Vale do Silício à mineira

por Zulmira Furbino 14/06/2012 11:14

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Eugênio Gurgel, Geraldo Goulart
Centro de Manutenção da Gol: a proximidade com o aeroporto internacional de Confins favorece (foto: Eugênio Gurgel, Geraldo Goulart)

Todos os dias, muitas pessoas passam pela Linha Verde em direção ao aeroporto Tancredo Neves, em Confins, e, ao admirar a beleza da região e dos edifícios Minas e Gerais, além do Palácio Tiradentes, que compõem a Cidade Administrativa, não se dão conta de que estão atravessando um corredor que irá se transformar numa espécie de Vale do Silício com sotaque mineiro. Aos poucos, grandes empreendimentos estão se instalando no vetor norte, caminho para Confins, estruturado para transformar a capital mineira em um centro de tecnologia por excelência.

 

Em 20 anos essa região, ancorada na atração de empresas de alto índice de tecnologia embarcada – como a indústria aerospacial e de defesa – e naquelas ligadas às chamadas ciências da vida, como nanotecnologia, biotecnologia, equipamentos médicos, produtos farmacêuticos, softwares e componentes eletrônicos, terá potencial para dobrar a geração das riquezas produzidas hoje em Minas. Isso significa que somente essa pequena porção do estado poderá gerar R$ 287 bilhões em 2032.

 

A assinatura de um convênio para o desenvolvimento de um parque tecnológico privado de terceira geração – o Parque Tecnológico e Científico de Lagoa Santa, em pleno coração do vetor norte – confirma que esse é um sonho possível. O acordo foi costurado pela World Class Company Institute (WCCI) e pela BHZ Arquitetura, que serão responsáveis pela concepção e projeto de viabilidade do empreendimento, com a Construtora Castor, Jam Engenharia, grupo Partners e Minas Park Estacionamentos.

 

Com investimentos de R$ 1 bilhão e VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 3 bilhões, o complexo vai abrigar área empresarial, centro de pesquisa e desenvolvimento, espaço comercial, centro de convenções, além de hotelaria. O potencial construtivo será equivalente ao da Cidade Administrativa. “São 18 hectares (180 mil metros quadrados de área total) ”, informa Leonardo Figueiró, presidente da WCCI. Os parques tecnológicos surgiram no fim da década de 1950 para preencher uma lacuna entre a academia e o mercado. Funcionam como ambiente catalisador de inovação tecnológica, oferecendo condições para que as boas idéias geradas sejam usadas pelas empresas para serem colocadas no mercado.

 

O objetivo é justamente desenvolver inovação, atraindo grandes empreendimentos do setor, que funcionam como âncoras para que as start up – denominação em inglês para empresas inovadoras que estão começando – cresçam e se consolidem no mercado. A mescla da presença de grandes e pequenas organizações é uma das receitas do sucesso da iniciativa. “Existem parques tecnológicos no mundo que, sozinhos, estão desenvolvendo mais patentes do que o Brasil como um todo”, explica Anderson Thuner, diretor de projetos da WCCI.

 

Vista de Lagoa Santa: vetor norte ganha novo impulso com o parque tecnológico de terceira geração, que terá investimento de R$ 1 bilhão
 

 

O cronograma do parque tecnológico começa a ser montado agora. A iniciativa tem em vista uma realidade que já deu certo em vários locais do mundo, entre eles o Vale do Silício, na Califórnia (EUA), criado em torno da Universidade de Stanford e hoje uma as regiões mais ricas do mundo, berço de organizações como Google, Hewlett-Packard (HP), Microsoft e Facebook. Na Índia, a região de Bangalore, centro de alta tecnologia, gera mais de cinco milhões de empregos e um dos PIBs mais altos do país. De acordo com a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), existem mais de 1.500 parques tecnológicos operando em todo o mundo.

 

Tanto em países desenvolvidos quanto nos emergentes, como sustenta um estudo feito pela Anprotec, os casos de sucesso envolveram investimentos públicos e privados na proporção de um para um. O investimento público de países desenvolvidos e emergentes na implantação inicial desses parques varia entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões. Mas ao longo do processo de implantação ultrapassa, junto com recursos privados, a marca de US$ 1 bilhão, gerando empregos e impostos correspondentes.

 

Os estudos feitos pela WCCI para trazer o empreendimento para o Brasil e para Minas foram inspirados no projeto de desenvolvimento do vetor norte, que começou no governo Aécio Neves e cresceu na gestão do governador Antonio Anastasia. “A grande chave, como ocorreu no Vale do Silício, serão as parcerias entre centros universitários e universidades e a iniciativa privada”, diz Leonardo Figueiró. Para ele, a presença das empresas num mesmo ambiente e a relação entre as áreas estimula o ambiente de negócios. Por isso, é essencial estarem num mesmo local. “O conceito é o de um shopping reunindo inteligências. Por isso, será preciso reunir um mix de empresas para gerar sinergia entre elas”, observa Figueiró.

 

 

 

Atualmente, segundo ele, os maiores investimentos no Vale do Silício são feitos por empresas que começaram suas atividades há 30 anos e que hoje aplicam recursos que impulsionam as start ups. No Brasil, apesar de constituir uma experiência relativamente recente, o surgimento de parques tecnológicos já permite identificar algumas características típicas que configuram a base do que pode se consolidar como um modelo brasileiro.

 

Uma das características marcantes de empreendimentos como o Parque Tecnológico e Científico de Lagoa Santa é a cultura do investimento de alto risco. “Com a ajuda da sociedade, iniciativa privada e poder público, é preciso entender que um negócio pode dar errado uma ou duas vezes e depois alcançar o sucesso”, diz Leonardo Figueiró.

 

Segundo a Anprotec, esses negócios têm forte relação com mecanismos e iniciativas de promoção do empreendedorismo inovador, especialmente incubadoras de empresas. No geral, os parques estão relacionados com um programa formal de planejamento regional e são uma parte importante da estratégia de desenvolvimento econômico e tecnológico, como acontece em Minas. Por isso, o apelo ao desenvolvimento é grande e as apostas são altas.

 

Em agosto de 2011, o plano Brasil Maior, lançado pela presidente Dilma Rousseff, permitiu um acréscimo de R$ 2 bilhões no caixa da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), uma empresa pública vinculada ao Ministério de Ciências e Tecnologia (MCT). O dinheiro será direcionado em forma de crédito para projetos inovadores. O reforço financeiro foi resultado da execução recorde (em 90 dias) do primeiro empréstimo tomado junto ao Programa de Sustentação do Investimento (PSI) – R$ 1,75 bilhão. Os recursos serão aplicados pela Finep em cerca de 80 projetos de inovação em áreas consideradas prioritárias, como energia, saúde, tecnologia da informação e comunicação.

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