Por um fio

por Raíssa Pena 03/05/2012 11:33

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Geraldo Goulart, Maíra Vieira
O cabelereiro Diney Martins, com a cliente Christiane Calil, optou por tratamento que não agride (foto: Geraldo Goulart, Maíra Vieira)

Não faz mais de dez anos que formol virou termo comum no vocabulário dos salões de beleza. E passou a ser idolatrado pelos clientes. Utilizada como alisador capilar nas famosas escovas progressivas, a substância se mostra eficaz e costuma satisfazer os usuários. Mas o resultado rápido pode vir acompanhado de riscos à saúde, que vão de irritação do couro cabeludo a edema pulmonar e, em situações mais extremas, pode até mesmo ser fatal. 

 

O assunto é sério e chamou a atenção da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Desde 2009, a agência proibiu a venda de formol em vários estabelecimentos, como drogarias, farmácias e supermercados. Segundo informações da Anvisa, a adição de formol (ou formaldeído, seu nome científico) a outros produtos cosméticos, como condicionadores e cremes capilares, já é considerada crime hediondo pelo Código Penal Brasileiro.

 

O forte cheiro do formol é facilmente reconhecível. Portanto, se a cliente de um salão de beleza o sentir, já pode estar certa de que a concentração está maior que a permitida (deve ser de, no máximo, 0,2%). O uso inadequado de formol provoca sintomas (veja quadro) que podem evoluir para a diminuição da pressão, choque anafilático e morte. Os fios, claro, também sofrem com o formol. Pode haver quebra e queda – até total – dos cabelos, já que a substância pode acelerar a evolução da calvície feminina (processo que afeta quase 50% das mulheres).

 

Os riscos para quem aplica são ainda maiores, já que essas pessoas ficam mais tempo em contato direto com o produto. Estudo publicado em 2009 pelo American Journal of Epidemiology relata o aparecimento de câncer na traqueia, nariz, pulmão e pâncreas de profissionais que lidam com o formaldeído (embalsamadores, patologistas, funcionários de indústrias). A professora de Toxicologia da UFMG, Leiliane Coelho, diz que a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (International Agency Research on Cancer - IARC) classifica o formaldeído no grupo 1, o que significa que esta é uma substância cancerígena para humanos.

 

Cláudio Luís Donnici, professor de Química da UFMG: opções legais de alisamento capilar oferecem efeitos satisfatórios e são seguras
 

 

Na concentração permitida pela legislação sanitária,o formol atua apenas como conservante e desinfetante, e não oferece danos à saúde; mas também não é suficiente para proporcionar o efeito de relaxamento. Segundo o dermatologista especializado em cabelos José Rogério Reis, a concentração necessária para alisar de fato os cabelos tem de ser de 10 a 20 vezes maior que esta. No entanto, o professor de Química Orgânica e Química Medicinal da UFMG, Cláudio Luís Donnici, assegura que as substâncias autorizadas pela Anvisa dão conta do recado (veja quadro).

 

Segundo o professor, as opções legais de alisamento capilar oferecem efeitos satisfatórios e são menos agressivas à saúde dos cabelos. “Existem procedimentos, como a aplicação de tioglicolato de amônia com posterior uso de chapa de porcelana, e a relativamente recente escova com carbocisteína”, explica Donnici. Ele também aponta o exemplo da atriz Gwyneth Paltrow, conhecida pelos cabelos perfeitamente lisos graças a um produto da marca francesa Sephora.

 

O dermatologista José Rogério Reis elenca os cuidados que se deve ter antes de optar pelo alisamento químico dos cabelos. “O cabelo fino, por ser mais sensível, exige mais cautela e menos tempo de aplicação. O ideal, para todos os tipos de cabelo, é optar pelo maior espaçamento possível entre as aplicações, procurar profissionais sérios, checar se o produto foi aberto e preparado na hora, e realizar o teste de mecha antes de aplicar na extensão do cabelo”, aconselha o dermatologista. Para evitar danos adicionais, é importante não abusar do uso de pranchas e secadores e procurar um médico caso haja queda ou perda relevante de volume dos cabelos.

 

Leiliane Coelho, professora de Toxicologia da UFMG:

“Os profissionais de salão que usam o formol geralmente

desconhecem o risco para eles e para os clientes"

 

 

O cabeleireiro do salão LM Conceito, Diney Martins, fez a opção por um tratamento que é novidade no mercado brasileiro e se tornou a nova onda quando se trata de cabelo liso, o produto Exohair. Para ele, a técnica não agride o cabelo e mantém saudável a estrutura do fio. “O cabelo não fica com aquele aspecto de relaxado’”, diz o cabeleireiro. A estudante de 17 anos Christiane Calil assina embaixo. Ela sempre teve receio de aplicar formol nos cabelos por medo de danificar os fios, mas aprovou o tratamento do cabelereiro Diney. “Meu cabelo é um pouco ondulado e queria diminuir o uso constante da chapinha e do secador, para domar o volume. Achei ótimo”, conta Christiane.

 

O cabelereiro afirma que a procura pela escova progressiva com formol vem diminuindo. “O que as mulheres têm de pensar é que muitas vezes o cabelo nem precisa de tratamento químico, e sim de reidratar e recompor as vitaminas que ele está perdendo naturalmente todos os dias”, aconselha.

 

 

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