Os piores do trânsito de BH

por Rafael Campos - Revista do Correio 12/06/2012 13:33

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

- AMIGO + AMIGOS

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.

Em Belo Horizonte, o trânsito vai muito mal – vai é o modo de dizer, pois ele está tão lento que corre o risco de parar. Mas um grande número de motoristas contribui – e muito – para criar o caos que se vê nas principais ruas e avenidas de uma cidade que apresenta problemas estruturais, já que pelo projeto original o seu crescimento não iria além da região interna à avenida do Contorno. O volume de infrações cresce a cada dia e revela quem anda trocando as marchas. O perfil do motorista infrator começa com uma característica típica dos grandes nomes do automobilismo: ele pisa fundo, mesmo com os 50 radares espalhados pela capital (869 multas por dia ou 36 por hora). Ele também, como nos tempos da Jovem Guarda, não respeita o sinal vermelho (376 multas diárias ou 15 por hora),  que agora, em vários trechos, é monitorado pelos pardais eletrônicos.

 

É ainda no trânsito que se encontra o cenário ideal para se identificar o triste jeitinho brasileiro, como o motorista que se esconde atrás do insufilm para fazer chamadas ao celular (260 multas por dia), o que se aproveita da vaga destinada a ambulâncias para estacionar o carro ou o que prefere parar na calçada, dificultando a vida dos pedestres. Há ainda os que nem sabem direito a finalidade de um cinto cujo nome já diz tudo: de segurança. E mais: muitos ignoram a faixa exclusiva para ônibus ou desconhecem o sistema de rodízio no estacionamento rotativo.

 

 

 

Não foi nem um pouco difícil para a equipe da Encontro flagrar, durante uma única tarde de maio, das 14h às 16h30, uma série de situações em que os motoristas simplesmente ignoraram as leis de trânsito e contribuiram para, além de tumultuar, tornar o trânsito ainda mais perigoso. A Polícia Civil tem em seus arquivos os números que formam o perfil dos piores motoristas de BH. Com base nas multas aplicadas em 2011 e nos primeiros três meses deste ano, surge, bem à frente, a infração mais recorrente: o excesso de velocidade. E não é de hoje que muita gente não sabe o real significado da palavra limite. Como é difícil ultrapassar esta marca, seguem, na média geral, em segundo e terceiro lugares, o uso do celular e o avanço de sinal vermelho (houve um crescimento assustador em 2012).

 

“Sempre uso telefone celular no trânsito, principalmente em congestionamentos”, revela uma motorista que não quis se identificar. Fazer chamadas telefônicas ao volante é mais comum do que se imagina. De 2010 para 2011, houve aumento de 25% de “canetadas” em BH motivadas pelo uso do telefone.

 

Inês Borges Junqueira, delegada geral de polícia e coordenadora de infrações e controle do condutor do Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG), alerta que está mais que comprovado o prejuízo do casamento entre celular e volante. “Dirigir falando ao celular aumenta quatro vezes o risco de acidente”, afirma a delegada, fazendo referência a um estudo realizado no Canadá. Para ela, o perfil do infrator de trânsito na capital é de “18 a 38 anos, sempre apressado, impaciente e distraído”.

 

Em BH, acontece um festival de infrações no trânsito. Em um dos principais corredores, a avenida do Contorno, no Floresta, região leste, o entregador de revistas estaciona o Fiorino na área reservada ao embarque e desembarque de passageiros de ônibus. “Todos os dias estaciono aqui, pois não encontro vagas nesta região”, diz Vandelson Lemes, 30 anos. “Em muitos dias, nem aqui encontro lugar”, reclama, mostrando que a infração é recorrente.

 

 

 

Na rua Aarão Reis, perto da praça da Estação, na área central, os agentes da BHTrans – empresa que gerencia o tráfego em BH – e policiais militares de trânsito estavam, durante a tarde, multando pelo menos quatro veículos parados de maneira irregular. Durante a ação, um dos motoristas tentou argumentar, em vão. Na avenida dos Andradas, onde inclusive foram instalados quatro detectores de avanço de sinal vermelho, vários motoristas foram flagrados sem o cinto de segurança, infração que também está entre as principais registradas em BH.

 

Na calçada em frente a um supermercado na avenida Nossa Senhora do Carmo, no Sion, três veículos impediam a passagem de pedestres, que tiveram que disputar a rua com os carros que deixavam o estabelecimento. Indagado sobre a situação, um dos seguranças do estabelecimento revelou: “Os guardas até que passam por aqui, mas não fizeram nada”. 

 

 

 

Em contato com a BHTrans, a assessoria de imprensa pediu que a Guarda Municipal e o batalhão de trânsito da PM, únicos órgãos autorizados a multar, fossem procurados. A polícia de trânsito informou que iria mandar uma viatura ao local, mas não informou se a corporação estava ciente do problema. Já a Guarda Municipal pediu que fosse oficializada a demanda para um futuro retorno.

 

Para a delegada Inês Junqueira, a melhor maneira de educar os infratores é submetê-los aos rigores da lei. “Eles devem repensar a maneira de conduzir seu veículo. Quando a carteira de habilitação é suspensa, o motorista tem de passar por um curso de 30 horas/aula, além de fazer uma prova no Detran-MG. Assim, ele poderá repensar suas atitudes”, afirma Inês.

 

 

 

E a mudança de atitude no trânsito pode, inclusive, diminuir o número de acidentes e de mortes. O diretor-presidente da BHTrans, Ramon Victor César, revela que um dos objetivos do órgão é reduzir as ocorrências fatais no trânsito. “Hoje, as estatísticas mostram que para cada 100 mil pessoas, são registradas 11 mortes por ano. Nossa meta é reduzir para 6,3 mortes até 2020”, diz. Para alcançar o objetivo, Ramon ressalta que a BHTrans está atuando junto a escolas para conscientizar a criança ou adolescente a ser um bom motorista no futuro.

Últimas notícias

Comentários