As cortinas se abrem

por Daniela Costa 23/04/2012 13:06

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Geraldo Goulart
Jerry Adriane Telles, um dos coordenadores do espaço (foto: Geraldo Goulart)

ocalizada no Quadrilátero Ferrífero, uma das regiões mais ricas de Minas Gerais, a 80 quilômetros de Belo Horizonte, Itaúna integra a rota da cultura e da arte no centro-oeste mineiro. Sua vocação artística é conhecida no teatro, na dança e nas artes plásticas, e a cidade sempre rendeu nomes à cultura brasileira nas mais diversas áreas, como a literatura - com o poeta Mário Mattos -, e o historiador João Dornas Filho.

 

Com mais de 100 anos de história, Itaúna já viveu outros momentos efervescentes na cultura, como em 1981, quando ganhou mais um espaço voltado para as artes: o Teatro Vânia Campos, em homenagem póstuma à professora de português que incentivou várias  gerações de jovens e que se tornou símbolo do movimento cultural na cidade.

 

O Vânia Campos sobreviveu ao tempo, mas enfrentou vários problemas; um deles, a deterioração de suas instalações. Em setembro de 2011 completou 30 anos, mas a comemoração ficou para o mês passado, quando foi reinaugurado, depois de passar por algumas reformas. Uma programação especial com espetáculos para adultos e crianças marcou a reabertura da casa.

 

O teatro, de 150 lugares, teve as redes hidráulica e elétrica refeitas e toda a pintura revitalizada. O próximo passo é a ampliação de sua estrutura física, com nova iluminação, adaptação do edifício de acordo com exigências do Corpo de Bombeiros e a elevação da caixa cênica para receber montagens mais complexas, assim como a troca das poltronas e mudança dos camarins. “O Teatro Vânia Campos representa o engajamento de um povo e de seus artistas em prol da cultura, e por isso se tornou um ponto de referência”, diz Jerry Adriane Telles, um dos coordenadores da casa, que espera agora fazer as reformas restantes. “O projeto completo já está pronto e será apresentado ao Fundo Estadual de Cultura. Estamos otimistas”, completa.

 

Nesse teatro, até o início da década de 1990, o grupo Corpo e Alma, liderado por Sílvio Márcio Bernardes, deu origem a um novo segmento na casa, tornando-se o responsável pela formação de inúmeros artistas profissionais, até que a construção do teatro oficial do município, Sílvio de Mattos, fez com que Vânia Campos fosse relegado a um segundo plano.

 

Anos depois, a proposta de transformar o tão sonhado espaço em um cinema fez ressurgir o movimento de revitalização do passado, desta vez para garantir sua permanência, quando foi criada a Associação Cultural Vânia Campos. “Nesse segundo momento a nova geração, que sempre se envolveu com as artes cênicas na cidade, se mobilizou em prol da causa, organizando uma associação com a finalidade de manter o funcionamento do teatro”, diz Jerry.

 

Hoje, a equipe de associados conta com a participação de profissionais que cuidam da produção e agenda dos espetáculos. Charles Telles, que esteve muito tempo à frente do Festival Internacional de Teatro (FIT), é um deles. Regina Glória, produtora cultural, e Marco Antônio Machado Lara, atual presidente da associação, são outros. O grupo também é composto por dramaturgos, escritores, poetas, profissionais liberais e médicos.

 

O resultado dessa luta foi a chegada, em 1996, do Serviço Social da Indústria (Sesi), que promoveu melhorias no espaço cultural, conquistando outros patrocinadores, como a Usiminas. Depois veio a ideia de criar agenda permanente para o teatro, com peças regionais e também internacionais. A associação também pretende utilizar o espaço para realizar leituras dramáticas e levar mais arte à população de Itaúna.

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