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por Rafael Campos - Revista do Correio 28/02/2012 11:47

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Eugênio Gurgel
Agentes monitoram o hipercentro e a Savassi, na central do Olho Vivo (foto: Eugênio Gurgel)

Armado, um grupo de cinco homens invadiu o bar Amarelinho, na Savassi, região nobre de Belo Horizonte, logo nos primeiros dias do ano. Momento de pânico. Cerca de 30 clientes deitados no chão tiveram que entregar celulares, dinheiro, joias e chaves de carros. A ação foi rápida menos de três minutos , e só não se prolongou porque a polícia surpreendeu os assaltantes em pleno roubo, graças a um decisivo apoio: as câmeras do Olho Vivo, que monitoram as ruas da cidade. Instalada entre as ruas Paraíba e Antônio de Albuquerque, uma das câmeras flagrou a ação dos suspeitos. Da central de monitoramento da PM, na praça da Liberdade, partiu o alerta para o envio de viaturas ao local. Em pouco mais de dez minutos, quatro homens – um conseguiu fugir – foram presos, e os pertences das vítimas recuperados.

 

“Se não fosse a filmagem, a situação poderia ter sido bem pior”, afirma o tenente Wagner Barros, coordenador da central do Olho Vivo responsável pelo monitoramento do hipercentro e da região da Savassi. Não é apenas o militar que aprova a eficiência do olhar eletrônico. No final do ano passado, a população votou no Orçamento Participativo Digital o emprego de mais câmeras para a cidade. As regiões centro-sul, nordeste e leste devem ganhar, até 2013, o total de 570 novas câmeras.

 

O poder dos equipamentos impressiona. Encontro acompanhou o trabalho dos agentes terceirizados na central de monitoramento instalada ao lado do Palácio da Liberdade. Durante a visita, foi possível constatar a nitidez das imagens. O zoom da câmera consegue aproximar a distância de até um quarteirão e meio. Além disso, a tecnologia permite enxergar o que acontece ao redor do equipamento em 360 graus. Em uma das câmeras instaladas no edifício Acaiaca, na Avenida Afonso Pena, é possível visualizar o que acontece na praça Sete, com riqueza de detalhes.“É um mecanismo ótimo de trabalho e a expansão do projeto mostra que ele está dando certo. Registramos a redução de 30% a 40% da violência nos lugares que contam com os equipamentos”, diz o policial.

 

A fala do tenente é endossada pelo colega, o major Adriano César Ribeiro, da 6ª Companhia da Polícia Militar, que comanda a região do hipercentro. Ele diz que as câmeras ajudaram a diminuir a criminalidade em lugares complicados, como a região da rodoviária, praça Sete e rua Guaicurus. “E já constatamos a viabilidade de monitorar o hipercentro por inteiro. É uma questão de tempo”, afirma.

 

Mas, e nas regiões que não contam com as câmeras? Conforme o sargento Sérgio Silveira, do 34º Batalhão da PM, onde também funciona uma central de monitoramento, responsável pela região noroeste, o crime migra de lugar, mas em menor escala. “O criminoso começa a escolher lugares desguarnecidos pelas câmeras, mas estes locais não possuem atrativos como bancos e centros comerciais”, diz.

 

Alessandro Runcini, presidente da associação de moradores e amigos da Savassi: "Hoje, a região é bem mais tranquila do que num passado recente"
 

 

Segundo a Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), a região noroeste conta com 81 câmeras 12 delas na região da Pedreira Prado Lopes, um dos aglomerados mais problemáticos de BH em relação ao tráfico de drogas. Lá, de acordo com a PM, o comércio de entorpecentes foi, de certa forma, sufocado, pois acontecia à luz do dia e às margens da avenida Antônio Carlos. Ainda conforme a Seds, até a Copa do Mundo o entorno dos estádios do Mineirão, na Pampulha, e do Independência, no Horto, além dos aeroportos, devem ganhar mais câmeras.

 

Entretanto, Robson Sávio Reis Souza, especialista em segurança pública, ressalta que deve existir, associado à tecnologia, um sistema coeso e integrado. O melhor exemplo é exatamente a região do hipercentro da capital, que, além do Olho Vivo, passou por uma grande revitalização. "Só as câmeras não iriam diminuir a violência na região". Robson ressalta também que a vigilância eletrônica deve estar presente não apenas nas áreas de grande movimentação. “Observo que os equipamentos estão em áreas comerciais, mas e as regiões onde ocorrem diariamente homicídios?”, questiona o especialista, que também é membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

 

Segundo Souza, quando a população pede mais câmeras, ela deseja também reduzir os crimes violentos, geralmente registrados nas periferias. Conforme recente estudo da ONG mexicana Conselho Cidadão, em 2011, Belo Horizonte estava entre as 50 cidades mais violentas do mundo. A capital mineira ficou na 45ª posição. Segundo a pesquisa, a capital registrou 34 homicídios para cada 100 mil habitantes no ano passado. BH perde para outras 13 cidades brasileiras como Maceió (3º), Belém (10º) e Salvador (22º).

 

Mas para Alessandro Runcini, presidente da associação de moradores e amigos da Savassi, quanto mais câmeras, melhor. “Elas permitem uma rápida intervenção dos policiais, que são capazes até de prever alguns crimes. Hoje, a Savassi é uma região bem mais tranquila do que era num passado recente”, avalia Runcini, que também é diretor do conselho CDL- Savassi e do Shopping 5ª Avenida.

 

Projeto Olho Vivo

 

A primeira central de monitoramento do Olho Vivo foi inaugurada em dezembro de 2004, na sede da Polícia Militar, ao lado do Palácio da Liberdade. Pelo menos 72 câmeras começaram a monitorar as regiões do hipercentro, Barro Preto e Savassi. O projeto foi idealizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), em parceria com o governo do estado e a prefeitura da capital. Hoje, é coordenado pela Polícia Militar, que conta ainda com outra central, no 34º Batalhão da PM, na avenida Américo Vespúcio, bairro Caiçara, responsável pelo monitoramento de bairros da região noroeste.

 

 

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