Como se faz uma boa candonga

por Jessica Almeida 13/01/2012 10:32

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Geraldo Goulart
Exercício da oficina de teatro: a faixa etária da turma vai de oito a 70 anos (foto: Geraldo Goulart)

Candonga é uma palavra de significado múltiplo. Quer dizer firula, gracejo, buxixo, fuxico, carinho. Por unir tantas possibilidades, também dá nome a um espaço que se tornou uma espécie de polo de contato com a arte para a população dos bairros Cachoeirinha e Santa Cruz, na região nordeste de Belo Horizonte. A Casa de Candongas é um grande galpão onde os membros da Companhia Candongas e Outras Firulas se reúnem, desde 1999, para preparar e discutir novas montagens, além de ensaiar seus espetáculos de teatro.

 

E foi como “uma boa candonga”, nas palavras Antônio Rodrigues, o Toninho, ator e coordenador do espaço, que a Cia. contagiou toda a comunidade ao seu redor. Tudo começou de maneira espontânea. “Quando a gente ensaiava, as pessoas chegavam e perguntavam o que estava acontecendo, queriam saber se podiam assistir. Então, nós começamos a ensaiar de portas abertas e aos poucos nos tornamos um ponto de referência, onde quem estivesse transitando pelo bairro acabava parando uns minutinhos”, conta Cláudia Henrique, atriz fundadora da Cia.

 

Mais do que assistir, as pessoas começaram a querer participar das atividades e foi assim que surgiram as Oficinas Culturais na Casa de Candongas. Atualmente, são cursos de teatro, dança e flauta doce, além do Momento Literário, que acontece na biblioteca montada com o apoio da comunidade e de apoiadores, como o Instituto Cultural Usiminas.

 

As amigas Kethelen Apolinário e Kemilly Ferreira Costa, de 9 anos, frequentam a casa, especialmente a Candongoteca. “Aqui a gente brinca, lê, faz exercícios, trabalha com o corpo e, por isso, nos saímos melhor na escola”, conta Kemilly. E é mais do que isso. Ana Clara Guimarães Silva, 13, afirma: “A minha relação com os oficineiros da Cia. é melhor do que a que tenho com os professores da escola”.

 

Como uma boa candonga não tem limites, as oficinas do grupo não são só para crianças e adolescentes. A princípio, foram estabelecidas faixas etárias, para um melhor acompanhamento das turmas, mas segundo Cláudia Henrique, o público ampliou isso. “A oficina de teatro era para a faixa dos oito aos 13 anos, mas aí uma mãe que vinha trazer a criança pedia pra fazer parte”. Agora há famílias participando da oficina. “A turma tem de oito a 70 anos e a gente vai desenvolvendo uma metodologia para atender a todos e, ao mesmo tempo, abrir diálogo entre essas gerações”, complementa Cláudia.

 

Kemilly, Gabryella e Kethelen, na Candongoteca: brincadeiras, leituras e melhores resultados na escola
 

 

Maria do Carmo Guimarães, de 62 anos, é aposentada e faz as oficinas do Candongas há quase dois anos. Chegou até lá porque mora na região e viu um cartaz anunciando as atividades. Diz que a vida toda se interessou por teatro, mas nunca tinha se envolvido com a prática por falta de oportunidade. “Sempre tive curiosidade pela arte de encenar. Hoje eu conto pra todo mundo como é bom a gente fazer algo que gosta”, diz.

 

Na Casa de Candongas são realizadas também as montagens da Cia. “Nos últimos cinco anos, foram mais de 40 espetáculos encenados aqui. Se por acaso a gente fica duas semanas sem apresentar nada, o pessoal vem cobrar”, conta Toninho. Segundo o ator, os ingressos têm um preço simbólico de R$ 2, para que ninguém se esqueça de que a arte tem valor, mas, por outro lado, não seja impedido de apreciá-la.

 

Para celebrar o sucesso do projeto, nos dias 17 e 18 de dezembro acontece o 1º Encontro Artístico de Amigos da Casa de Candongas, batizado de “No Santa Cruz com Cachoeirinha”, devido à localização da sede, na interseção entre os dois bairros. O evento será na rua e terá a participação da Cia. Circunstância, do Grupo Circo Teatro Olho da Rua, do Palhaço Titetê, além de apresentações dos alunos das oficinas. Outra atração será o “talentos do bairro”, uma espécie de show de calouros que certamente vai animar a comunidade.

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