A mamãe Noel

por Guilherme Torres 12/01/2012 13:12

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Geraldo Goulart, Cláudio Cunha, Paulo Márcio
Em uma das praças do projeto Natal dos 100 anos, em Contagem: “Sou uma empreendedora full time” (foto: Geraldo Goulart, Cláudio Cunha, Paulo Márcio)

Em meio ao corre-corre de um Natal típico de muito trabalho, a empresária Cláudia Travesso sentiu falta de uma cliente que sempre montava a árvore de casa usando seus serviços. “Ao ligar para ter notícias, ela me disse que ficou receosa de me procurar ao ficar sabendo que eu estava à frente de grandiosos projetos, como o da Praça da Liberdade e de avenidas e empresas”. Mas Cláudia fez questão de atendê-la pessoalmente. Para ela, todo projeto é especial, ainda que uns demandem mais tempo e elaboração que outros.

 

“Hoje, dificilmente consigo tempo para realmente colocar a mão na massa, devido à necessidade de coordenação geral, mas nossa agenda é como ‘coração de mãe’, sempre encontramos um espaço”, conta a disputada decoradora.

 

Casada há 30 anos, Cláudia Travesso é mãe de três filhos. Aos 50 anos de idade, ela se sente no dever de criar o clima do momento mais especial do ano, uma tradição milenar que ainda desperta sonhos. “A paixão pelo Natal é antiga, já cheguei a mudar roteiros de viagens para visitar locais que possuíam tradição nesse tipo de decoração. Não posso ver uma bolinha em uma árvore que corro para perto e começo a reparar os detalhes”, diz.

 

Praça da Liberdade, Natal de 2010: milhares de pessoas vão ao local todos os anos só para ver a decoração
 

 

Assim, seu acervo pessoal foi crescendo e, junto com ele, os pedidos dos que queriam ajuda para preparar árvores, guirlandas, cenários e presépios. “Gosto tanto que já ganhei de presente de aniversário de casamento uma viagem para a Lapônia, na Finlândia, cidade lendária conhecida como a terra natal do Papai Noel”, detalha. Na última reforma da casa, foi criado um cômodo especial só para guardar sua coleção de enfeites. “Meu marido está sempre ao meu lado nessas loucuras. Se não fosse assim, tudo ficaria muito mais difícil. Se minha família não amasse Natal, ficariam todos perdidos em casa”, conta.

 

Formada em Psicologia, Cláudia nunca imaginou transformar seu prazer em um trabalho tão procurado por empresas e famílias. Mas considera que a formação ajuda e tem uma grande influência no que faz, “pois o Natal mexe com o imaginário das pessoas e ajuda a administrar a expectativa daqueles que valorizam esse espírito”. Formalmente, ela está nesse mercado há 15 anos, desde quando abriu sua loja especializada em produtos e decoração natalina, a Casa Futuro. Em nove meses do ano, a loja opera com 15 funcionários e, nos últimos três, conta com 40 pessoas e mais 80 profissionais terceirizados. Na empresa, é possível encontrar mais de três mil itens relacionados à festividade. “O que começou como um hobby, agradando a mim e aos meus amigos, foi se tornando grande demais para continuar informal. E assim nasceu nossa loja”, conta.

 

Na praça, que é um dos cartões postais de BH, o projeto de 2011 ganhou os tradicionais tons verde
e vermelho: reconhecimento para Cláudia Travesso o ano todo
 

 

Do varejo para os projetos, foi um passo natural. De clientes que compravam mercadorias e não sabiam como montar a empresas que queriam ideias novas. “Daí para frente, a especialização me levou à consultoria e à elaboração de projetos para cidades e empresas”, lembra Cláudia.

 

Cliente da Casa Futuro há oito anos, a empresária Lorena Barros conta que desde que descobriu o trabalho de Cláudia, nunca mais ficou um Natal sem contratar seus serviços. “Acho que a data é mais do que o simbolismo das figuras e itens natalinos. Mas, sem dúvida, o clima onde tudo isso acontece faz a diferença”, justifica. Além da beleza, a praticidade conta muito. “Contratamos especialistas para tudo na vida. Por que não contratar quem entende bem de algo tão bacana como a decoração de Natal? A locação me livra de funções como mexer em maleiros e caixas empoeiradas, quebrar a cabeça com luzinhas queimadas e instalações elétricas. Vale cada centavo pago”, conta. Sobre Cláudia, Lorena complementa: “é uma pessoa apaixonada pelo que faz. Nestes anos, percebi toda a evolução do trabalho dela. Sei que o serviço daqui de casa é pequeno, mas sinto que é feito da mesma forma de anos atrás, com muita dedicação. Ela sabe tudo de Natal, eu fico impressionada”.

