A TFM sobreviveu aos quatrocentões

por Aristóteles Drummond 04/04/2012 12:58

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Conversas de bar sempre acabam em temas interessantes, que por vezes fogem à imaginação dos pauteiros dos jornais e revistas. E foi  nelas – a primeira em BH, no Buona Tavola, e a segunda no tradicional Rodeio, em São Paulo, com outro grupo –, que se tratou da presença e atualidade das chamadas TFM (Tradicional Família Mineira) e dos quatrocentões paulistas.

 

Realmente, a tradição resiste mais na Minas moderna e dinâmica, na capital que mais cresce e de mais acelerado aumento da sua qualidade de vida. O estado tem, nas grandes cidades e no interior, um grupo fechado de famílias que ainda convivem e se casam entre si – assim como mantêm negócios e certa presença em setores nobres, como é o caso do mercado financeiro.

 

Sem fazer grande alarde, Minas voltou a ser a terra dos banqueiros, na medida em que seus bancos são dos poucos no Brasil com direção de seus controladores, embora com a presença de colaboradores de carreira ou de vida acadêmica. Mas são basicamente familiares os seus principais bancos, como o Mercantil do Brasil, BMG e Bonsucesso. Os demais são estrangeiros ou de capital pulverizado, sem o predomínio de uma família. O Itaú, paulista, reúne dois grupos controladores de tradição local – Setúbal e Vilela –, e um terceiro de tradição bancária, mas mineira – os Moreira Salles.

 

Na engenharia, são muitas as empresas que estão na terceira e até quarta geração no ramo. Além de grande número de novos empreendedores neste boom que o setor imobiliário atravessa, muitos já são ligados pelo casamento às famílias mais antigas das Alterosas. O mesmo não ocorre em São Paulo, onde as maiores empresas são quase todas de primeira geração.

 

No comércio, a presença de gerações se sucede, especialmente em alguns setores. É o caso do de veículos, inclusive pesados; da hotelaria, em que o Hotel Brasil, de São Lourenço, é exemplo maior; e do agronegócio.

 

Mas é na política que Minas ganha disparado em termos de continuidade na representação das famílias mais tradicionais. A vocação, de um lado, e a fidelidade do eleitor, de outro, fazem com que a bancada federal mineira seja referência nacional em termos de parlamentares com história familiar na política. A lista impressiona.

 

Bonifácio Andrada, o decano, é de família presente no parlamento até mesmo antes da independência do Brasil, pois o primeiro Antônio Carlos era deputado pelo país junto às cortes de Lisboa. Este é filho, neto, bisneto, irmão e pai de dois parlamentares, e já dividiu legislatura com um primo que representava o Rio. Bilac Pinto, filho e neto, sobrinho-bisneto de presidente da república; Bernardo Vasconcellos, filho de parlamentar de 10 mandatos; Paulo Abi-Ackel, filho de referência de oratória e cultura na tribuna do Congresso Nacional. O mais votado nas duas últimas eleições, Rodrigo de Castro, filho de deputado que figurou entre os mais votados.

 

Na Assembleia, é o mesmo com Gustavo Corrêa, filho e neto de dois deputados, Bruno Siqueira, Tiago Ulisses, Agostinho Patrus Filho, entre outros. No Senado, Aécio Neves, que é filho de deputado e neto de dois parlamentares que marcaram a vida política mineira.

 

Não existe em nenhuma unidade da federação uma história como essa de continuidade na vida pública e com essa abundância de casos. Quando muito, a tradição passa de pai para filho e fica por aí, com exceções como o governador Eduardo Campos, neto de Miguel Arraes, e o deputado ACM Neto, sobrinho de Luís Eduardo e neto de Antônio Carlos Magalhães. São Paulo, hoje, não possui nenhum parlamentar federal com história familiar na política, ou inscrito entre os nomes mais tradicionais – apenas uns poucos casos na Assembleia.

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