Vale a pena conhecer

por João Paulo Martins 04/04/2012 14:29

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Newton França, Paulo Márcio, Maíra Vieira, Divulgação
None (foto: Newton França, Paulo Márcio, Maíra Vieira, Divulgação)

GRUTA DO REI DO MATO
Onde fica: Monumento Natural Estadual Gruta Rei do Mato, em Sete Lagoas (MG)
Distância de BH: 62 km
O que ver: duas colunas de 12 m, formadas pelo encontro de estalactite com estalagmite
Profundidade: 30 m
Área de visitação: 220 m
Endereço: rodovia BR-040, km 472
Funcionamento: diariamente, das 8h às 16h30
Preço: R$ 10
Informações: (31) 3771-5258/0888/6465

 

Como diria Guimarães Rosa: “Minas, são muitas. Porém, poucos são aqueles que conhecem as mil faces das Gerais”. Essa diversidade a que se refere o escritor diz respeito principalmente às nossas riquezas naturais, históricas e culturais. Não é à toa que o estado está se firmando como um importante destino turístico brasileiro. Para se ter uma ideia, em 2011 o aeroporto internacional Tancredo Neves, em Confins, registrou aumento de quase 40% nos desembarques nacionais e internacionais, de acordo com a Infraero. Um dos principais atrativos de Minas é exatamente o patrimônio ambiental, em especial o circuito das grutas e sítios arqueológicos, que preservam tesouros da história.

 

Num raio de até 100 quilômetros de Belo Horizonte, é possível conhecer grutas com formações geológicas únicas e até resquícios de homens pré-históricos. Graças à ação da água sobre os depósitos de calcário, que se formaram em Minas Gerais há centenas de milhões de anos, quando algumas regiões ainda estavam submersas pelas águas, as cavernas foram esculpidas pela erosão. “A idade das grutas varia muito, entre seiscentos e setecentos mil anos. Elas estão sempre em formação, é um processo contínuo”, explica Cástor Cartelli, paleontólogo e diretor do Museu de Ciências Naturais da PUC Minas.

 

Descobertas pelo naturalista Peter Lund no século XIX, as pinturas

rupestres do Sítio da Pedra Pintada são importante patrimônio e atração turística

 

 

Lagoa Santa, Cordisburgo e Sete Lagoas são as cidades que se enquadram nesse perfil geológico e onde, naturalmente, estão localizadas as principais cavernas turísticas: Lapinha, Maquiné e Rei do Mato, respectivamente. A importância natural dessas formações geológicas vai além da beleza de seus atrativos, como as estruturas pontiagudas que se formam a partir do teto (estalactites) e do chão (estalagmites), resultado de milhões de anos de gotejamento da água, que vai depositando o calcário que retira das rochas. O que atrai pesquisadores são justamente os vestígios arqueológicos que se encontram nesses locais. Mastodontes (ancestrais do elefante), preguiças gigantes e gliptodontes (ancestrais do tatu) são exemplos de fósseis encontrados na região e que estão em exibição em museus de Minas e do mundo.

 

Os estudos do naturalista dinamarquês Peter Wilhelm Lund, em meados do século XIX, principalmente na região de Lagoa Santa, contribuíram muito para o conhecimento das espécies que viveram por aqui há milhares de anos. Apesar da importância de suas descobertas, Lund é cercado de polêmica, por ter decidido enviar pelo 20 mil itens encontrados em terra brasileiras ao rei Cristiano VIII da Dinamarca. “Ainda bem que ele levou os achados para seu país, senão tudo estaria perdido. Ele ajudou a proteger o registro histórico e colocou a região da gruta da Lapinha no circuito científico mundial”, diz Cástor Cartelli.

 

O arqueólogo Walter Neves é o responsável pelo

estudo do crânio de Luzia: “O acervo arqueológico

de Lagoa Santa é extremamente importante”

 

 

Agora, as pesquisas de Lund e o turismo nas cavernas mineiras estão em alta. No último ano, Lapinha, Maquiné e Rei do Mato receberam 113 mil visitantes. As visitas são restritas a grupos de no máximo 20 pessoas por vez, para proteger o patrimônio natural. É como diz o ditado popular: “da gruta nada se leva, a não ser lembranças; nada se tira, a não ser fotografias; e nada se deixa, a não ser pegadas”. A maior parte dos visitantes das cavernas é proveniente de excursões escolares, cerca de 70% do total. “São visitas pedagógicas para aprendizado sobre formação geológica do planeta Terra”, diz Marcus Alain, gestor da Associação Turística do Circuito das Grutas (MG). Uma curiosidade em relação aos turistas é que grande parte deles são pessoas que perderam voos em Confins e têm de pernoitar nas cidades do entorno do aeroporto. Mesmo de passagem, os visitantes aproveitam a rápida permanência por aqui para conhecer as grutas e entender um pouco mais da história da civilização.