 

Na carta de clientes da Casa Futuro há cinco anos, a Cemig faz de Cláudia Travesso a responsável, entre outros lugares, pela maior atração turística da capital relacionada ao Natal – a decoração da Praça da Liberdade. O local recebe milhares de visitantes todos os anos, o projeto, mais uma vez, é de encher os olhos.

 

“Conhecemos o trabalho da Cláudia há mais de 15 anos. Por várias vezes, não conseguimos viabilizar suas propostas porque tínhamos uma equipe própria. Mas em 2006, a Casa Futuro nos apresentou um projeto tão interessante que fez uma mudança radical no conceito que vínhamos empregando. Com a chegada dela, a decoração foi profissionalizada”, conta o diretor de Relações Institucionais e Comunicação da Cemig, Luiz Henrique Michalick.

 

Com o trabalho da decoradora, Michalick conta que conseguiu, também, agregar um fator fundamental para a estatal, a sustentabilidade. Segundo ele, o trabalho não fica apenas no projeto, há uma tranquilidade da empresa com relação à execução. “Ela atua acompanhando toda a montagem, nos ajudando a adequar o projeto às exigências do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico, o que inclui a seleção de quais árvores podem receber de decoração”. O diretor conta ainda que todos os anos a Cemig recebe várias propostas de projetos de decoração. “Nenhuma delas, no entanto, consegue englobar todo o ciclo que almejamos”, diz.

 

Junto dos filhos, a empresária Lorena Barros se diverte com a decoração de Natal feita pela Casa Futuro em sua casa: “A data é mais do que o simbolismo das figuras e itens natalinos; sem dúvida,
o clima onde tudo isso acontece faz a diferença”
 

 

 

Além da Praça da Liberdade, outros projetos grandiosos, como o Natal dos 100 anos de Contagem, com 15 praças decoradas, exigem sabedoria para lidar com variáveis como chuva, volume de visitas, vandalismo, segurança da população e preservação do local.

 

Sobre quantos projetos residenciais já executou, Cláudia responde: “Nossa, não sei!”. Ao longo dos anos foram inúmeras casas, algo em torno de 150 montagens e projetos por Natal. Na logística, há uma equipe que trabalha direto de outubro a dezembro com todas as montagens. Nos outros meses, nada de descanso – eles respiram natal o ano todo.

 

Na agenda, Cláudia já marcou para o próximo mês de janeiro uma viagem para a China, onde monta uma coleção de um importador para quem faz consultoria. Em seguida, ela participa de uma feira do segmento na Europa. Em fevereiro, março e abril, é a vez da equipe desmontar, reciclar e consertar todo material que foi utilizado no Natal passado – tudo tem que passar por revisão.

 

Maio é hora de programar a feira de Natal para lojistas que acontece no Brasil em junho, em São Paulo. Neste evento, Cláudia é responsável por dois estandes, além da decoração da entrada da feira.

 

Para julho e agosto, os projetos já precisam estar praticamente formatados, enquanto a loja já inicia o recebimento dos novos produtos. Em setembro começam as montagens e outubro inicia o varejo. “Natal é que não falta no nosso ano, sou uma empreendedora full time. Não sei se sou pioneira nesse trabalho, mas posso afirmar que existem pouquíssimas pessoas que realmente se dedicam à decoração de Natal nos 12 meses do ano”, diz Cláudia.

 

Cláudia Travesso trabalha junto da filha, Fernanda: “Meu gosto pelo trabalho, de alguma forma, sempre influenciou a família e fez com que todos aprendessem essa arte”
 

 

 

A locação de artigos natalinos e a criação de projetos não é uma atividade muito disseminada entre empresários. Para conseguir operacionalizar todo o trabalho da empresa que ela denomina como “pequena”, Cláudia conta com alguns “braços direitos”, entre eles, uma empresa que organiza e opera todas as montagens; e sua filha Fernanda, que mergulhou oficialmente no Natal a partir de 2009. “Meu gosto pelo trabalho, de alguma forma, sempre influenciou a família e fez com que todos aprendessem essa arte. A formação da Fernanda é em direito, mas ela tem uma habilidade muito grande com o nosso negócio. A decisão de se dedicar ao crescimento da Futuro e a alguns projetos nossos foi por vontade própria”, conta a mãe.

 

Cláudia acredita que o reconhecimento é fruto de muitas somatórias, das subjetivas às objetivas: do amor pelo Natal e tino comercial ao acervo de peças, qualidade dos parceiros e processos estruturados. “Muitos detalhes e nenhum espaço para erro ou atraso. Afinal, Papai Noel não espera”, brinca

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