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por João Paulo Martins 28/02/2012 14:32

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Júnia Garrido
O empresário Edgard Felipe Rodrigues achou o processo bem tranquilo (foto: Júnia Garrido)

“Tem que ser selado, registrado, carimbado, avaliado, rotulado, se quiser voar!”. A burocracia para se viajar, cantada na música de Raul Seixas, tema do musical infantil Plunct, Plact, Zum!, pode estar com os dias contados para os mineiros. O governo americano recebeu um pedido oficial de instalação de consulado em Minas Gerais, e, ao que tudo indica, o processo está caminhando e a expectativa é de que seja aprovado ainda este ano.

 

Não é de hoje que o principal destino internacional dos brasileiros são os Estados Unidos. Em 2011, segundo dados da embaixada americana em Brasília, foram emitidos 1 milhão de vistos de entrada no país, o que representou aumento de 57% em relação a 2010. Os mineiros não ficaram para trás, e representaram 8,5% da demanda por vistos, ou mais de 78 mil emissões. Só que esse número seria ainda maior, se não tivéssemos de viajar para Brasília, Recife, Rio de Janeiro ou São Paulo para a principal etapa no processo de pedido de visto: a entrevista.

 

“É um pouco burocrático. É preciso preencher vários formulários”, diz o médico Irlei Terra, que, para conseguir o visto, utilizou uma empresa especializada nesse tipo de serviço, uma espécie de despachante turístico, que realiza para o cliente todas as etapas em que sua presença não é necessária. E, para a sorte do médico, em janeiro de 2012 tiveram início os mutirões nos consulados americanos no Rio e em São Paulo, com abertura de vagas extras para a entrevista, que chegaram a 2,1 mil só para um sábado. Com isso, o processo ficou mais rápido, e no caso de Irlei, durou pouco mais de um mês. Mas ainda existe um inconveniente: ter de se deslocar a outro estado. “Para nós, belo-horizontinos, o maior incômodo é ter de viajar. Isso envolve um custo a mais. É chato ter de programar uma viagem para fazer outra viagem”.

 

Para solucionar o problema do traslado, os mineiros podem, ainda este ano, ter o estado incluído no grupo dos que possuem um consulado americano. Só que a instalação de uma representação consular é um processo complicado, que envolve negociações e investimentos, e precisa de aprovação do congresso americano. “A escolha da localização é baseada em diversos fatores estratégicos, que variam em cada país”, diz nota enviada a Encontro pelo Consulado Geral dos Estados Unidos no Rio de Janeiro. Minas Gerais fez seu pedido de instalação de posto diplomático americano em 2010, quando o então senador Eduardo Azeredo, hoje deputado federal (PSDB), se encontrou com Hillary Clinton, secretária de estado norte-americana, e explicou a importância econômica e turística do estado.

 

Tempos depois, em dezembro de 2011, Azeredo publicou um ofício, assinado pelos 56 deputados mineiros e mais 3 senadores, contendo as mesmas explicações que foram dadas à Hillary, e que foi entregue ao embaixador americano em Brasília, Thomas Shannon. O documento foi apresentado ao governador Antonio Anastasia, em reunião que contou com a presença do deputado estadual Jayro Lessa. "A reunião foi importante para reforçar o apoio do governador ao projeto, que trará diversos benefícios para o estado nas áreas econômicas e turísticas", explica Lessa.

 

O médico Irinei Terra e sua mulher, Vivian: "É chato ter de programar uma viagem para fazer outra viagem"
 

 

O encontro terminou com o apoio formal do governador. Como membro da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, Eduardo Azeredo lembra um fato importante, o da reciprocidade internacional: “O Brasil tem 10 consulados nos Estados Unidos, e, com isso, eles deveriam instalar aqui a mesma quantidade de postos diplomáticos”.

 

Enquanto não somos presenteados com o consulado, o jeito é contar com as medidas que estão sendo criadas pelo governo americano para facilitar a emissão de vistos no Brasil. Além de mutirões, que tiveram início em janeiro e continuam pelos próximos meses, 50 funcionários devem chegar ao país para dar mais agilidade ao serviço. Outra medida é a liberação de entrevista para pessoas consideradas “de baixo risco”, quando forem renovar o visto, e também para certas categorias de jovens e idosos. “Eu quero que os Estados Unidos sejam o principal destino turístico do mundo”, disse o presidente americano Barack Obama, em pronunciamento feito em janeiro. E não se trata de bondade. Só os turistas brasileiros, em 2010, gastaram cerca de US$ 6 bilhões, segundo dados do Departamento de Comércio Americano, o que nos coloca em primeiro lugar entre os estrangeiros que visitaram o país do Tio Sam.

 

A onda de euforia que leva os brasileiros em direção à maior potência do mundo faz com que muitos nem liguem para o processo de obtenção do visto. É o caso do empresário mineiro Edgard Felipe Rodrigues, que sempre ouviu os amigos reclamarem da demora e da burocracia. Só que, quando chegou sua vez, achou tudo muito tranquilo. “Minha entrevista foi em Brasília. Cheguei à embaixada às 11h e ao meio-dia já tinha ido embora”. Ele observou que o lugar estava muito cheio, mas os poucos que tinham o pedido recusado, eram, na maioria das vezes, jovens desacompanhados. “Eles estão vendo que o poder econômico do brasileiro está crescendo e estão criando menos restrições”, conclui Edgard.

 

 

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