Os orientais roubaram a cena

por Fábio Doyle 12/01/2012 10:13

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O IX35, da coreana Hyundai, evolução do Tucson, é sonho de consumo (foto: Divulgação)

O ano em que os carros orientais fizeram as montadoras instaladas no Brasil entrar em pânico. Assim 2011 entrará na história da indústria automobilística. Com a economia em expansão, o crédito facilitado e vendas em curva ascendente, nunca se vendeu tanto carro no Brasil como neste ano. O sinal mais claro disso é o trânsito cada vez mais intenso e agressivo dos grandes centros urbanos. A frota de veículos cresceu, mas não foi acompanhada na mesma proporção pela melhoria no crescimento da infraestrutura viária. As vendas de automóveis e comerciais leves, segundo dados da Fenabrave – a associação dos concessionários de veículos – deverá fechar o ano com mais de 3,5 milhões de veículos novos emplacados no país, o que representa crescimento de 7,67% em relação a 2010.

 

No bolo desse crescimento, merecem destaque os carros importados da Coreia do Sul e China. Eles foram os causadores da polêmica decisão de se elevar o IPI para carros importados com menos de 65% de componentes nacionais, medida estranhamente aplaudida e até incentivada pelas montadoras aqui instaladas. Eternos contestadores das elevadas taxas tributárias praticadas no Brasil para os automóveis, dessa vez, o IPI abusivo para alguns não foi criticado pelas marcas que aqui produzem e importam de suas fábricas no México e Argentina, com quem o país tem acordos de livre comércio no setor de automóveis.

 

A medida tem o propósito de, principalmente, dificultar e encarecer a importação dos carros oriundos da China e Coreia, cada vez mais presentes na paisagem viária do Brasil.

 

O Duster, SUV da Renault, é um dos mais importantes lançamentos do ano; chegou para destronar o Ford Ecosport, líder tradicional do segmento
 
O urbano Audi A1, que conquistou o mercado, pode ser um dos prejudicados pelo IPI discriminatório de 30%
 
O chinês Chery Face tem design correto, é bem equipado, mas o que mais atrai é seu preço competitivo
 
Kia Soul, coreano com design extravagante, conquistou consumidores que gostam de ser diferentes
 
O Peugeot RCZ, o mais esportivo dos lançamentos de 2011, não tem grandes pretensões em vendas, mas acrescenta charme à marca do leão
 
Também da coreana Hyundai, o Veloster, exótico carro com três portas, tem causado polêmica e inspirado desejos
 

 

Em 2010, entre nacionais e importados, a oferta do setor era de 228 modelos, entre automóveis e comerciais leves, segundo dados da Fenabrave. Em 2011, essa oferta passou para 288 modelos – 60 novos carros, o que representa uma ampliação de 26,13% nas opções para o consumidor brasileiro.

 

Nessa cada vez mais diversificada oferta de carros, o que atemorizou as montadoras foi o crescimento da presença dos carros “amarelos”, principalmente os coreanos e chineses. A soma de modelos vendidos no Brasil que vêm da Coreia e da China é hoje de 59 modelos (29 coreanos e 30 chineses). Em 2010, essa conta era de 42 modelos (26 coreanos e 16 chineses). Há apenas cinco anos, em 2006, não havia carros chineses no mercado brasileiro, e a oferta de coreanos era limitada a 16 modelos. Ou seja, em 2006, entre os 148 modelos ofertados no Brasil, apenas 16 (10,81%) eram da Coreia. Hoje, na soma de modelos, coreanos e chineses representam 20,49%. Isso explica o medo dos fabricantes nacionais, mas não justifica a criação de obstáculos.

 

 
O novo Palio, principal lançamento da Fiat em 2011, terá a missão de manter a montadora italiana na liderança do mercado em 2012
 

 

O acirramento da concorrência tem se mostrado saudável para o consumidor brasileiro, como o é para qualquer país em qualquer setor da economia. No caso dos automóveis, o que vimos acontecer em 2011 em decorrência dessa maior oferta foram preços praticamente congelados e, finalmente, carros básicos equipados de série com componentes de segurança antes ofertados, a preços caríssimos, apenas em veículos mais sofisticados. O fato dos coreanos e chineses chegarem com esses itens de série obrigou as demais marcas a também incluírem esses equipamentos em seus carros, e o melhor, sem aumentar o preço – muitas vezes até reduzindo-os. Quer coisa melhor?

 

 
 

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