Paulo Henrique Pereira

por Daniele Hostalácio e André Lamounier 21/12/2011 13:17

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Cláudio Cunha
Paulo Henrique Pereira, biólogo e secretário de Meio Ambiente de Extrema (MG) há 17 anos (foto: Cláudio Cunha)
 

 

O Sistema Cantareira é responsável por levar água a mais de 10 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Seu abastecimento é feito pelo Rio Jaguari, que sai de Extrema, cidade do sul de Minas, localizada a apenas 100 km da maior metrópole do país. Em Extrema, as águas do rio são barradas e transpostas para a capital paulista: são 31 mil litros transpostos por segundo. A qualidade desse recurso natural esgotável e sua conservação são alvo de um projeto pioneiro no país, criado pela Secretaria de Meio Ambiente de Extrema, sob comando do biólogo Paulo Henrique Pereira.

 

A iniciativa, batizada de “Conservador das Águas”, baseia-se no princípio do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). O proprietário de terras onde há mananciais de abastecimento recebe um pagamento do município pela preservação do local, passando a ser um “produtor de água”. O pagamento é feito mediante a recuperação e a proteção das áreas próximas a nascentes e cursos d’água, as matas ciliares, e incluem recuperação de solo, cobertura vegetal e saneamento ambiental.

 

Com a iniciativa, a secretaria colecionou reconhecimento em 2011: ganhou o Prêmio Bom Exemplo, iniciativa da Fundação Dom Cabral e da TV Globo Minas; o Prêmio Furnas Ouro Azul, dos Diários Associados; e foi finalista do prêmio Melhores Práticas, da Caixa Econômica Federal.

 

O pontapé inicial no projeto aconteceu em 2005, com a criação da lei municipal que regulamentava o pagamento por serviços ambientais relacionados com a proteção da água. Mas as primeiras adesões de produtores rurais ao projeto iniciaram-se apenas em 2007.

 

Em 2011, cinco anos depois, o “Conservação das Águas” atingiu um marco: 100 propriedades hoje o integram, num total de 3 mil hectares. “Em 2012, nossa expectativa é dobrar a área atingida”, afirma o biólogo.

 

Nascido no Paraná e filho de pais agricultores, Paulo Pereira vive em Minas há três décadas e há 17 anos é o secretário de Meio Ambiente de Extrema.

 

A longa permanência no cargo permitiu a mobilização de produtores rurais e a continuidade nas pesquisas, que culminaram na idealização do “Conservador das Águas”. Paulo Pereira explica que as conquistas do projeto não podem ser facilmente mensuradas em números, porque o grande mérito da iniciativa está, sobretudo, além de conservar e melhorar a qualidade da água, em quebrar um paradigma. “Estamos mostrando para o agricultor que ele pode continuar produzindo na sua terra, cultivando alimentos”, diz. “Mas, ao mesmo tempo, preservar e oferecer serviços ambientais para a sociedade”. 

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