A pele de pêssego virou detalhe

por Carolina Godoi 06/03/2012 12:00

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Júnia Garrido, Leo Araújo
None (foto: Júnia Garrido, Leo Araújo)

As mais recentes estatísticas, divulgadas em 2010 pela Sociedade Americana de Estética e Cirurgia Plástica, (Asaps) mostram que, por 11 anos seguidos, a toxina botulínica tipo A é o procedimento estético e não cirúrgico preferido pelos pacientes de clínicas americanas. A toxina botulínica tipo A (mais potente para uso terapêutico e estético) já contabilizou aproximadamente 2,5 milhões de procedimentos realizados, mantendo o primeiro lugar no ranking da Asaps desde o ano 2000, com um crescimento de 50% na procura entre os anos de 2002 e 2010. A euforia dos pacientes tem história. São 20 anos de uso para fins estéticos, que são cada vez mais abrangentes e têm demandado dos médicos estudo e muita habilidade.

 

Foi por volta de 1817 que uma doença conhecida como botulismo trouxe para o médico e poeta alemão Justinus Kerner a curiosidade para o levantamento de um estudo, já que ela evoluía rapidamente para uma paralisia muscular que afetava a totalidade do corpo e, geralmente, os doentes morriam de paralisia dos músculos respiratórios.

 

O médico dermatologista Rodrigo Maia com a paciente

Gabriela Sales: “Hoje, usamos com muita segurança

também no terço inferior da face, para subir o canto da

boca, levantar a ponta do nariz ou melhorar as linhas

do pescoço”, diz ele

 

 

A continuação desse estudo foi apenas em 1897, quando o microbiólogo Emile Van Ermengem isolou a bactéria responsável pela intoxicação alimentar causada pela toxina botulínica: a Clostridium botulinum. Foi o norte-americano Edward Schantz quem isolou e purificou, em 1946, a toxina botulínica do tipo A.

 

Alguns anos mais tarde, Alan Scott detectou que a toxina poderia ser útil como método cirúrgico para tratar o estrabismo, debilitando os músculos oculomotores responsáveis pela patologia. Em 1981, John Elston foi o primeiro médico britânico a utilizar clinicamente a toxina botulínica, primeiro nos pacientes afetados por estrabismo, em seguida nos afetados por blefaroespasmo. Elston havia trabalhado com Scott nos Estados Unidos a fim de familiarizar-se com a técnica da injeção.
O resto da história já foi muito divulgado: em 1988, o casal de médicos canadenses Carruthers notou que os pacientes se curavam do estrabismo e ficavam estranhamente sem rugas.

 

Publicaram a descoberta e este foi o começo do uso estético da toxina botulínica tipo A na década de 1990, que pode ser considerado tímido perto do que os dermatologistas, cirurgiões plásticos e neurologistas de hoje estão fazendo. “Com a experiência, os médicos descobriram a dosagem correta em cada caso, em quais músculos pode ser injetada. Com mais conhecimento sobre as regiões já exploradas, eles começaram a criar novas possibilidades”, afirma o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia seção Minas Gerais, Glaysson Tassara.

 

O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia-MG, Glaysson Tassara, atende cliente em sua clínica: “Outro avanço importante foi o uso para tratar a hiperidrose nas mãos, pés e regiões da axila”
 

 

Além disso, o domínio maior da técnica de aplicação está sendo responsável por resultados mais naturais e mais previsíveis, muitas vezes injetando quantidades menores da toxina. “Outro avanço importante foi o uso para tratar a hiperidrose nas mãos, pés e regiões da axila”, afirma Tassara, que acredita no uso também para paralisar regiões próximas de cicatrizes de cirurgias de tumor, para melhorar o aspecto final.

 

A aplicação da toxina botulínica vem se demonstrando um procedimento com o qual os médicos se sentem seguros, ao aliar a outros produtos. “Desde que iniciamos a utilização do botox para o tratamento das rugas dinâmicas, em 1992, ficávamos pensando em como seria o tratamento das rugas e sulcos estáticos da face também. Vários produtos apareceram, mas não conseguiram permanecer no mercado por inúmeros problemas que acarretaram ao médico e ao paciente. Hoje, temos uma gama de produtos específicos para cada área da face e que comprovaram cientificamente serem eficazes no tratamento global do rejuvenescimento facial”, analisa Paulo Matsudo, cirurgião plástico, especialista e titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

 

Desde 1999, o médico Rodrigo Maia, uma das estrelas da dermatologia mineira na atualidade, realiza o procedimento, e hoje faz cerca de 1.300 sessões de aplicação por ano, correspondendo a um terço de todos os procedimentos realizados na Clínica da Pele, da qual é proprietário. “Hoje usamos com muita segurança também no terço inferior da face, para subir o canto da boca, levantar a ponta do nariz ou melhorar as linhas do pescoço”, explica. Uma técnica realizada no pescoço e mandíbula tem chamado atenção pelo nome curioso: Nefertiti Lift, em homenagem à rainha do Egito, que tinha longo pescoço e perfeitos contornos do rosto. É indicado para pacientes que têm pouca queda da pele lateral das mandíbulas. E, quando as sobrancelhas são muito retas ou caídas, ou existe excesso de pele entre os olhos e a sobrancelha, Maia considera que a toxina pode ter ótimos resultado. “Se bem aplicada, a fisionomia fica mais descansada”, diz Maia.

 

 
 

 

Para a médica Daniela Sales, de 25 anos, que faz uso da toxina, a aplicação estética simples na glabela e outra para arquear as sobrancelhas não a impressionaram tanto quanto a que resolveu um antigo problema de bruxismo. “Já tinha tentado de tudo sem resultado”, diz. Mesmo sendo um tratamento passageiro, ela já fez o procedimento há um ano e continua sem contrações fortes durante o sono.

 

A Allergan, que fabrica o Botox, afirma que não há dados precisos, mas hoje o uso da droga para fins terapêuticos e para fins estéticos é quase o mesmo, com abrangência bem equilibrada e quase impossível de se mensurar, já que não existem pesquisas nacionais a respeito. Na atualidade, além da dermatologia, outras áreas da medicina a estudam e utilizam: a neurologia, oftalmologia, urologia e cirurgia plástica. Segundo o Laboratório Galderma, fabricante do Dysport, concorrente direto do Botox, o número de aplicações da toxina botulínica cresce 17% ao ano no Brasil, mesmo que muitas mulheres não admitam que usem a substância, como conta Rodrigo Maia: “É que com o efeito mais suave, muitas juram que nunca fizeram ou morrem de medo de fazer”. Nem todo segredo de beleza tem necessidade de ser revelado, não é mesmo?

 

 
 

Últimas notícias

Comentários