste que nossa reportagem fez pelas ruas de Belo Horizonte (com trânsito congestionado) no dia do lançamento deixa a desejar. O computador de bordo registrou média de 5,4 km/l de etanol.

 

No interior, o carro passou por uma revolução: mais espaço para motorista e passageiros, porta-malas maior, além de direção hidráulica de série e volante multifuncional
 

 

Já o Attractive 1.4 tem melhor desempenho. Seu motor oferece 88 cv de potência e 12,5 kgfm de torque. Por responder bem, mesmo em baixo giro do motor, o Attractive 1.4 foi mais econômico no trânsito pesado da capital mineira, registrando 7,1 km/l de etanol. A oferta se completa com as duas versões com motor 1.6 (Essence e Sporting), com 115 cv de potência e 16,2 kgfm de torque, o que torna a quinta geração do Palio um dos melhores do segmento em termos de desempenho.
Coincidência ou não, o Palio Sporting tem exatamente o mesmo preço sugerido do Fiat 500 de entrada: R$ 39.990. Para Lélio Ramos, diretor comercial da Fiat, “um cliente que poderia querer comprar o Cinquecento, mas que tem filhos, pode optar pelo maior espaço e pelas quatro portas do novo Palio Sporting”. Ainda segundo ele, o modelo 1.0 substitui o antigo Palio ELX e ainda oferece, por praticamente o mesmo preço, direção hidráulica e banco traseiro com assento regulável. “Só a direção hidráulica custa cerca de R$ 1.300”, diz Ramos.

 

A polêmica fica em torno da versão Sporting com motor 1.6, que substitui o Palio 1.8 R. “Não queríamos ficar com o motor 1.8, mas também não queríamos relançar o Palio 1.6 R depois de tantos anos”, explicou o diretor de produto Carlos Eugênio Dutra. Já o chefe de design, o italiano Claudio De Maria, disse que “o carro esportivo não se caracteriza só pelo motor, e sim por todo o conjunto”.

 

Segundo ele, durante os dois milhões de quilômetros rodados em testes com o novo Palio, a engenharia da Fiat consumiu 6.284 litros de café, uma medida inédita. Na verdade, trata-se de grande aposta da Fiat, que investiu R$ 1 bilhão no projeto de lançamento, dos quais R$ 700 milhões no Brasil e R$ 300 milhões na Argentina. Como de praxe para a marca italiana, a publicidade leva boa parte desse investimento.

 

Ao contrário do Palio da primeira geração, lançado em 1996 e que chegou a ser produzido até mesmo na Coreia do Norte, o novo Palio só é fabricado na América Latina. A Fiat espera vender de oito mil a nove mil unidades por mês, enquanto o Palio Fire ficará com uma cota mensal de cinco mil a seis mil unidades por mês. Líder do mercado brasileiro, a montadora tem no Palio sua principal arma para manter essa posição. O carro participa dos segmentos A e B, que juntos detêm 55% do mercado brasileiro, de 3,6 milhões de unidades por ano.

 

 

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