Rubens Menin

por Daniele Hostalácio e André Lamounier 21/12/2011 10:32

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Cláudio Cunha
Rubens Menin, em um de seus galpões logísticos: "Sou movido a realizações" (foto: Cláudio Cunha)
 

 

Quem visita a sede espartana – e até apertada – da construtora MRV, na zona sul de Belo Horizonte, não imagina que lá trabalha um homem de quase 1,90 m, engenheiro de formação e um dos mais brilhantes e bem-sucedidos empresários mineiros de sua geração: Rubens Menin Teixeira de Souza.

 

Provavelmente você já ouviu falar em Rubens Menin, referência mundial quando se trata de construção civil. Afinal, sua MRV (o “R” é de Rubens; o “M” e o “V”, iniciais do nome de ex-sócios que há muitos anos deixaram o negócio) é um fenômeno e uma gigante, comparada às maiores do planeta.

 

Prepare-se para conhecer, nos próximos anos, um Rubens Menin que será também sinônimo de logística no Brasil. Aliás, ele já é: a empresa que montou já está entre as duas maiores do Brasil. Menin foi eleito o “Empreendedor do Ano” por Encontro, em 2011, graças ao espantoso desempenho de sua mais recente cria, a MRV Log, ou Log Commercial Properties, como passará a ser chamada a empresa a partir de 2012.

 

Trata-se de uma companhia de serviços, dedicada a comprar terrenos e desenvolver ativos imobiliários de grande porte para locação, entre eles shoppings, torres corporativas e, principalmente, condomínios de galpões logísticos destinados a abrigar transportadoras e empresas de bens de consumo que precisam distribuir seus produtos por todo o país.

 

O ano de 2011 será visto como um divisor de águas na história da Log. Fundada em 2008 por Menin e pela holding controladora da MRV, a empresa nasceu tendo como sócio um fundo de investimentos de Londres, o Autonomy, que detinha um terço do negócio. No final daquele ano, veio a crise financeira. Assustado, o fundo resolveu se desfazer de sua cota. Arrojado, Rubens Menin decidiu comprar a parte do fundo. Pagou, em 2009, R$ 17 milhões. Pela lógica, a empresa valia três vezes este valor, ou perto de R$ 50 milhões.

 

Em 2010, a Log começou a viver período de grande expansão. Adquiriu terrenos em várias cidades e formou invejável carteira de clientes, entre os quais Casas Bahia, Itambé e Transportadora Ramos. Despertou, com isso, o interesse de investidores. Surgiu um novo fundo interessado em adquirir parte da empresa. Em julho de 2011, Menin vendeu o mesmo terço da empresa, ou 33% das ações, para o fundo americano Starwood, um dos maiores do mundo no segmento de ativos imobiliários, com investimentos na Índia, China e Japão, além, claro, dos EUA. O valor do negócio: impressionantes R$ 250 milhões. Dessa forma, a empresa passou a valer, em julho de 2011, apenas três anos depois de fundada, R$ 750 milhões.

 

Depois da venda, mais terrenos foram adquiridos e hoje a Log está presente em 22 cidades, nove estados, e tem 1,2 milhão de metros quadrados de área locável, o que a coloca entre as maiores gestoras de propriedades do Brasil. Estima-se que chegará ao final de 2011 valendo cerca de R$ 1,5 bilhão.

 

Rubens Menin: primeiro foi a MRV, depois o banco Intermedium e, agora, a Log Properties. Onde
ele vai parar?
 

 

Em se tratando de Rubens Menin, o mais justo, contudo, seria dar a ele o título de Empreendedor da Década. Veja por quê: há exatos 10 anos, em 2002, ele tinha dois negócios. Um pequeno e outro médio. O menor era uma financeira, chamada Intermedium, dedicada basicamente a créditos pessoais e ao chamado CDC (Crédito Direto ao Consumidor). A maior das empresas era a MRV, construtora residencial de baixa renda, que construía perto de mil unidades habitacionais por ano. A demanda do mercado interno por imóvel de baixa renda era enorme. A renda do brasileiro crescia de forma consistente após o Plano Real. Faltava, para esse mercado explodir, que os bancos dessem crédito aos compradores. Com o governo Lula, o crédito começou a aparecer, primeiro com ações de fomento dos bancos oficiais e, depois, com a política social chamada Minha Casa, Minha Vida.

 

Atento a esse movimento, Rubens começou a preparar sua MRV para voos mais altos, bem mais altos. Em 2005, desenhou um plano para construir 10 mil unidades habitacionais por ano. Acreditava que, em 2010, atingiria esse patamar. Em 2006, despertou a cobiça de investidores internacionais e vendeu pequena parte da construtora para um fundo de investimentos. No ano seguinte, decidiu abrir o capital da companhia na bolsa de Nova York, captou R$ 1,5 bilhão em troca de 33% do capital da empresa. Rubens decidiu refazer os planos de crescimento da MRV. Foi mais arrojado: planejou chegar a 2012 com a construção de 40 mil unidades por ano.

 

Em 2008, mesmo ano de fundação da Log Properties, sua pequena financeira, a Intermedium, já com foco na pessoa jurídica, obteve autorização do Banco Central do Brasil para se transformar em banco múltiplo. Hoje, o banco Intermedium tem patrimônio líquido de R$ 260 milhões, atua com crédito consignado, empréstimos para empresas e crédito imobiliário. Em 2009, fez nova oferta de ações da MRV na bolsa americana. Captou cerca de R$ 720 milhões por 12% da companhia.

 

Em 2010, a MRV atinge, com dois anos de antecipação, a meta de 40 mil unidades construídas. Em 2011, sua construtora supera todos os limites e metas projetadas: em vendas, unidades habitacionais construídas e no lucro. Vai fechar o ano com faturamento na casa dos R$ 4,3 bilhões. Mais: a marca MRV foi considerada, em 2011, em ranking da revista Istoé Dinheiro, em parceria com a BrandAnalytics, a mais valiosa do Brasil no segmento de construção civil. Rubens Menin resolveu, de novo, retocar os planos.

 

Agora, a MRV quer chegar a 70 mil unidades/ano até o final de 2015. Decidiu que vai também abrir o capital da Log Properties, o que planeja fazer em 2012. Para o banco, vislumbra um futuro para lá de promissor, notadamente sobre a ascendente carteira de crédito imobiliário. Por trás do seu jeito simples e despojado, Rubens Menin Teixeira de Souza é um empreendedor singular, um dínamo, um exemplo. Difícil é entender como seus executivos, a maioria na faixa dos 30 anos, conseguem acompanhá-lo. Mas, Rubens, qual sua nova empreitada no futuro? Há novidades para os próximos dois anos? “Isso eu não posso falar”, diz ele. “Mas sou movido a realizações”. Para bom entendedor, meia palavra bas...

Últimas notícias

Comentários