Resta saber quem será o vice

por João Pombo Barile 10/01/2012 10:33

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Cláudio Cunha, Júnia Garrido, Leo Araújo, Geraldo Goulart
Marcio Lacerda, ao lado do governador Anastasia: anúncios de verbas federais para Belo Horizonte (foto: Cláudio Cunha, Júnia Garrido, Leo Araújo, Geraldo Goulart)

O ano que termina foi muito positivo para o prefeito Marcio Lacerda. Em setembro, ao lado da presidenta Dilma e do governador Anastasia, ele anunciou o metrô da capital. Depois de mais de duas décadas de espera, Brasília anunciou a liberação de verbas no valor de R$ 3,16 bilhões para a ampliação, reforma e modernização do sistema. De olho nas eleições municipais, em outubro de 2012, as articulações políticas já começaram. E foi mesmo o grande tema deste ano na cidade. Lacerda não esconde de ninguém: quer continuar no comando da terceira mais importante cidade brasileira. “É claro que sou candidato”, afirma Lacerda. “Nós apresentamos para a cidade, em 2008, um projeto chamado Aliança por BH. Ela funcionou muito bem. E nada mais natural que ela se apresente novamente na eleição”, diz o prefeito.

 

Para o presidente da Câmara de Vereadores, o tucano Léo Burguês, é mais do que natural que Lacerda seja reconduzido ao cargo. E que a aliança entre PT, PSDB e PSB seja mantida. “A parceria é hoje um sucesso. E está beneficiando o cidadão. Esta aliança foi muito boa para a cidade. Não vejo por que mudar”, analisa o vereador. Opinião compartilhada pelo deputado federal do PT do B, Luis Tibé: “Não dá para negar: a aliança que elegeu o Lacerda funcionou. E bem”.

 

Délio Malheiros, candidato certo pelo PV: “A prefeitura de BH é comandada pelo mesmo grupo há quase duas décadas. Isto não é bom para a democracia”
 

 

Mas quem seria desta vez o vice de Lacerda? “Quanto a este assunto de vice, não dou palpite. Esta é uma decisão que cabe ao PT”, desconversa o prefeito, quando perguntado sobre quem gostaria de ter como seu colega de chapa. Como é público e notório, sua relação com o vice, Roberto de Carvalho, anda para lá de desgastada. E Lacerda nem gosta de falar do assunto em público. Para assessores mais próximos, no entanto, ele já admitiu estar preocupado com a escolha. Ele não quer errar de novo.

 

Para compor a chapa junto com Lacerda, o vice, mais uma vez, virá do PT. E aí, os três nomes mais cotados são: o deputado estadual André Quintão, o ex-secretário de Saúde, Helvécio Magalhães, e o deputado federal Miguel Corrêa.

 

Para André Quintão, seria uma honra compor uma chapa com Lacerda. Ligado ao grupo de Patrus Ananias, o deputado é considerado, pela maioria da militância petista, um conciliador. E que, portanto, diferente de Roberto, dificilmente se rebelaria durante um futuro mandato. Um bom nome para tentar unir um partido tão dividido. “Se o PT precisar de mim, estou à disposição”, afirma Quintão. “É muito importante, neste momento, que o PT não se divida. Se eu puder ajudar agregando, ótimo”.

 

Para o deputado federal do PT do B, Luis Tibé, a aliança que elegeu Lacerda funcionou. E bem: “Não dá para negar”
 

 

Embora tenha uma excelente relação com Lacerda, Helvécio Magalhães, o segundo nome lembrado dentro do PT, dificilmente deve vingar. Ele é, no atual momento político, o nome menos provável. Homem de confiança do atual ministro da Saúde, Alexandre Padilha, Helvécio trabalha atualmente como secretário de Atenção à Saúde. Considerado um técnico, não parece ser o nome mais indicado para ajudar a compor esta complexa aliança: “O Helvécio está feliz em Brasília. Fazendo o que gosta”, disse um colega de partido que preferiu não se identificar.

 

Surge, então, o nome do jovem deputado federal Miguel Corrêa. Amigo de Pimentel, Miguel até aqui tem sido o quadro que mais conseguiu agradar às diversas alas do seu partido. “No PT, a escolha é voto a voto. E, portanto, não posso ainda dizer que eu já seja o candidato”, afirma Corrêa. Com apenas 33 anos e já no seu segundo mandato como deputado federal, é considerado o nome mais forte. “Será uma honra ser o vice de Lacerda”, afirma.

