Caia na folia você também!

por Rafael Campos - Revista do Correio 29/02/2012 07:07

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Júnia Garrido, Maíra Vieira, Banda Mole/divulgação, Paulo Márcio
Carnaval de BH, enfim, começa a ganhar força: em qual bloco você sai? (foto: Júnia Garrido, Maíra Vieira, Banda Mole/divulgação, Paulo Márcio)

Quem mora em Belo Horizonte certamente já ouviu alguma vez na vida: “BH não tem vocação para o carnaval”. A frase serviria para justificar o marasmo da capital mineira no período momesco, num passado bem recente; mas, de uns anos para cá, esse enredo mudou. Há dois anos, os blocos de rua passaram a preencher a lacuna dos amantes da festa que costumam ficar por aqui. Este ano, pelo menos 24 grupos estão confirmados para movimentar bairros tradicionais como Barro Preto, Santa Tereza, Santo Antônio e São Bento.

 

A maioria dos novos blocos de BH nasceu de maneira informal e independente, quase um encontro de amigos. “Muitos blocos iniciam a mobilização por meio de redes sociais, como o Facebook”, diz o compositor e sambista Dudu Nicácio, um dos entusiastas deste novo cenário em BH e idealizador do Bloco da Cidade, criado ano passado. Na rede social, a comunidade Carnaval de Rua BH é o principal ponto de encontro dos foliões belo-horizontinos, com mais de 2,5 mil usuários que já “curtiram” a página. Por lá, é possível encontrar a programação da festa e dicas para não perder nenhum bloco de vista. E a contar pela empolgação da rede, o número de blocos nas ruas de BH poderá ser bem maior que o previsto.

 

Dudu Nicácio, sambista e entusiasta do carnaval de rua de BH: “As pessoas sentem a necessidade de ocupar o espaço público. É uma manifestação de fortalececimento da relação com a cidade"
 

 

Em 2011, o Bloco da Cidade, que prepara a festa na quadra da Escola de Samba Cidade Jardim, desfilou na rua Sapucaí, no bairro Floresta. Já neste carnaval, a festa começa na praça do Cardoso, no bairro Serra, e alcança a praça da Bandeira, no Mangabeiras, região Centro-Sul. “As pessoas sentem a necessidade de ocupar o espaço público. É uma manifestação de fortalecimento da relação com a cidade”, diz Nicácio. Neste ano, o bloco vai homenagear o Mestre Jonas, compositor que morreu ano passado, aos 34 anos, idealizador do evento Samba da Madrugada, na capital.

 

Ângelo Pantiola, presidente dos Inocentes de Santa Tereza, à direita, com Ana Maria de Sousa e Dai Fraga, músicos do bloco: tradição e resgate do carnaval pelas ruas do bairro Santa Tereza
 

 

Além de festa e diversão, o perfil dos novos blocos de rua da capital está voltado às reivindicações. São jovens engajados que estão em busca de fazer reviver o carnaval de BH, que já foi considerado um dos melhores do país. “É importante que mais blocos sejam fundados e em vários bairros. O espaço público é de todos. É um direito”, afirma Milene Migliano, que há três anos participa dos blocos Tetê, A Santa, no bairro de Santa Tereza, e Praia da Estação, na praça de mesmo nome, no centro de BH.

 

Bloco Sou Bento, Mas Não Sou Santo: folia levou quase 10 mil pessoas para as ruas do bairro da região Centro-Sul em 2010
 
A folia sempre irreverente da Banda Mole: há 37 anos movimentando o hipercentro da capital
 

 

O número de pessoas que participam dos blocos de rua da capital vem subindo a cada carnaval, o que tem chamado a atenção da Polícia Militar, do Ministério Público e de moradores mais resistentes à folia. O Santo Bando, que há nove anos desfila pelas ruas do bairro Santo Antônio, é um dos grupos que foram obrigados a alterar sua programação. Algumas normas foram editadas, como o estabelecimento de número máximo de participantes (3,5 mil pessoas). “Tivemos ainda de programar a festa para duas semanas antes do carnaval, diferentemente dos outros anos, que acontecia no sábado anterior ao período”, revela Nilo Marciano de Oliveira, vice-presidente do bloco.

 

No bairro São Bento quem dita o carnaval é o bloco Sou Bento, Mas Não Sou Santo, que ano passado levou para as ruas 10 mil pessoas. “Os blocos dão nova cara ao bairro”, avalia Oberdan Mendes, um dos diretores da agremiação. Segundo a prefeitura de BH, os blocos que têm apresentado grande número de participantes ou que descumpriram normas de licenciamento nos últimos anos é que vêm sendo acompanhados de maneira especial. Ainda de acordo com a PBH, não houve alteração nas leis que regem manifestações nas ruas da capital.

 

Sérgio Lopes, presidente e fundador do bloco Sou Bento, Mas Não Sou Santo: “Se os moradores e a prefeitura incentivarem os blocos de rua, o Carnaval de BH tem tudo para se fortalecer a cada ano”
 

 

Ângelo Pantiola, presidente do bloco Os Inocentes de Santa Tereza, conhece muito bem a batalha de quem luta para manter o carnaval de rua de BH. Ele está há 11 anos à frente do bloco criado em 1973. Segundo ele, alguns grupos nascem sem se registrarem, o que acaba por gerar dor de cabeça no futuro.

 

O bloco de Santa Tereza já virou uma espécie de patrimônio do bairro e os moradores já se acostumaram com os ensaios de pré-carnaval, que começam ainda no segundo semestre, na praça Duque de Caxias. “Até o Samuel Rosa, do Skank, já desfilou no bloco quando criança”, revela Ângelo. Este ano, o tema do desfile é “O que Será de Nós? Do Luxo ao Lixo, a Evolução do Planeta”. A agremiação prepara ainda outro desfile com marchinhas tradicionais.

Últimas notícias

Comentários