Para a crise não chegar

por Heitor Oliveira 10/01/2012 12:13

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Cláudio Cunha, Renato Weil-EM-D.A Press, Gustavo Andrade, Divulgação
Olídio Carlos Blanc Gomes, da LGA Minerações e Siderurgia (foto: Cláudio Cunha, Renato Weil-EM-D.A Press, Gustavo Andrade, Divulgação)

A economia mineira continua crescendo a taxas superiores às do Brasil. Em linhas gerais, 2011 não pode ser visto como um ano ruim, apesar, claro, de estar longe do boom observado no ano anterior, quando o Produto Interno Bruto (PIB) do país aumentou 7,5%. Até o segundo trimestre deste ano (últimos dados oficiais), o PIB mineiro cresceu 4,4%, ante 3,5% do Brasil. Setores importantes da economia do estado, como a mineração, metalurgia e siderurgia, apresentaram bons números de faturamento e investimento. Aos poucos, a tão defendida diversificação da economia vai se tornando menos distante. Além disso, a Copa de 2014 e o que dela surgirá para a capital também são boas notícias para o estado.

 

Mas é bom não deixar o otimismo contaminar. A expectativa é de que, no próximo ano, as coisas comecem a ficar mais difíceis. A crise econômica mundial, sobretudo na Europa e Estados Unidos, deve ter impacto maior no Brasil em 2012. Para Minas, com uma economia altamente voltada para o exterior (o mercado interno absorve apenas 10% da produção de commodities como o minério de ferro), esse fato tem maior gravidade. Nos dez primeiros meses deste ano, as exportações mineiras cresceram 36,8%, enquanto que, no mesmo período, o saldo comercial (diferença entre as vendas ao exterior e as importações) aumentou 42,2%. Resumindo: se a crise for mesmo muito forte lá fora, esses números tendem a cair fortemente, impactando toda a cadeia produtiva mineira.

 

MINERAÇÃO

 

Ano de muitas mudanças

 

Poucos setores da economia resumem tão bem o quadro mineiro quanto a mineração. Este ano foi repleto de mudanças significativas, com a entrada e o fortalecimento de novos atores. Mais importante, a demanda ainda aquecida – principalmente pela locomotiva chinesa – levou o preço das commodities às alturas, com impactos favoráveis sobre o faturamento das empresas. O preço do minério de ferro, por exemplo, bateu na casa dos US$ 190 a tonelada. “O problema é que a crise na Europa, se não for muito compensada pela China, deverá levar esse preço para US$ 140 a US$ 150”, alerta o empresário Olídio Carlos Blanc Gomes, um dos sócios da LGA Minerações e Siderurgia.

 

Fábrica da Usiminas em Ipatinga: em 2011, siderúrgica mineira mudou de mãos e entrou firme no mercado de mineração
 

 

O maior destaque do segmento veio da Usiminas, tradicional siderúrgica mineira que está entrando firmemente na mineração. A subsidiária do grupo na área adquiriu uma leva de mineradoras no estado. No mês passado, concluiu a compra da Mineração J. Mendes, da Siderúrgica Oeste de Minas Gerais (Somisa) e da Global Mineração, por US$ 100 milhões. Além disso, a Mineração Usiminas (Musa) comprou ativos, dentre eles imóveis e direitos referentes a um título minerário em Serra Azul, Minas Gerais, por meio da aquisição da Mineração Ouro Negro. O valor da operação foi de US$ 367 milhões.

 

Vinte anos depois de ser privatizada, a empresa de Ipatinga mudou de mãos novamente. O grupo siderúrgico Ternium, do conglomerado ítalo-argentino Techint, desembolsou R$ 4,1 bilhões por 27,7% do capital votante da empresa. Com isso, o controle da siderúrgica mineira passa a ser dividido entre os recém-chegados italianos e a japonesa Nippon Steel, acionista da companhia desde 1991. Especialistas no setor ouvidos por Encontro acreditam que o negócio foi bom para ambas as partes. A Usiminas deixa de ter dois sócios – Votorantim e Camargo Corrêa — pouco interessados na indústria do aço, e ganha um parceiro com experiência de 40 anos no setor. Para a Ternium, por sua vez, a entrada na Usiminas é a oportunidade de enfim entrar no mercado brasileiro – o melhor da América Latina. O grupo tem duas unidades no México e uma na Argentina.

