À prova de balas

por Fábio Doyle 29/02/2012 10:01

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Divulgação
Instalação de vidros blindados em oficina especializada: serviço é cada vez mais procurado (foto: Divulgação)

A advogada Juliana Costa deixou seu Novo Uno em uma rua do bairro Cidade Jardim em Belo Horizonte e, quando voltou, encontrou a porta sem a fechadura. O vândalo não havia roubado nada. Ele deveria estar tentando ter acesso ao porta-malas pelo interior do veículo, para roubar o pneu estepe, hoje um dos mais procurados objetos desses larápios, pela fácil liquidez no mercado paralelo. Mas algo surpreendente deve ter ocorrido para que ele abandonasse o local do crime às pressas, sem nada levar. Menos mal.

 

Para a bióloga Beatriz Nogueira, a experiência foi mais traumática. Ela deixou seu Fiat Punto em uma rua no Barro Preto, perto de um hospital do bairro, e quando voltou encontrou o carro sobre cavaletes, sem as duas rodas traseiras e sem o estepe. A rua de pouco movimento deu tempo ao ladrão de abrir o capô, retirando a grade frontal, desligar os cabos da bateria para desativar o alarme, quebrar o vidro da porta do motorista, ter acesso ao interior do carro, abrir o porta-malas e não só roubar o pneu estepe, como levantar o carro com um macaco, colocá-lo sobre os cavaletes improvisados e levar também as duas rodas traseiras.

 

O vidro fixo da porta traseira do Passat do economista Márcio Carvalho foi o alvo de ladrões que tentaram ter acesso ao carro que estava estacionado durante a noite em uma “tranquila” rua no bairro Santo Antônio. Ao voltar ao veículo, Carvalho encontrou o banco de trás coberto de vidro estilhaçado. Os ladrões estouraram o vidro da parte fixa da porta traseira com o intuito de enfiar o braço no acesso, abrir a porta e furtar. Só que o Passat é um carro alemão com tecnologia de segurança de última geração, e os meliantes não conseguiram nem mesmo abrir a porta. Ficou o prejuízo do vidro quebrado.

 

Como mostram esses exemplos e as estatísticas comprovam, os vidros das portas, por serem as partes mais visadas dos bandidos, representam um dos pontos mais importantes na proteção dos ocupantes do veículo. De olho nesse filão de mercado crescem a cada dia, diante da inoperância da segurança pública em defender os cidadãos dos vândalos e ladrões, os investimentos em tecnologia de vidros automotivos mais resistentes.

 

Depois dos vidros laminados, que são mais resistentes e quebram de forma a não representar perigo de ferir os ocupantes, a indústria de blindagem vem desenvolvendo vidros especiais resistentes não apenas às porretadas dos bandidos, mas até a tiros de fuzil.

 

Investindo na segurança de seus carros, algumas montadoras brasileiras já incluem vidros laminados não apenas no para-brisas dianteiro e traseiro, mas também nos laterais. Estes foram incluídos como item de série pioneiramente no Fiat Idea e também equipam opcionalmente outros automóveis da Fiat, como o Punto, Linea e Novo Palio, constituindo-se em elementos de proteção aos usuários, especialmente em ações de assaltantes e de vândalos. O vidro laminado é composto por duas camadas de vidro e uma lâmina intermediária de plástico (polinivil butirol), que o torna mais resistente aos impactos do que os vidros comuns.

 

No aspecto da segurança, os vidros laminados impedem que os ocupantes sofram ferimentos resultantes de pedras e até paralelepípedos atirados por assaltantes nas estradas, assim como em tentativas de furto, especialmente em semáforos e congestionamentos. Da mesma forma que o para-brisa, outra função dos vidros laterais laminados é a proteção aos ocupantes, uma vez que os mantêm no interior dos veículos em impactos frontais e em capotamentos.

 

Teste de segurança em para-brisa de carro da Fiat: item de série de alguns modelos da montadora
 

 

Os vidros laminados contribuem também para o conforto, na medida em que reduzem o nível de ruído. Entre os atributos dos vidros laminados está ainda a propriedade de reduzir a transmissão térmica para o interior dos veículos e, drasticamente, a possibilidade de câncer da pele em pessoas com essa tendência genética e que se submetem à prolongada exposição ao sol na condução de veículos.

 

Os vidros laminados ajudam, mas nem sempre são suficientes para enfrentar o mundo cão dos grandes centros urbanos. Carros blindados representam uma parcela cada vez maior da frota circulante nas grandes cidades, e a blindagem de vidros é ponto crucial nesse processo.

 

São vários os graus de blindagem oferecidos no mercado e a parte envidraçada, como sempre, é a mais fragilizada. Essa tecnologia tem evoluído bastante, e hoje é possível encontrar vidros blindados discretos, que quase não permitem identificação. Um desafio é que, mesmo grossos e resistentes, eles não são 100% seguros. Um dos pontos vulneráveis é a extremidade do ponto de abertura entre a parte blindada do vidro e as canaletas por onde ele sobe e desce. Se o projétil atingir esse ponto, ele passará para o interior do carro e poderá atingir os ocupantes.

 

Para eliminar essa possibilidade a empresa brasileira PG Products desenvolveu e patenteou um vidro com aço. Batizado de SteelGlass, trata-se de um vidro balístico com uma chapa de aço inox que forma uma moldura na suas bordas, eliminando a necessidade de overlap tradicional – solda de uma chapa de aço sobre a moldura das portas ou janelas sobre a carroceria –, mantendo a originalidade do carro e facilitando o trabalho das blindadoras.

 

Além disso, segundo o fabricante, a aplicação do aço nas bordas dá mais resistência ao vidro, minimizando quebras no fechamento continuado das portas, fato muito comum nos vidros blindados tradicionais, evitando também que, quando agredido, o conjunto balístico se desprenda da folha externa e caia no interior do veículo.

 

Assim como o peso, a espessura do vidro balístico varia de acordo com o nível de resistência balística e a tecnologia empregada na fabricação do mesmo. Em geral, os vidros mais usados pelas blindadoras têm espessura que varia de 17mm a 22mm. Mas há peças ainda mais grossas e resistentes. A própria PG Products aposta num vidro de 30mm de sanduíche balístico, que resiste até a tiros de fuzil. Esse vidro tem sido exigência de países situados em zona de conflito. No primeiro trimestre deste ano, a remessa desse produto para o exterior correspondeu a 8% das vendas da empresa.

 

Apesar de as características originais do seu veículo permanecerem inalteradas e a utilização das funções normais seguirem conforme as especificações do fabricante, o processo de blindagem implica em significativas alterações estruturais que, mesmo visualmente imperceptíveis, obrigam a adoção de uma série de cuidados extras na utilização diária do carro.

 

 

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