Nas telas

por José João Ribeiro 14/12/2011 06:55

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DiCaprio e Clint Eastwood no set de J.Edgar: filme chega em janeiro ao Brasil (foto: Divulgação)

Poucos artistas têm o desprendimento, a segurança e o estofo necessários para abrir mão de confortáveis rendimentos em nome de projetos autorais, com baixos orçamentos, mas, ao mesmo tempo, ambiciosos e ousados. Resumindo: realizar uma fiel e corajosa concessão pela arte e, tão somente, pela arte. Leonardo DiCaprio, melhor ator do cinema norte-americano em atividade, correu atrás e aceitou receber “modestos” US$ 2 milhões para interpretar uma das personalidades mais controversas e instigantes da recente história americana. Assim, relegou exatos 90% de seu salário fixo de 20 milhões de dólares.

 

Com direção genial de Clint Eastwood, J. Edgar condensa em pouco mais de duas horas a produtiva e apaixonante vida do célebre J. Edgar Hoover, criador e diretor-chefe do FBI, no período que abrange o ano de 1924 até sua morte, em 1972. Toda a trajetória daquele que ficou conhecido por bisbilhotar a vida alheia nas décadas de paranoia com o comunismo merecia a definitiva e bela cinebiografia, que certamente receberá uma enxurrada de indicações na próxima e aguardada temporada de prêmios.

 

O roteiro coeso e inteligente a cargo do jovem Dustin Lance Black talvez seja o ponto de partida para o grande êxito deste longa-metragem. Dustin obteve reconhecimento a partir da tocante história escrita para Milk – A Voz da Igualdade. Clint Eastwood não teve dúvidas e bancou a nomeação do novato roteirista para J. Edgar. A complexa biografia de Hoover foi um imenso problema na execução do enredo. Porém, as opções e atalhos escolhidos por Lance Black asseguraram a fluidez e a vital conexão e compromisso do público para com todo o projeto. Nada mais simples e melhor que o próprio J. Edgar Hoover narrando fatos cruciais de suas experiências e, consequentemente, da história social e política dos EUA, a jovens estudantes interessados em sua importante e torpe figura. Além disso, a vida privada de Hoover, marcada por sufocada homossexualidade, também encontra guarida e se encaixa perfeitamente em cenas valorosamente inventadas. O bom gosto e uma suprema precisão transcorrem na integralidade de J. Edgar.

 

No elenco, a apoteose óbvia de Leonardo DiCaprio no papel do protagonista, em notável e visceral interpretação. Irretocável, sobretudo nos olhares e momentos mais tensos de seu John Edgar. Barbada nas indicações a prêmios. Além de DiCaprio, a correta escalação de Armie Hammer, conhecido pela interpretação surpresa dos gêmeos Winklevoss em A Rede Social. Hammer personifica o fiel assistente de Hoover, Clyde Tolson, apontado como o provável grande amor do inflexível espião. No time de atrizes, a competente Naomi Watts, como a também fiel secretária de toda vida de Hoover, Helen Gandy. Sem esquecer Judi Dench, maravilhosa na pele de Anne Marie Hoover, mãe do protagonista, que cruel e oportunamente parece relembrar a cada aparição que “prefere um filho morto a um filho gay”.

 

Com a parceria que merece ser duradoura, Clint-Leonardo, J. Edgar emociona e, ao mesmo tempo, simboliza uma importante peça de qualidade histórica no cinema americano. De verdade, demorou muito para Hollywood se interessar por um personagem público, com tamanha relevância e potencial. O resultado foi um ótimo filme. J. Edgar já estreou nos Estados Unidos e entra em cartaz no Brasil em 27 de janeiro de 2012.

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