A BH das árvores

por Rafael Campos - Revista do Correio 05/04/2012 11:10

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Eugênio Gurgel e Júnia Garrido
None (foto: Eugênio Gurgel e Júnia Garrido)

“Debaixo de cada árvore faço minha cama, em cada ramo penduro meu paletó”. Poetas mineiros, como Carlos Drummond de Andrade, cansaram de escrever versos que representaram a época em que Belo Horizonte era conhecida como Cidade Jardim. A modernidade veio e, a reboque, uma grande quantidade de veículos, prédios e ruas alargadas. “A cidade escolheu o progresso, mas de maneira incompatível com a presença das árvores”, explica a professora de história da UFMG, Regina Duarte Costa, autora do estudo À Sombra dos Fícus: Cidade e Natureza em Belo Horizonte, publicado em 2007.

 

E não foi somente ela que percebeu a mudança. Para reparar o que o progresso acelerado descontinuou, está em andamento o projeto da prefeitura que prevê o plantio de 54 mil árvores até 2014 – 6 mil em cada uma das nove regionais: Centro-Sul, Norte, Barreiro, Pampulha, Leste, Oeste, Nodeste, Noroeste, Venda Nova. Além disso, um inventário (veja box) das espécies existentes em BH está sendo feito desde outubro de 2011. A medida foi adotada depois que uma árvore caiu, matando uma pessoa no Parque Municipal, em janeiro do ano passado.

 

 

 

“Nos últimos 20 anos, a capital não apresentou nenhum plano sistematizado de plantio”, afirma Júlio de Marco, gerente de projetos especiais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. A ideia, segundo ele, é resgatar o velho apelido de BH que se perdeu no tempo. “Estamos dando continuidade ao processo de plantio no município, utilizando espécies que sempre existiram aqui, como ipês e palmeiras”, explica.

 

 

 

O plantio dessas árvores é feito de maneira sistematizada. As vias com grande movimentação estão recebendo mudas de 2,5 metros de altura (do solo até a primeira ramificação de galhos). Já as mudas menores estão sendo plantadas em locais com pouca movimentação ou sem acesso de pessoas, para diminuir as chances de elas serem depredadas.

 

Segundo Regina Duarte Costa, ao longo dos anos, foi notada certa aversão de alguns moradores em relação às árvores. “O grande desafio de um projeto como este é as pessoas aderirem à ideia de preservação”, diz. Não é difícil encontrar maus exemplos, na opinião dela. Há pessoas que cimentam o tronco, colocam pregos e até fogo para que o vegetal não sobreviva. “A cidade só voltará a ser chamada de Cidade Jardim se os cidadãos quiserem”, afirma a professora.

 

Funcionários da PBH plantam mudas na avenida dos Andradas, no bairro Santa Efigênia: todas as nove regionais irão receber novas mudas até 2014
 

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