 

Fica, no entanto, outra pergunta que não quer calar: será que Lacerda, filiado ao PSB, conseguirá reeditar a aliança PT e PSDB? Se depender do vice-prefeito Roberto de Carvalho, definitivamente não. Depois de romper publicamente com Lacerda este ano, Roberto garante que a aliança não se repetirá. “Faço um mea-culpa: a aliança com o PSDB, em 2008, foi um grave erro. E que não deve ser repetido”, analisa Carvalho, que é presidente do diretório municipal do PT. Lideranças nacionais do partido, ouvidas pela Encontro, no entanto, confirmam que não há outra saída. Mais cedo ou mais tarde, o acordo vai ser fechado.

 

“Não posso ainda dizer que eu já seja o candidato”, afirma o jovem deputado Miguel Corrêa, mais forte nome para compor a chapa com Lacerda, e apoiado por Pimentel
 

 

Para tentar resolver o conflito com o vice, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, esteve este ano várias vezes em Belo Horizonte. Falcão tem se encontrado, em conversas individuais, com Carvalho e Lacerda, com intuito de reeditar a coligação. Para o vice-prefeito, Rui garante que caberá ao diretório municipal a solução. A Lacerda, já afirmou diversas vezes que a executiva nacional (leia-se o ex-presidente Lula e a presidente Dilma) quer a aliança entre o PT e o PSB em Belo Horizonte. “Todo mundo sabe que o Lula quer que o Lacerda continue na prefeitura. Em agosto, quando esteve em BH, ele fez questão de ser fotografado ao lado do prefeito. Lula cuidou pessoalmente da produção da foto”, conta uma fonte, que acompanhou Lula durante sua viagem a Belo Horizonte, e prefere não se identificar.

 

Para Roberto de Carvalho, petista histórico, existe muita fofoca e conversa fiada quando o assunto é a preferência do ex-presidente. Segundo ele, Lula não intervirá dessa maneira na eleição municipal: “Vou até o fim. E se o partido decidir pela candidatura própria, estou à disposição, para ganhar ou perder; não interessa. É importante para o partido em Minas que tenhamos candidato próprio em 2012”, dispara o vice-prefeito.

 

Depois de romper publicamente com Lacerda, Roberto Carvalho diz que não haverá mais aliança. “Foi um grave erro. Não deve ser repetido”
 

 

Correndo por fora, dois fortes candidatos também aparecem até o momento no páreo: o deputado estadual Délio Malheiros e o deputado federal Leonardo Quintão, este um velho conhecido dos belo-horizontinos e que, nas últimas eleições, foi o grande azarão. Quintão deu um grande susto nos caciques do PT e PSDB que acreditavam que iriam eleger Lacerda facilmente. Quase quebraram a cara. Muito bem votado, o peemedebista acabou surpreendendo e foi para o segundo turno com Lacerda.

 

“Belo Horizonte não pode servir de moeda de troca. Os que desejam a manutenção da aliança de Lacerda na verdade estão negociando a candidatura em duas capitais do nordeste: em Recife e em Fortaleza, o PT governa. E precisa do apoio dos governadores do PSB. Em troca, os petistas apoiam o Lacerda aqui. O mineiro não pode aceitar esse toma-lá-dá-cá”, diz Quintão, que quer construir sua candidatura com uma grande aliança. Esta coligação teria, além do seu partido, o PMDB, o PT e PDT. Em tempo: nas últimas semanas, encontros entre Quintão e Roberto de Carvalho têm sido frequentes.

 

E, finalmente, Délio Malheiros. Depois de ter sido pego de surpresa com o lançamento de sua candidatura, anunciada no último dia 7 de dezembro pelo presidente do PV, Ronaldo Vasconcellos, o deputado estadual promete não fugir da raia: “A alternância de poder é fundamental. A prefeitura de Belo Horizonte é comandada pelo mesmo grupo há quase duas décadas. Isto não é bom para a democracia”, analisa Malheiros. “Só posso lhe assegurar o seguinte: o PV terá candidatura própria. E se eu for mesmo escolhido pelo meu partido, ficarei muito honrado”, diz.

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