Cara nova no velho clube

por Pabline Félix 15/05/2012 11:08

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Daniel Iglesias
Paulo Henrique Vasconcelos no Automóvel Clube: “Os sócios querem ver novidade" (foto: Daniel Iglesias)

O prédio histórico, situado na esquina das avenidas Álvares Cabral e Afonso Pena, não traduz em sua fachada os ares de modernidade que tomaram conta de seu interior. No dia 11 de abril deste ano, o diretor da PHV Engenharia, Paulo Henrique Vasconcelos, de apenas 38 anos, tornou-se o mais jovem presidente do Automóvel Clube, um dos mais tradicionais pontos de encontro da sociedade belo-horizontina.

 

Paulo Henrique diz que a escolha dos sócios reflete um desejo de renovação e mudança na direção do clube. E esse desejo não é pequeno: dos 503 sócios, 267 participaram da eleição e, desse total, 166 estiveram a favor da chapa vitoriosa, encabeçada por ele. Apenas um voto foi considerado nulo. “Mas mesmo o nulo foi ao nosso favor. Parece que, na hora de marcar, a pessoa fez uma confusão... Mas o que interessa é que a participação foi maciça, inédita. Os sócios querem ver novidade no Automóvel Clube, e nós temos muitos planos para ele”, esclarece, espirituoso e animado, o novo presidente.

 

Batizada de “Modernidade e Tradição”, a chapa capitaneada por Paulo Henrique tem duas prioridades: valorizar a história do clube, e assim contribuir para a valorização dos espaços históricos de Belo Horizonte, e valorizar o associado, que faz parte dessa história. Isso se traduzirá em obras de reforma da fachada, construção de um novo salão de festas no último piso e criação de espaços, como pista de caminhada interna e spas masculino e feminino. Apesar dos planos, todas as obras dependem da liberação do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), já que o prédio é tombado. Há, ainda, projetos de otimização dos ambientes já existentes, como a melhoria das áreas de recreação, reabertura de lojas internas e a divulgação do restaurante como local ideal para reuniões e almoços de negócio.

 

Outra medida é tornar a filiação mais atrativa, especialmente para pessoas mais novas. “Hoje em dia, os sócios quase não têm vantagens sobre os não-sócios. Queremos mudar isso. O clube pode dar mais benefícios para os associados, que já foram mais de mil em outras épocas. Precisamos cuidar do clube como os antigos sócios”, afirma. O pai e o avô do atual presidente – que também foram batizados de Paulo Henrique – são exemplos de pessoas que deixaram de ser associadas pela falta de atrativos. “O Automóvel Clube é a ‘sala de visita’ de Belo Horizonte. Se chefes de estado vierem à cidade por ocasião da Copa do Mundo, o espaço ideal para recebê-los é no clube, como aconteceu em outras datas. Precisamos tê-lo em bom estado para manter esse costume”, declara.

 

A administração do Automóvel Clube não é novidade na rotina de Paulo Henrique: ele integrou as duas últimas gestões, cada uma com duração de dois anos. A sua chapa contou com mais 10 veteranos da última gestão. Por isso, ele enxerga a eleição como uma oportunidade para dar continuidade ao trabalho que vinha sendo feito e que teve importantes conquistas, como liquidar várias dívidas da casa e estabelecer as bases da discussão que possibilitou a formatação do seu plano de ação. “Não tenho tanto um perfil político, como foi o caso de presidentes anteriores, mas a minha experiência empresarial pode ajudar muito. É grande a responsabilidade, mas vamos aproveitar o bom momento interno do clube para possibilitar uma evolução, uma modernização”, avalia.

 

Se o trabalho à frente do Automóvel Clube seguir os passos da liderança de Paulo Henrique no Grupo PHV, bons frutos estão por vir. Fundada há apenas 14 anos, a PHV Engenharia hoje tem a companhia de mais quatro empresas: a PHV Empreendimentos, a Construtora Horizontes, a São Judas Tadeu Empreendimentos e a Loc Power. O jeito de conduzir os negócios também tem como essência a valorização do espaço da cidade e dos relacionamentos sólidos. “Desde a fundação da construtora, os parceiros da PHV são praticamente os mesmos. Gostamos de fazer amizades e trabalhar direito, para que possamos sempre contar eles”, destaca.

 

A maneira de conduzir os negócios do grupo segue um DNA bem mineiro: discreto, mas de crescimento constante: “Se tivéssemos arriscado em financiamentos maiores, talvez tivéssemos crescido mais. Mas a nossa escolha foi trabalhar com recursos próprios e de parceiros investidores, tornando a coisa mais segura. Nosso lema é ‘empresa que dá lucro não quebra’”, diz o engenheiro.

 

Na gerência de empreendimentos imobiliários ou de espaços tradicionais como o Automóvel Clube, pessoas com o perfil agregador e jovem como o de Paulo Henrique Vasconcelos serão importantes para trazer essa  renovação responsável que Belo Horizonte tem precisado há tanto tempo.

 

O Automóvel Clube de Belo Horizonte foi criado em 1925 (e inaugurado em 1929), a partir da iniciativa de nove empresários que tinham como ideia inicial fomentar o automobilismo em Minas Gerais. Nas pistas não houve muita movimentação, mas no clube as festas não pararam de acontecer. Entre as mais tradicionais estão a de aniversário, celebrada em setembro, a de Réveillon e as diversas festas de debutante promovidas por famílias tradicionais.

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