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por Guilherme Torres 13/01/2012 10:53

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João Carlos Martins
Show em comemoração aos 20 anos de carreira da dupla: “Minas tem tudo a ver com a nossa história” (foto: João Carlos Martins)

Depois da tempestade, vem a bonança. É esse clima que os irmãos Zezé Di Camargo e Luciano levaram ao palco no show que fizeram na capital no início de dezembro. No melhor estilo, eles não falaram com os fãs mineiros sobre o episódio em que Luciano anunciou o fim da dupla, mas entre brincadeiras e carinhos mútuos no palco, eles reafirmaram, sem palavras, que “está tudo bem, obrigado!”

 

A simbologia do momento ajuda. É o show que comemora os 20 anos passados desde o dia em que os dois filhos de Francisco finalmente alcançaram o topo das paradas com É o Amor, em 1991, o que hoje se concretiza em 21 álbuns, 35 milhões de cópias vendidas e muitos prêmios. Entre eles, três estatuetas de Grammy Latino por Melhor Álbum de Música Sertaneja (2004) e por Melhor Álbum de Música Romântica (2005 e 2010).

 

Com cerca de 120 apresentações por ano, BH recebeu a dupla em um show lotado, com direito a ingressos esgotados 10 dias antes e 5 mil presentes. A aposentada Nair Barbosa, 74 anos, acompanhada da filha, Ivone Oliveira, de 35, era a primeira da fila. Chegou à porta do Chevrolet Hall às 14h30, oito horas antes da apresentação dos irmãos. “Não sou fã simplesmente; é um amor sem tamanho e a única música que gosto de ouvir”, disse dona Nair, enquanto aguardava pacientemente o momento de entrar na casa de espetáculos.

 

No camarim do show, a mulher de Luciano, Flávia, com o filho dele, Nathan: o pai vai lançar o rapaz como cantor em 2012
 

 

Faltando pouco menos de duas horas para o show, Zezé e Luciano chegaram separadamente. Zezé, o primeiro, era o mais elétrico. Já desceu do carro cantando, aquecendo a voz e ouvindo suas próprias músicas em volume alto, no iPhone. Ele desligou a música quando viu o único fã que conseguiu acesso à entrada dos cantores, o jovem Iago França, 18 anos, que nasceu tetraplégico. “Esse é o meu fã número um!”, gritou Zezé, quando avistou o garoto. Ele o reconhece há 10 anos. “O Iago já foi à minha casa, na minha fazenda, passou uma virada do ano comigo. Temos muitas histórias divertidas”, conta Zezé, que apadrinhou o menino.

 

A primeira da fila Nair Barbosa, com a filha Ivone: “Não sou fã simplesmente, é um amor sem tamanho e a única música que gosto de ouvir”, conta a mãe
 

 

De lá para o camarim, mais fãs emocionados pelo caminho. A dupla recebe, antes do show, quase 100 pessoas. Não fazem o tipo artista com mil e uma exigências. Aliás, não fazem exigência nenhuma e até dispensam mordomias. “Geralmente jantamos antes no hotel, então nesse espaço (camarim) pedimos somente para ter água e café com leite. Frituras jamais, não comemos, e também porque pode dar cheiro no ambiente e nas roupas. Quem falar que somos chatos com os pedidos, é mentira. Trazemos até as nossas toalhas”, conta Luciano.

 

A dupla é prática: “A única exigência é um canto com o mínimo de conforto para recebermos as pessoas e trocar de roupa. Outra coisa que preciso é de cinco a 10 minutos, antes do show, para maquiar, trocar de roupa e aquecer a voz”, diz Zezé.

 

Previsto para ter duas horas, a apresentação em BH durou 40 minutos a mais. O motivo do “extra” pode ser a aproximação com os fãs daqui e as muitas amizades que a dupla mantém na capital.

