Quem tem medo de caveira?

por Ana Cláudia Esteves 24/04/2012 14:15

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Júnia Garrido, Maíra Vieira, Paulo Márcio
Gabriel Gontijo: "Vi, gostei e aderi; mas nem sempre é o ponto forte na minha produção” (foto: Júnia Garrido, Maíra Vieira, Paulo Márcio)

Elas quebraram tabus e conceitos macabros, se aliaram a significados de humildade e igualdade e ganharam o gosto de homens e mulheres de diferentes estilos e idades. Sim, as caveiras vêm superando a mudança das estações, se firmando nas tendências e até se infiltrando no conservadorismo de algumas famosas marcas. Introduzidas no mundo fashion pelo estilista britânico Alexander McQueen e confirmadas pelo brasileiro, também estilista, Alexandre Herchcovitch, é fato que, inusitadas, clássicas, divertidas ou decoradas, elas dominaram o mundo da moda.

 

Uma caveira pode ter um lacinho, um coração, usar uma coroa ou até mesmo um bico de neném. É comum também ter estampas, brilhos, cores ou fincos. Com uma infinidade de aplicações e curiosas versões, ela não é mais nenhuma novidade. Mas, ao que tudo indica, ela vem se tornando uma figura atemporal, ganhando espaço nas coleções e vitrines e se consolidando no desfile diário: a passarela das ruas.

 

Diversos itens como bolsas, sapatos, roupas, relógios, lenços, anéis e até peças íntimas aderiram a essa moda, e fazem das antes temidas caveiras autênticos mimos, quase angelicais. As caveiras, que lembram a morte, o fim da vida, e sempre fizeram parte do universo fúnebre, vêm conquistando a simpatia de novos públicos, que as interpretam como sinal de igualdade entre seres humanos e total desapego material.

 

A primeira peça de caveira de Carolina Rache foi

um verdadeiro must-have: uma clutch de Alexander

McQuenn. "Quando vi, fiquei apaixonada”

 

 

A consultora de moda Glória Kalil as compara com as eternas pérolas. Já a blogueira e articulista de Encontro, Cris Guerra, as apelidou de o “novo poá”.  Algumas pessoas já as veem como as permanentes oncinhas. Elas são remetidas a outro clássico, o xadrez. Consideradas verdadeiros must have, todas essas tendências quebraram regras e se tornaram adequadas a qualquer época do ano, para diferentes ocasiões. Mas será que as caveiras já atingiram esse patamar na moda?

 

A consultora em marketing e style Natalie Oliffson contesta: “Não sei se cabe uma comparação”. Para Natalie, existem peças e estampas que já se tornaram um clássico, que não pedem determinação de estilo nem época para serem usadas. “O caveirismo, na minha opinião, é trabalhado de maneira localizada, principalmente por meio da atitude rock and roll”. E completa: “Esse estilo vem se incorporando à moda e elaborando looks ousados, chiques e até sofisticados, em que a caveira aparece muitas vezes, e de maneira confortável. Ela dá um toque cool, cheio de jovialidade às produções”, diz.

 

“Eu tive resistência no começo”, confessa a gerente de marketing da Zezé Duarte, Carolina Rache, 26 anos. Sempre antenada, e nas horas vagas blogueira de moda – o site www.whatabout.com.br já é sucesso entre as bem vestidas de BH –, ela conta o que mais a atraiu na tendência: “À medida que a caveira foi ganhando um toque delicado e feminino, deixando de lado seu perfil assustador, comecei a me sentir seduzida principalmente pelos acessórios”, diz. Ela ainda lembra: “Minha primeira peça foi uma clutch do [Alexander] McQuenn, presente que meu pai trouxe de uma viagem. Quando vi, fiquei apaixonada”. 

 

Para Júlia Perez, a caveira foi paixão à primeira

vista: "Não precisei de decoração nem rococós.

Logo que a vi, ela já passou a fazer parte do meu estilo"

 

 

O estudante de publicidade Gabriel Gontijo, de 20 anos, um fashionista, viu em uma amiga a primeira peça com o símbolo que realmente o atraiu. “Não entendo nem corro atrás do que está na moda. Compro e visto o que me fica bem. Nunca tive o menor preconceito por caveiras; para mim, é só um detalhe que acho que tem a ver comigo. Vi, gostei e aderi, mas nem sempre é o ponto forte na minha produção”, explica Gabriel, que ainda revela: “Não usaria uma camiseta com um esqueleto para ir à missa, por exemplo. Não pretendo ser agressivo; acho que cada ocasião pede uma forma de se vestir e isso eu respeito”.

 

Gerente comercial da Iorane, Júlia Perez, de 28 anos, já considera o emblema um ícone da moda. “Foi paixão à primeira vista. Assim que a caveira começou a aparecer dando uma pegada rock às produções, eu adorei. Não precisei de decoração, nem rococó: ela passou a fazer parte do meu estilo”. Júlia afirma ainda que há duas estações a caveira vem mostrando potencial nas coleções da marca: "Na atual, ela apareceu forte e uma coisa é fato: o cliente Iorane também já aprovou”.

 

Símbolo fashion por excelência, as caveiras não são mais só sinal de perigo, mas também de muito estilo e modernidade. E você, tem medo de caveira? 

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