"Não há motivo para pânico"

por Blima Bracher 05/03/2012 14:42

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Eugênio Gurgel
None (foto: Eugênio Gurgel)

O elevado número de rompimentos de próteses das marcas de silicone PIP (francesa) e Rofil (holandesa) – 39 em menos de um mês – levantou suspeita sobre o material com que eram confeccionadas. Não deu outra: o gel fluido era próprio para uso industrial e imcompatível para fins de saúde e estético. Estima-se que um total de 20 mil cirurgias com as duas próteses proibidas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) tenham sido feitas no país, já que cerca de 12 mil brasileiras colocaram próteses da fabricante francesa e outras 7 mil implantaram próteses da indústria holandesa.

 

O cirurgião plástico Cláudio Salum Castro, 55 anos, presidente da Regional da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica de Minas Gerais, aconselha a quem se submeteu a implantes de próteses de silicone e não lembra a marca usada a procurar o médico e a clínica utilizados. São eles que vão ajudar a pessoa a determinar a necessidade e a forma de trocar o produto e evitar problemas futuros. Tudo, como ele alerta, sem motivo para entrar em pânico. “Não há risco de morte”, avisa o especialista.

 

1) ENCONTRO – Quais os problemas apresentados pelas próteses de silicone PIP e Rofil? Por que foram detectados riscos para a saúde?
CLÁUDIO SALUM –
Estamos falando de um problema de adulteração. O gel de silicone com que foram confeccionadas estas próteses não é próprio para fins médicos. É um gel industrial. Mas não existe risco de toxidade. É importante dizer também que não existe relação do uso de próteses com doenças como o câncer. Uma das técnicas, aliás, muito empregadas na reconstrução de mama em pacientes que tiveram remoção total ou parcial da mama em função de um câncer é o uso da prótese de silicone.

 

2) ENCONTRO – Qual é a orientação imediata para quem usou essas marcas?
CLÁUDIO SALUM –
A orientação imediata é não entrar em pânico. É importante dizer que a pessoa não está correndo risco de morte. O primeiro passo é saber a marca da prótese que está usando; para isso, pode-se recorrer ao médico que a operou. Caso a paciente tenha perdido o contato com o profissional, pode procurar um médico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e fazer os exames e procedimentos necessários em cada caso. É importante dizer também que existe um recibo que a paciente pode pedir ao médico, mas é obrigação da clínica ou hospital onde foi realizada a cirurgia ter isso arquivado no prontuário.

 

3) ENCONTRO – Em termos de números, quantas mulheres podem ter sido atingidas por esse problema no Brasil? Há alguma estatística em Minas?
CLÁUDIO SALUM –
O Brasil importou 34.631 unidades das próteses francesas PIP, das quais 24.534 foram comercializadas e cerca de 10 mil recolhidas pela Anvisa. Estima-se que 12 mil pacientes tenham essas próteses. Já as holandesas Rofil foram implantadas em cerca de 7 mil pacientes. A grande maioria das mulheres que possuem essas próteses é do Paraná, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro. Não temos estatísticas só para Minas.

 

4) ENCONTRO – Há razões que justifiquem a remoção ou substituição preventiva das próteses, ou essas alternativas deverão ser realizadas apenas em caso de rompimento?
CLÁUDIO SALUM –
Essas alternativas só devem ocorrer em caso de rompimento, que normalmente deforma a mama. A paciente sente dor; há um processo inflamatório. É muito difícil um rompimento bilateral. Se existem sintomas como esses, a mulher pode pedir uma ultrassonografia ou então uma ressonância magnética.

 

5) ENCONTRO – No caso de ocorrer o rompimento da prótese e a mulher não perceber os sintomas, o que pode acontecer?
CLÁUDIO SALUM –
São duas situações: a prótese tem uma cápsula própria que a envolve e, depois de certo tempo, mais ou menos uns quatro ou cinco meses, o corpo envolve a prótese, induzindo à formação de outra cápsula, por se tratar de um corpo estranho. Muitas vezes a cápsula da prótese se rompe e a própria membrana fibrosa do corpo mantém aquele silicone ali, sem alterações. Numa outra situação, quando há o rompimento dessas duas cápsulas, o silicone pode vir a migrar para outras áreas do corpo, como no caso das próteses em questão, Pip e Rofil. Trata-se de um silicone industrial, que é um gel fluido. É preciso prestar atenção ao processo inflamatório; o próprio corpo vai dar o alarme. É importante dizer que isto não vai levar a paciente a deformidades e a riscos. Não existem casos na literatura médica do silicone migrar para o cérebro.

 

6) ENCONTRO – O que a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica aconselha em relação ao problema com as duas marcas?
CLÁUDIO SALUM –
Primeiramente, não há motivo para pânico. Segundo, orientamos a paciente a procurar seu cirurgião plástico, que deve tomar as providências cabíveis. Inclusive em reunião com o Ministério da Saúde e com a Anvisa, foi acertada a liberação das cirurgias pelo Serviço Único de Saúde e na saúde suplementar, através dos planos de saúde, no caso de rompimento.

 

7) ENCONTRO – Como uma situação como essa, de próteses feitas com material perigoso para a saúde, pode ocorrer ainda hoje? Como é feita essa fiscalização?
CLÁUDIO SALUM –
A Anvisa é o órgão responsável em território nacional por aprovar a entrada de próteses no país. Então, quando estou no meu consultório e entra uma paciente querendo colocar uma prótese, pressuponho que seja compatível para os fins estéticos. Não comercializo próteses; a paciente é quem compra do fornecedor. Isso deve ser muito bem esclarecido. É verdade que cada médico tem a prótese de preferência e nós, médicos do Brasil, não imaginávamos que marcas da Comunidade Europeia teriam algum processo, e que com o aval da Anvisa, essas próteses seriam utilizadas aqui.

 

8) ENCONTRO – Então o próprio paciente compra a prótese?
CLÁUDIO SALUM –
O médico indica a marca de sua preferência, de acordo com formatos e necessidades para cada paciente, e a pessoa vai lá e compra A, B ou C. Não existe uma diferença muito grande entre próteses francesas, coreanas ou japonesas.

 

9) ENCONTRO – Como deverá ser feito o exame e o monitoramento nos casos de mulheres que não tiveram a prótese rompida e usaram as marcas denunciadas?
CLÁUDIO SALUM –
A Anvisa vai criar um cadastro nacional de implantes mamários para monitorar esse tipo de problema, que será referendado a cada três meses.

 

10) ENCONTRO – O que fazer para se precaver dos riscos na hora de implantar o silicone?
CLÁUDIO SALUM –
A paciente deve se informar com outras pessoas que tenham sido operadas por aquele médico. Deve procurar saber se ele é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que é o órgão responsável, por meio do Conselho Federal de Medicina, a outorgar ao residente o título de especialista na área. Ela pode consultar o site da regional (fbcp-mg.org.br). O médico escolhido deve informar sobre a melhor forma de colocação, as condições, o tamanho das cicatrizes e outras complicações com a cirurgia. E é aconselhável trocar a prótese a cada 10 anos.

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