De Drummond a Bartolomeu

por Vicente Cardoso Jr. 18/05/2012 12:52

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Júnia Garrido, Maíra Vieira, Geraldo Goulart
Zulmar Wernke, presidente da Câmara Mineira do Livro (foto: Júnia Garrido, Maíra Vieira, Geraldo Goulart)

Formar leitores é um desafio que o país sempre se cobra. De dois em dois anos, a Bienal do Livro de Minas chama para si um pouco dessa responsabilidade. Com um investimento 50% maior que nos anos anteriores, a terceira edição do evento será realizada em Belo Horizonte neste mês, com a proposta de criar um ambiente de estímulo à leitura e receber discussões sobre o universo das letras. O maior número de atividades voltadas para o público infantojuvenil e mesas mais diversificadas no Café Literário – principal espaço de debates da mostra – são as principais marcas da terceira edição.

 

Para o mercado editorial, a Bienal é grande oportunidade de negócios – a expectativa gira em torno de 13,6 milhões movimentados – e importante vitrine para os expositores, que neste ano totalizam 160. Além disso, a Câmara Mineira do Livro, co-organizadora do evento, confia na sua consolidação como referência na formação de leitores. “O grande interesse das escolas representa bem a força da Bienal. Em apenas quatro dias, preenchemos todas as 45 mil vagas abertas para visitação escolar”, ressalta Zulmar Wernke, presidente da entidade.

 

Maria Eugênia Dias, sobre Bartolomeu Queirós: “Ele lidava com as palavras como o desenhista com o lápis, ou o pintor com o pincel”
 

 

Para que a Bienal seja de fato uma porta de entrada para a leitura, os organizadores apostam cada vez mais no público infantojuvenil. Uma das atividades pensadas para encantar as crianças é o Livro Encenado, que trará a interpretação de clássicos da literatura por grupos de atores. “É outra forma de aproximá-los da literatura de um modo mais divertido. A união de duas formas de entretenimento, o teatro e o livro, ajuda a romper aquela impressão – que a criança muitas vezes tem – de que ler é sempre uma obrigação”, afirma Paula Jovine, gerente-geral da Bienal do Livro pela Fagga Eventos, a outra coorganizadora da mostra.

 

 Afonso Borges, curador do Território Jovem e do

Café Literário: “Nem todas as mesas serão apenas

para especialistas ou educadores”

 

 

Uma novidade que reforça o foco nos leitores mais novos é o Território Jovem, que trará dois importantes escritores da literatura infantojuvenil: o veterano Pedro Bandeira e o fenômeno de vendas Thalita Rebouças. Os dois nomes são algumas das grandes apostas de Afonso Borges, produtor cultural responsável pelo Sempre um Papo, que assumiu neste ano a curadoria do Território Jovem e do Café Literário. Neste último, a variedade guiou a programação, contemplando a amplitude de temas e abordagens que envolvem o universo dos livros. “A curadoria foi feita como vejo os leitores e a literatura: de forma muito diversificada”, afirma Afonso Borges. “Nem todas as mesas serão apenas para especialistas ou educadores. Em vez de fechar em um grupo, fizemos algo aberto em 180 graus”, completa.

 

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Além de buscar uma programação antenada com as novas tendências e interesses dos leitores, a Bienal também relembra grandes escritores que marcaram a literatura mineira. Em 2012, Bartolomeu Campos de Queirós e Carlos Drummond de Andrade serão os homenageados. Para o diretor institucional da Câmara Mineira do Livro, José de Alencar Mayrink, a decisão de destacar suas obras e trajetórias nem chegou a ser objeto de deliberação, de tão natural. “São dois nomes que se impõem sempre que falamos de literatura em Minas e em todo o Brasil. Devemos aproveitar essas ocasiões para reforçar o contato das novas gerações com seu legado”, afirma Alencar.

 

 
 
 

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