 

 

 

VEÍCULOS

 

De novo na liderança

 

Mais um ano de liderança para a Fiat Automóveis. Em novembro, por exemplo, a empresa emplacou mais de 66 mil unidades, bem à frente da Volkswagen, segunda colocada, com pouco mais de 60 mil – GM (55,9 mil ) e Ford (27 mil) vieram em seguida. Nos 11 primeiros meses do ano, foram emplacados pouco mais de 3 milhões de carros, expansão de 4,4% em relação a 2010 – o setor surpreendeu até os mais otimistas, já que, no início do ano, a expectativa geral era de queda nas vendas.

 

Mas o grande destaque da Fiat veio da sua subsidiária de caminhões, a Iveco. A empresa inaugurou sua concessionária número 100 no país. O número, simbólico, reflete a expansão da empresa nos últimos cinco anos. Em dezembro de 2006, por exemplo, a rede somava 52 revendas no Brasil. Ou seja, até chegar à centésima, a Iveco inaugurou uma média de 10 novas concessionárias a cada ano.

 

Marco Mazzu, presidente da Iveco Latin América, empresa que está em plena expansão no Brasil: “O momento é excelente para o segmento no país”
 

 

Para o próximo ano, há dois cenários projetados pela Iveco. Em razão da crise internacional, o quadro otimista prevê estabilidade nas vendas, enquanto o pessimista fala em queda de 10% na comercialização de caminhões. “O momento é excelente para o segmento no país, mas há os fatores específicos que devem atrapalhar um pouco, como os problemas financeiros da Europa e Estados Unidos”, resume o presidente da Iveco Latin America, Marco Mazzu.

 

Entre janeiro e setembro, a Iveco emplacou 10,7 mil caminhões no país, ou 32% a mais do que em 2010. O detalhe é que o mercado como um todo cresceu bem menos em vendas, com alta de 15,6% – menos da metade.

 

AÇÚCAR E ÁLCOOL

 

É preciso melhorar

 

Ou o governo federal anuncia um plano de redução de impostos para a indústria de açúcar e álcool ou o setor corre sérios riscos. A ameaça é de empresários do segmento, capitaneados pelo Sindicato da Indústria de Açúcar e Álcool de Minas Gerais (Siamig). “Praticamente metade dos protocolos de intenção de novas usinas não saiu do papel”, diz o presidente do Siamig, Luiz Custódio Cotta Martins. O setor está também estagnado na principal região produtora do estado, o Triângulo Mineiro.

 

A crise internacional foi mais que uma marolinha: “Metade das intenções de investimento em novas usinas não saiu do papel”, diz Luiz Custódio Cotta Martins, presidete do sindicato do setor
 

 

Minas recebeu 23 novas usinas nos últimos oito anos, mas a coisa começou a mudar a partir do fim de 2008, quando a crise ganhou força nos Estados Unidos, espalhou-se pela Europa e ganhou todo o mundo. Segundo Custódio Martins, há três problemas básicos: um, é a própria crise internacional; outro, a política tributária em Minas (o ICMS sobre o etanol, por exemplo, é de 22% no estado, ante 12% em São Paulo); por fim, ele reclama da não definição de um marco regulatório para inserir os derivados da cana na matriz energética brasileira. “O problema tributário a gente está superando, já que o governo estadual vai reduzir, no próximo mês, o ICMS para 19%”, afirma o presidente do Siamig.

 

Havia a expectativa de que pelo menos 140 usinas fossem implantadas até 2015. Agora, essa projeção é de 93. Os projetos já iniciados e em fase inicial também estão sob suspensão, esperando uma melhor definição do cenário econômico.

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