Andrea Neves

por Daniele Hostalácio e André Lamounier 21/12/2011 10:04

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Cláudio Cunha, Renato Cobucci
Andrea Neves: “Tenho a convicção de que a força capaz de transformar é a da solidariedade e do amor" (foto: Cláudio Cunha, Renato Cobucci)
 

 

“Faça o que puder, onde estiver, com o que tiver”. Andrea Neves cresceu ouvindo a avó, Risoleta Neves, repetir essa frase. Irmã de Aécio, filha de Aécio Cunha e neta do doutor Tancredo, Andrea nasceu em 1959, em Belo Horizonte, e cresceu em um ambiente de política e poder. Mas foram as questões de natureza social, que tanto sensibilizavam a avó, que mais a marcaram. “Esse era uma tema que estava entranhado na vida dela”, diz Andrea. “Isso me influenciou muito”.

 

Andrea acabou envolvendo-se neste mundo, tocada por questões como desigualdade e falta de oportunidades. Em 2003, foi convidada pelo irmão, que se elegera governador de Minas, para assumir a presidência do Servas, uma espécie de secretaria de Estado de Ação Social. “Estava diante de um grande desafio e oportunidade. Era chegada a hora de eu desenvolver o lado social de forma mais efetiva”, diz.

 

À frente da instituição, ela idealizou o Plug Minas, um centro aglutinador de programas sociais que visam à inserção social de adolescentes desfavorecidos, por meio da cultura e da inclusão digital. O Plug Minas foi instalado no bairro do Horto, onde antes funcionava uma antiga Febem. “Aécio Neves acabou com todas as unidades da Febem em Minas e determinou que aquele espaço se tornasse uma antítese do que tinha significado até então: a masmorra, a escuridão”, diz ela. “Por isso, criamos ali programas de referência para a juventude que simbolizassem a luz, a transformação”.

 

Entre os projetos do Plug Minas está o Valores de Minas, que visa à inclusão social por meio da arte, oferecendo aos jovens atividades como a dança, o domínio de instrumentos musicais e as artes circenses, dentre outros. Anualmente, 500 jovens participam da iniciativa. Ao final de um ano de estudos e aulas, eles realizam um grande espetáculo. Um verdadeiro show, que simboliza muito dos valores trabalhados com os jovens durante o curso. “Neste momento, eles se tornam protagonistas, atores, e descobrem o grande potencial que podem ter para a vida”, afirma.

 

Andrea Neves, na sede do Plug Minas, centro de inclusão social liderado por ela, onde recebeu visita de Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna: referência nacional
 

 

Em 2011, o programa alcançou a marca de 3.500 jovens formados desde a sua criação, sete anos atrás. No Plug Minas, o Servas é parceiro também de outros programas que têm como foco a juventude, mas a atuação da entidade abrange várias outras frentes. Na contribuição para o combate à fome, por exemplo, o Servas criou o Vita Vida, que distribui complemento alimentar a instituições sociais. O alimento é preparado por meio de uma tecnologia de desidratação, desenvolvida especialmente para o Servas, e é produzido a partir de excedentes de legumes, cereais e frutas doados por produtores agrícolas e comerciantes.

 

Quando Andrea assumiu a presidência da instituição, o programa possuía uma fábrica; hoje, são quatro. Desde 2003, o Vita Vida serviu mais de 15 milhões de refeições gratuitas, por meio de 678 instituições sociais.

 

Outro programa sobre o qual Andréa fala com entusiasmo é o Digna Idade, criado em 2004, e que tem apoiado milhares de idosos em instituições de longa permanência. “Capacitamos os gestores e os cuidadores dessas instituições, doamos equipamentos, melhoramos o conforto dos espaços. A ideia é ampliar a qualidade de vida dos assistidos”, explica.

 

Por conta dessa ampla atuação social, Andrea viu seu nome se tornar referência no Brasil no Terceiro Setor e ela ser reconduzida à presidência da entidade, durante o governo de Anastasia. O ano de 2011 fecha com uma novidade. “Firmamos uma parceria com a Associação Mineira de Supermercados (Amis). Artistas mineiros doaram ao Servas o direito de uso de obras que irão estampar sacolas ecológicas em supermercados de Minas. Parte da venda das sacolas será revertida para o Servas”, adianta.

 

Recursos que, em suas mãos, deverão transformar a vida de incontáveis pessoas, já que ela abraçou para si a frase da avó: “Faça o que puder, onde estiver, com o que tiver”. “Tenho a convicção de que a força capaz de transformar é a da solidariedade, é a do amor”, diz. “À frente do Servas, tenho feito o que posso. É uma maneira de eu também homenagear a minha avó”.

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