 

Prova disso é que diversas pessoas que entraram no camarim, Zezé e Luciano já os conhecem pelo nome e fazem muitas brincadeiras. “A gente brinca que o goiano é o mineiro que não deu certo. Quem é goiano é neto ou filho de mineiro – é um laço forte. Minas tem tudo a ver com a nossa história. E o engraçado é que nossos amigos daqui não vem de graça no show não, são os primeiros a comprar e chegam aqui de surpresa, para a nossa alegria”, diz Luciano.

 

Clima de descontração nos bastidores: os irmãos dizem agora estar em paz
 

 

Eles confirmam o amor por Minas e relembram que foram aqui dois grandes momentos da carreira. O primeiro, em 1994, quando fizeram show no Mineirinho para uma multidão de 23 mil pessoas. Outra lembrança marcante é de 1997, quando os próprios irmãos fizeram esforços para trazer a BH o emblemático show Amigos, com as três duplas de maior sucesso no país naquela época: Chitãozinho & Xororó, Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano. Marcou também por ser o último no formato original, antes da morte de Leandro, em 1998.

 

É notório como Zezé e Luciano não têm um perfil de fãs definido. De dona Nair às turmas mistas de jovens na faixa dos 25 anos, e casais, além de adolescentes menores de 18 anos, como a estudante Laiza Rodrigues, 17 anos, que estava com as irmãs Carol, 19, e Paola, 23. Fãs do sertanejo universitário, estilo que impera entre a garotada, elas também se rendem aos clássicos da dupla. “A música deles é muito gostosa e animada. Todo mundo tem as letras na ponta da língua”, diz Laiza.

 

É verdade que o show em comemoração dos 20 anos de sucesso da dupla está mais pop, “mais pra cima”, confirma Luciano. Essa pitada que tem agradado aos fãs é trabalho da filha de Zezé, a cantora Wanessa, que desde a gravidez, quando parou suas próprias apresentações, tem se dedicado a dar um up no espetáculo da dupla. O solo instrumental de É o Amor, que abre a apresentação e prende a atenção de todos, foi ideia dela. Além de mudanças no balé (Wanessa é bailarina) e outras modernidades.

 

Mas, e a briga dos irmãos? Entre muitas risadas e brincadeira, Luciano falou sobre o momento que vive agora, após o desentendimento com o irmão e a internação às pressas que assustou o país, em outubro: “Acho que todos da família ainda estão preocupados comigo. Depois que fui parar no hospital, estou sendo poupado de tudo que estressa! Mas, depois do dia 31 de dezembro, sei que vou ouvir muito”, diz, em tom de brincadeira.

 

Zezé conversa com Iago França: “Esse é o meu fã número um!”, diz o cantor, que também é padrinho do garoto
 
As irmãs Paola, 23, Carol, 19, e Laiza Rodrigues, 17 anos: adeptas do estilo sertanejo universitário, elas também se rendem aos clássicos da dupla
 
Detalhes que poucos fãs puderam conferir: a dupla não faz o gênero das “mil exigências” e carrega até as próprias toalhas
 

 

Mais que um show, a vinda a BH parece ser mais um grande encontro em clima de festa nos bastidores. Luciano estava acompanhado da mulher, Flávia, e do filho, Nathan, de 17 anos, que deve se lançar na carreira de cantor no início de 2012, como adiantou o pai coruja. Passaram também pelos corredores, o irmão Camarguinho (Camargo) – que mora em BH e faz dupla com Marcelinho de Lima –, com a mulher, Cristiane e o filho Guilherme. Nos bastidores, outro irmão, Manuel Camargo, empresário da dupla, comanda tudo. A equipe de 60 pessoas é antiga, principalmente os músicos, que estão juntos com a dupla desde os primeiros sucessos.

 

Para os fãs de Zezé e Luciano, 2012 reserva boas novidades. Duas já são certas: o lançamento em março do DVD 20 anos de sucesso, gravado em setembro, e um cruzeiro inédito para 3.100 pessoas, batizado de “É o Amor”, que a dupla promoverá entre 3 e 6 de março, a bordo de um navio que vai percorrer os litorais de Santos (SP), Ilha Bela (SP) e Búzios (RJ).

 

 

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