 

Por motivos diferentes, não é de hoje que as áreas próximas às grutas atraem pessoas. Os homens pré-históricos usavam essas regiões como abrigo. “O homem das cavernas, na verdade, nunca morou em caverna. É um mito que precisamos derrubar”, explica Walter Alves Neves, arqueólogo e professor da Universidade de São Paulo (USP). A paisagem da região do entorno de Belo Horizonte tinha a mesma característica atual, mistura de cerrado com floresta, e era bem povoada no período de sete a 11 mil anos atrás. “O acervo arqueológico em Lagoa Santa é extremamente importante para o conhecimento sobre os primeiros homens que habitaram o continente americano”, diz Walter Neves.

 

GRUTA DO MAQUINÉ
Onde fica: Monumento Natural Estadual Peter Lund, em Cordisburgo (MG)
Distância de BH: 86 km
O que ver: sete grandiosos salões, com diversas formações naturais
Profundidade: 18 m
Área de visitação: 650 m
Endereço: rodovia MG-421, km 6
Funcionamento: diariamente, das 8h às 16h30
Preço: R$ 14
Informações: (31) 3715-1310/1078
 

 

Uma das grandes descobertas foi um crânio humano, datado de 11,5 mil anos, e que recebeu o nome de Luzia, em referência à Lucy, o ancestral mais antigo da espécie humana, achado na Etiópia (África) e que teria vivido há quatro milhões de anos.
Graças aos estudos de Walter Neves - considerado um dos mais importantes arqueólogos do mundo -, que tiveram início em 1988, Luzia deixou de ser uma peça de museu e se tornou referência na história da formação dos povos americanos. “Apesar de ter traços africanos, ela é originária da Ásia e chegou à América do Sul através do estreito de Bering (entre o Alasca e a Rússia). Os arqueólogos norte-americanos acham que a ocupação do continente americano se deu há onze mil e duzentos anos. Mas na América do Sul, nesse período já havia total ocupação humana”, esclarece o professor da USP.

 

O paleontólogo Cástor Cartelli acha que Peter Lund fez bem ao levar embora o

que descobriu por aqui: "Senão, tudo estaria perdido"

 

 

Para quem quer conhecer vestígios de possíveis contemporâneos de Luzia, basta visitar, em Barão de Cocais, a cerca de 100 km de BH, o sítio em que Peter Lund, no ano de 1843, encontrou e catalogou pinturas rupestres, semelhantes às que são vistas em Altamira, na Espanha, e em Lascaux, na França. Com tintas naturais, principalmente à base de minerais (rochas coloridas), os desenhos representam animais diversos, que interessavam aos homens primitivos por serem fontes de alimento.

 

Um lugar que chama a atenção por essa arte ancestral é o Sítio da Pedra Pintada, que, devido à sua importância, foi classificado como patrimônio municipal de Barão de Cocais. Por ser uma propriedade particular, as visitas são feitas apenas por agendamento.

 

GRUTA DA LAPINHA
Onde fica: Parque Estadual do Sumidouro, em Lagoa Santa (MG)
Distância de BH: 35 km
O que ver: cortinas formadas por estalactites e museu de história natural
Profundidade: 40 m
Área de visitação: 511 m
Endereço: rua Nossa Senhora do Rosário s/n, Lapinha
Funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 16h
Preço: R$ 10
Informações: (31) 3661-8671
 

 

Outro local com vestígios humanos que chama a atenção é uma uma rocha que fica a quatro metros de profundidade, na região de Lagoa Santa. Descoberta em 2009 por um grupo de arqueólogos liderados por Walter Neves, a imagem foi analisada e sua data de criação é estimada entre 9,5 e 10,5 mil anos. Com isso, os estudiosos vinculam a gravura aos contemporâneos de Luzia.

 

Não importa qual destino turístico se escolha. Das várias Minas Gerais, é preciso desfrutar de todas. Num estado tão rico como este, com tantas paisagens e patrimônios, era de se esperar que Guimarães Rosa, símbolo da “sertanice” e do povo mineiro, e natural de Cordisburgo, onde se encontra a gruta do Maquiné, escrevesse assim sobre seu descanso eterno: “Quando eu morrer, que me enterrem na beira do chapadão, contente com minha terra, cansado de tanta guerra, crescido de coração”.

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