Flávio Guarani

por Daniele Hostalácio e André Lamounier 21/12/2011 09:40

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Arquivo da família, divulgação
Flávio Guarani com a mulher, Huguette, em 2005, ano em que o esqui se tornou uma paixão para ele (foto: Arquivo da família, divulgação)
 

 

O ano de 2011 também será lembrado por passagens tristes. Uma delas foi a perda de uma personalidade marcante na cena belo-horizontina: o banqueiro, produtor rural e empreendedor Flávio Guarani, a quem prestamos, aqui, uma homenagem especial, por se tratar de um mineiro que poderia ter integrado a lista dos Mineiros do Ano em qualquer uma de suas edições, dada a relevância do trabalho que desenvolveu, nos diversos desafios profissionais que assumiu ao longo da vida.

 

Filho de um dos fundadores do Banco Mercantil do Brasil, Flávio se formou em engenharia civil e começou a vida profissional na Refrigerantes Minas Gerais, fábrica da Coca-Cola no estado. No final de década de 1990, assumiu a vice-presidência do Banco Mercantil do Brasil, depois da morte do pai dele, o banqueiro Antônio Lopes de Noronha Guarani. Há cerca de dois anos, vendera sua participação no banco e se dedicava agora, em grande parte, ao agronegócio, atividade na qual mergulhou e se projetou nacionalmente.

 

Embora tenha nascido na urbana Belo Horizonte, Flávio passou parte da infância e da adolescência em momentos de lazer na fazenda da família, entre Betim e Esmeraldas, na região metropolitana da capital mineira. Essas vivências fizeram brotar nele raízes rurais que jamais o deixaram. Flávio Guarani nutria absoluta paixão pelo campo.

 

Em meados dos anos 1990, junto com a mulher, Huguette Guarani, resolveu transformar o hobby em negócio e investir de maneira profissional no agronegócio. A fazenda em Betim, que ele herdara do pai, não era, segundo ele, local apropriado para seus projetos, porque as terras eram insuficientes e a topografia, inadequada. Ele e a mulher saíram em busca de novas fronteiras.

 

Escolheram o município de Inhaúma, no coração do cerrado mineiro, a 85 km da capital. Ali surgiu a Fazenda São João/True Type, hoje uma das cinco maiores produtoras de leite do país – a maior de Minas –, com uma produção diária de quase 40 mil litros por dia. O plantel é de 3.500 animais da raça holandesa – entre os quais, 1.300 vacas em lactação.

 

 
 
Flávio Guarani, referência nacional em pecuária leiteira, em sua fazenda, a True Type, onde promovia eventos e palestras para o mercado: feliz em meio ao gado
 

 

Flávio tinha perfil meticuloso, planejador. Não fazia nada sem antes colocar no papel. Também foi assim com sua fazenda. “A partir de 1994, fez vários estudos técnicos e depois começou a preparar a propriedade”, diz Huguette, a inseparável mulher e grande companheira que Flávio teve. Também dividiu com ele todas as angústias, alegrias e trabalho do novo projeto.

 

Em 2002, a fazenda de 1.100 hectares entrava em operação, e rapidamente o nome True Type se tornaria uma grife no mundo leiteiro do agronegócio. A propriedade chegou a ter picos de produção de até 55 mil litros de leite/dia, tendo se tornado importante referência para produtores de todo o país em busca de inovação e de tecnologia.

 

Entre suas atividades, Flávio também resolveu fundar, em 2001, a ReHAgro, empresa de treinamento, capacitação e especialização de pessoas no agronegócio. “Começamos a ReHAgro com apenas três pessoas; hoje, a empresa possui cerca de 110 consultores”, diz Huguette. Mais alguns anos adiante, e ele resolveu destilar a veia empreendedora em outro negócio, e trouxe para a capital mineira a academia Companhia Atlhetica, administrada, hoje, por um dos seus filhos, Eduardo.

 

Para além do empreendedor e do executivo arrojado que o mercado conheceu, havia uma personalidade igualmente admirável, fora do mundo profissional, e de gostos ecléticos. Flávio Guarani era um aficionado pelo Atlético. Foi conselheiro do clube e chegou a ser vice-presidente. Também adorava informática, música dos mais variados estilos e tinha paixão por cavalgar. Foi expositor de cavalos campolina por muitos anos e chegou a possuir exemplares de excelência da raça. “Ele tinha o dom de selecionar pessoas boas para ficar ao seu redor, seja no trabalho, seja na vida pessoal”, diz a mulher. “Ele era muito delegador, mas enxergava as pessoas certas e confiava nelas, tendo feito muito boas escolhas ao longo da vida. Foi um pai excepcional: amigo e justo. Como marido, impossível descrevê-lo: ele me deu mais do que eu merecia”, diz Huguette, tomada por lágrimas.

 

Há cinco anos, Flávio Guarani descobriu o prazer de esquiar. Como em tudo que descobria – e gostava –, mergulhou para aprender e tornar-se bom esquiador. Planejava reunir a esposa, os seis filhos, as noras e os dois netos numa viagem a uma estação de esqui, em janeiro próximo, mas se despediu da vida antes disso. Deixou, além da família, um legado imensurável para a pecuária brasileira, uma coleção de amigos e um exemplo de simplicidade e ternura.

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